Manual da vagina: mitos, verdades, dicas de saúde e exercícios

Desvendamos todas as questões sobre sua zona V

 

Parte 1: Mito, verdade ou depende? As questões que você tem, resolvidas!

 

Usar calcinha que não seja de algodão faz mal – Depende

O tecido sintético tem fama (meio injusta) de vilão. No passado, acreditava-se que o algodão era melhor porque favorecia a troca de calor, mas, se o modelo da sua calcinha de algodão for muito apertado ou você gostar de jeans justo, bye-bye, ventilação! O que importa mesmo é que a peça seja confortável, de qualquer material, e que você evite abafar a região (a umidade leva ao risco de infecções).

Lenço umedecido vale por um banho – Mito

Depois de um dia de trabalho, só mesmo chuveiro, com água e sabonete. Mas, claro, se você vai emendar a happy hour, o lenço funciona como um refresh, porque remove secreções e restinho de xixi – diminuindo aquela sensação de estar suja (principalmente na menstruação!). Mas use os específicos para as mulheres; os de bebê podem até parecer a mesma coisa, mas têm fórmula compatível com o pH da pele dos pequenos… e não com o da sua!

 

Não é recomendado usar protetor de calcinha todos os dias – Depende

Sabe quando você precisa jogar todas as camadas de cobertor no chão durante a madrugada por causa do calor? É assim que sua vulva se sente quando está sufocada pelo jeans + calcinha. Somar diariamente o protetor tradicional a essa equação pode aumentar a umidade e o abafamento, sinal amarelo para fungos e bactérias. Para afastar seu risco sem ter de abrir mão de ficar com a calcinha sempre limpa: escolha os que ofereçam ventilação e troque a cada quatro horas. De acordo com o ginecologista Domingos Mantelli, do Hospital Santa Joana e Maternidade Pro-Matre Paulista, em São Paulo, o protetor é uma boa opção para momentos específicos, como nos últimos dias da menstruação, no lugar do seu absorvente comum.

 

Tipos de depilação

(Reprodução/Cosmopolitan)

 

Depilar tuuudo pode ser perigoso – Mito

Fato: seu ginecologista não tem motivo para puxar sua orelha se você chegar ao consultório totalmente depilada. “A ausência de pelos não aumenta nem diminui as chances de contrair uma doença ou infecção”, diz o médico ginecologista Paulo Giraldo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Do ponto de vista médico, a mulher tem liberdade para decidir o tipo de depilação que a deixa mais à vontade.” Isso faz cair por terra aquela história de que os fios não poderiam ser removidos porque seriam um escudo natural contra doenças. “É seu cuidado diário que vai manter a região protegida”, diz a fisioterapeuta uroginecológica Débora Pádua, autora do livro Prazer em Conhecer (Alaúde). “Por isso a higiene correta é importante.” Já o excesso de pelo leva ao acúmulo de resíduos (como sabonete, secreções, pele morta) que podem causar inflamações. Moral da história: se você curte o look zerado e tem coragem de deitar na maca e dizer `tira tudo¿, vá em frente. Agora, se não quer encarar a tortura todos os meses, mantenha os pelos sempre curtinhos com a ajuda de uma tesoura ou aparador específico.

 

É preciso aumentar a higiene durante o período menstrual – Depende

Entendemos sua vontade de tomar um banho caprichado cada vez que troca o absorvente (#QuemNunca), mas alto lá! Não é preciso tanto. Se o seu fluxo for fraco, mantenha os cuidados normais. Caso seja intenso, faça a limpeza com sabonete íntimo duas ou mais vezes por dia e troque de absorvente a cada quatro horas – ou sempre que perceber a região úmida.

 

Tudo bem lavar a calcinha no banho – Verdade

Não há nada de errado em levar sua lingerie para o chuveiro com você. Mas boxe não é varal! Depois de enxaguar bem o tecido – lave, de preferência, com sabão específico ou neutro -, pendure a peça para secar em um lugar ventilado e, ainda melhor, com sol. Aquele hábito da sua avó de passar a calcinha com ferro para matar micro-organismos também está liberado. “É um cuidado a mais com a saúde”, diz Débora. Se você coloca suas peças íntimas na máquina, vale outro alerta: não use amaciante. “O produto permanece na roupa após a lavagem e pode causar algum tipo de alergia ao ficar em contato com a pele”, diz Giraldo.

 

Calcinha

(Reprodução/Cosmopolitan)

 

 

Tanto faz limpar as partes íntimas com sabonete normal ou específico – Mito

Vamos voltar às aulas de química: como a região sul tem o pH mais ácido do que a pele do restante do corpo (entre 3,8 e 4,2 na vulva, ante 4,6 e 5,8 em geral), é importante lançar mão de um sabonete específico para manter a flora bacteriana vaginal estável e evitar problemas chatos, como a candidíase. A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) recomenda o uso de fórmulas hipoalergênicas (procure por essa palavra no rótulo!), que reduzem a chance de irritações. Outra vantagem em trocar o sabonete comum pela versão líquida íntima: ela não acumula resíduos (sujeira, pelos, pó), como faz (eca!) o produto em barra.

