Qual a relação entre pílula do dia seguinte e gravidez ectópica?

Carolina Ambrogini, ginecologista e sexóloga da Universidade Federal de São Paulo, responde às dúvidas mais frequentes sobre sexo e saúde.

 

Queridas leitoras, nas últimas  semanas nas redes sociais causou comoção um relato de uma mulher que teve uma gravidez ectópica (fora do útero) após o uso da pílula do dia seguinte. Este risco existe? Sim, apesar de muito baixo, ele pode acontecer.

A pílula de emergência tem cerca de 20x mais hormônio que uma pílula normal e ela age no organismo tentando postergar a ovulação, deixando o endométrio ruim para a implantação do embrião e atrasando a motilidade das tubas uterinas. Se a mulher utiliza a pílula no período fértil e já aconteceu a ovulação, esta alteração da motilidade da tuba (lugar onde acontece a fecundação do óvulo com o espermatozoide) pode fazer com que o embrião se implante ali ao invés do útero.

A gravidez ectópica tubária é uma emergência médica porque as tubas podem se romper gerando uma hemorragia dentro do abdome. Pacientes com histórico de endometriose ou infecções pélvicas também tem uma maior risco para a gravidez tubária, pois estas doenças estreitam a passagem das tubas, fazendo com que o embrião se fixe ali. Além destas causas, o DIU de cobre e as pílulas usadas no período de amamentação e as de emergência também oferecem um risco neste sentido.

Isto é motivo para pânico? Não, minhas queridas. O risco em todas as situações descritas é maior quando comparadas a de uma mulher sem estes fatores, porém ainda assim, é muito baixo.  A pílula de emergência, quando utilizada de forma consciente e esporadicamente é um importante instrumento para a prevenção de uma gravidez não planejada e não deve ser crucificada em praça pública. Afinal, uma gravidez pode oferecer vários riscos para uma mulher também. Se formos contabilizar, morrem mais mulheres por conta de intercorrências na gestação do que mulheres que utilizaram a pílula de emergência e até daquelas que usam o contraceptivo normal  que , se também formos ver, existem riscos e relatos assombrosos na internet.

A pílula de emergência é uma medicação que não é totalmente inócua, como qualquer outra (vocês já leram a bula de uma inofensiva aspirina?) e deve ser utilizada com consciência. Se houver atraso menstrual, um teste de gravidez deve ser logo realizado e um exame de imagem para se detectar a localização do embrião. Dores agudas no baixo ventre também são sinais de alerta para as usuárias. Fica a mensagem. 

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