Amnésia de bebedeira. É verdade?

Muita gente desconfia do famoso papinho de bêbado que, após cometer loucuras, diz que não se lembra de nada. Esquecimento por álcool existe mesmo?

A bebida alcoólica em excesso provoca amnésia sim
Foto: Getty Images

“Nunca vou me esquecer, ou melhor, me lembrar, de um porre que tomei em uma balada”, conta a advogada Aline, de 28 anos. “Era a única mulher num grupo de oito amigos e tive a infeliz ideia de acompanhá-los na cerveja. Nem sei como voltei para casa”, fala. A coordenadora de recursos humanos Luciana, de 27 anos, também já sofreu um blecaute na memória numa comemoração de formatura, em Porto Seguro (BA). “Bebi capeta, caipirinha, cerveja. Acordei de banho tomado, pijama e em um quarto que não era o meu”, revela. Já a administradora de empresas Fernanda, de 25 anos, sabe que basta exagerar na vodca com soda para sofrer um apagão. “Certos lances somem. É péssimo não ter certeza do que fiz.”

Histórias como essas são comuns em grupos de garotas baladeiras que turbinam a noite com umas doses a mais. O desfecho é uma dor de cabeça em dose dupla no dia seguinte. Não bastassem os efeitos do álcool, ainda fica a sensação de insegurança por não conseguir se recordar das próprias ações. Às vezes, até de culpa ao descobrir coisas que você não faria em sã consciência. Por que foi acontecer justo com você? E como agir depois de passar por essa roubada?

NOVA ajuda a clarear algumas ideias:

Enquanto você bebia

Há quem pense que o esquecimento trata-se de desculpa para as atitudes condenáveis que tomamos. Ledo engano. A questão, aqui, é física. Conforme você se embriaga com uma caipirinha de maracujá, outra de framboesa, mais uma de lima da pérsia… acontece uma pane química no cérebro. “Ele para de produzir novos neurônios principalmente no hipocampo, uma importante área de memória”, explica o neurologista Mauro Muskat, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O álcool potencializa os efeitos de um neurotransmissor chamado gaba, que inibe a comunicação entre os neurônios”, completa ele. Segundo o médico, esse processo é mais forte quando o pileque é de uísque, vodca, cachaça. “O destilado tem uma enorme concentração de álcool”, diz.

Eu sei o que você fez na noite passada

Depois que o estrago já se consumou, vem a parte mais difícil: lidar com a ressaca moral do dia seguinte. “Ligue para uma amiga de confiança a fim de que ela diga o que de fato aconteceu”, sugere a psicóloga clínica Junia Ferreira. “Do contrário, poderá ser vítima de brincadeiras sobre o que supostamente teria aprontado, ficando aflita sem necessidade. E não pense que você não é dona das suas atitudes. “Sob os efeitos do álcool, sabemos avaliar o certo e o errado. A diferença é que o superego – que é responsável por nos manter na linha – trabalha menos. E o id, que guarda seus inconfessáveis desejos, se manifesta. O resultado é agressividade, ficar mais atirada ou dizer aquilo que pensa”, explica.

Se não tem remédio…

Vale avaliar se a atitude que cometeu expressa um sentimento reprimido. Se for isso, ótima oportunidade para resolver a questão consigo mesma. Convém também colocar o dedo no próprio nariz e assumir que poderia sofrer consequências piores, como parar no hospital em coma alcoólico. Feito o mea-culpa, hora de passar uma borracha… no que já estava apagado. “Não adianta se martirizar. O que está feito está feito”, fala Junia. Segundo ela, a solução mais madura é não passar do limite da próxima vez.

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