 

 

Parte 2 : Hábitos e cuidados diários vão manter você mais protegida

 

A limpeza lá embaixo

 

Ela não deve ser feita de qualquer jeito: passe os dedos suavemente por toda a região (incluindo clitóris, entrada da vagina, pequenos e grandes lábios), sem friccionar, por dois minutos (tempo suficiente para deixar tudo nos trinques!). Duchas internas estão vetadas, até em quadros de infecções, inflamações ou após o sexo, já que o chuveirinho interfere na lubrificação e na flora bacteriana.

 

Direção certa

No banheiro, faça a limpeza com o papel higiênico (ou lencinho) de frente para trás (da vagina em direção ao ânus).

 

Menos é mais

Na hora de escolher o papel higiênico, prefira os sem perfume, cor ou relevo para evitar alergia.

 

Bem levinha

Saias e vestidos são os melhores amigos da sua vagina (permitem a ventilação).

 

Emojis de vagina

(Reprodução/Cosmopolitan)

 

 

Parte 3: Perguntas que você deve fazer à ginecologista

 

Meu fluxo menstrual é normal?

Sabe aquela tática de escrever todos os seus gastos para descobrir se algo está saindo do padrão? O mesmo vale para a menstruação. “Para ter certeza de que está tudo bem, anote a data de início e fim dela a cada mês, e também descreva o sangramento (cor, quantidade…)”, diz a ginecologista Bárbara Murayama, diretora da clínica Gergin, em São Paulo. Essas informações ajudam em diagnósticos de infecções, miomas, alterações hormonais e até câncer de mama, útero e ovário. Em relação à frequência do fluxo: intervalos de 22 a 35 dias, com duração de dois a seis dias, são considerados normais. “Mas, se sentir fraqueza ou cólicas que não a deixem sair de casa, avise seu médico”, diz a especialista.

 

Qual é o melhor método anticoncepcional?

Seu ritmo de vida dá a resposta. Para as mais esquecidinhas, por exemplo, a injeção é ideal. Se não tem planos de engravidar tão cedo, o melhor pode ser o DIU. “De acordo com a rotina da paciente, um método acaba sendo mais eficaz que o outro”, diz Bárbara. Defina com seu médico a melhor alternativa para você: (DIU, pílula, injeção, camisinha, adesivo…).

 

Exercícios vaginais

(iStock/Think Stock/Getty Images)

 

Minha secreção vaginal está ok?

Esse é um assunto que costuma causar constrangimento geral, mas a verdade é que toda mulher convive com uma secreção vaginal característica. Sim, todas! Mas aquela “sujeirinha” na sua calcinha não se mantém a mesma o tempo todo: sofre uma variação natural durante o mês, de acordo com seu ciclo menstrual. Nada para se preocupar, a não ser que você perceba alterações significativas na coloração (se estiver amarronzada ou esverdeada), no odor (com cheiro de peixe podre, eca!), na textura (ficar talhada ou em pedacinhos) ou na quantidade da secreção (bem maior do que a de costume). Essas modificações talvez signifiquem probleminhas como infecção por fungos (é o caso da candidíase), inflamação ou até gonorreia – que vão precisar ser tratados com pomadas ou antibióticos específicos por alguns dias.

 

Cartela de pílula anticoncepcional

(iStock/Think Stock/Getty Images)

 

Parar de menstruar é uma opção para mim?

A decisão de bloquear a menstruação ao emendar a cartela de pílula anticoncepcional está sendo cada vez mais procurada – parece até sonho não precisar se preocupar se as férias na praia vão cair ou não naqueles dias, né? Mas os motivos para fazer a interrupção não têm a ver apenas com a comodidade de poder vestir o biquíni quando bem entender. “Parar com os sangramentos faz parte do tratamento de algumas doenças, como é o caso da endometriose, e também serve para controlar episódios de cólicas muito fortes e sintomas da TPM”, diz Bárbara. Mas, claro, como qualquer outro tratamento, a interrupção precisa de indicação e acompanhamento médicos, já que essa decisão é capaz de levar a efeitos colaterais, como retenção de líquido, aumento da oleosidade da pele etc.

 

Como fugir das DSTs?

A solução para evitar a maior parte das DSTs você já sabe: usar camisinha. Sempre. Mas alguns outros hábitos podem colocá-la em risco também, como beijar vários caras: o contato boca a boca transmite mononucleose, herpes e até HPV. Pegou geral nas últimas férias em Barcelona? É essencial dividir esse tipo de informação com seu ginecologista – mesmo que você tenha deitado e rolado (literalmente) com parceiros diferentes nos últimos tempos. Ele está ali para te orientar, não te julgar.

 

Parte 4:  exercícios para fazer já

Eles estimulam a circulação sanguínea na região íntima e deixam sua vagina mais fortalecida e sensível (o que aumenta as chances de ter um orgasmo).


Sobe e desce

Deitada de costas, apoie os pés no chão, afastados na largura do quadril. Contraia glúteos e abdômen e eleve o quadril em direção ao teto. Faça dez repetições.

 

Chave de perna

Na posição inicial anterior, coloque uma bola entre os joelhos. Contraia o abdômen e tente unir as pernas, apertando o acessório. Conte até cinco, relaxe e repita de dez a 15 vezes.

Sente, por favor!

Em uma cadeira, flexione o tronco à frente e apoie os cotovelos nas coxas. Contraia o assoalho pélvico (como se quisesse prender o xixi) por alguns segundos e relaxe. Complete 12 repetições.

 

 

 

Fonte: Especial GUIA da ZONA V (setembro/2014)

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