Síndrome do pânico: proteja-se desse mal!

Uma sensação de morte toma conta da sua vida de uma hora para outra. Isso é doença e tem solução!

Mulheres entre 20 e 35 anos são as maiores vítimas da síndrome do pânico
Foto: Fabio Heizenreder

Imagina a cena: do lado de fora da casa cai uma tempestade e alguns ruídos estranhos chegam aos seus ouvidos. Suas mãos suam, as pernas começam a tremer e o coração bate descompassadamente. Morta de pavor, você sente a cabeça prestes a explodir. De repente, da garganta seca escapa um grito agudo e, no segundo seguinte, você sente que irá morrer. Sim, parece uma cena de filme de terror, mas, para um número enorme de pessoas, passar por  sensações iguaizinhas a essas faz parte de uma dolorosa rotina que nada tem a ver com  ficção.

Elas são vítimas da síndrome do pânico, um mal que não para de lotar os consultórios de psicólogos e psiquiatras. Só no consultório do psiquiatra Paulo Gaudencio, duas pessoas com os sintomas procuram por tratamento toda semana.

A presidente da Associação Nacional da Síndrome do Pânico, Rosana Laiza, explica o cenário atual. “A doença era confundida com depressão, stress ou um simples mal-estar. Hoje ela tem nome e diagnóstico próprio”. Os estudos revelam que as mulheres entre 20 e 35 anos são as mais atingidas. “É nessa fase que as pessoas sofrem mais pressões profissionais e pessoais”, explica a psicoterapeuta. Hoje, já se sabe com exatidão que até 70% das causas da doença são genéticas, enquanto as 30% restantes estão relacionadas ao uso de drogas, remédios e fatores ambientais – entre eles o stress.

Você tem medo?

“Qualquer pessoa pode experimentar essas mesmas sensações de angústia durante um assalto, um voo com turbulência ou um acidente de carro, por exemplo, mas só quem sofre da doença tem um ataque de pânico sem  motivo concreto”, esclarece o psiquiatra Sérgio Tamai, chefe do departamento de psiquiatria e psicologia médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Em outras palavras, no “transtorno do pânico”, como é chamado pela ala médica, ocorrem crises de ansiedade sem que de fato exista uma situação de perigo. Quem sofre de pânico cobra muito de si e dos demais, é perfeccionista, centralizador e vive tenso, segundo Rosana.

Embora uma das principais causas do transtorno seja a predisposição genética, ter um parente com a síndrome não é uma sentença condenatória. “Fatores emocionais e ambientais só deflagram a doença em pessoas predispostas”, avisa o dr. Sérgio. A melhor maneira é prevenir. “Maconha, cocaína, álcool e  outras substâncias, tais como a anfetamina encontrada nas fórmulas de remédios para emagrecer, aumentam as chances de um ataque de pânico”, diz a psicóloga Mônica Griesi, de São Paulo. No caso feminino, os hormônios também exercem influência. “Muitos ataques ocorrem justamente nos dias que antecedem a menstruação”, comenta o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clinicas, em São Paulo.

Cada crise costuma durar de cinco a 30 minutos e produz um turbilhão de sensações devastadoras. “Quem está com a doença interpreta esses sinais como se alguma coisa de muito grave estivesse por acontecer”, explica a psiquiatra Laura Guerra. Há quem acredite que está enlouquecendo, ou mesmo que irá morrer durante o ataque. “Já que o transtorno provoca sintomas físicos bem reais – formigamento e dor no peito, por exemplo -, há quem ainda procure o cardiologista achando que está enfartando. “Mas, graças à melhor distribuição de informações, muitos casos passaram a ser tratados da maneira certa”, diz Wagner Gattaz, professor de psiquiatria e diretor do laboratório de neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Por uma vida mais equilibrada 

E qual o jeito mais correto de se livrar de tanto desconforto? Ir no caminho contrário do medo, ou seja, reunir coragem para dar o primeiro passo, já que na realidade as pessoas propensas a desenvolver o transtorno tendem a reprimir seus sentimentos. 

O índice de sucesso dos tratamentos é alto – em cerca de 97% dos casos o transtorno some. No entanto, após seis anos da primeira crise, até 80% dos pacientes podem sofrer um retrocesso.

“Para buscar saídas, você deve procurar uma vida mais equilibrada a fim de diminuir as chances de desencadear o transtorno”, recomenda os especialistas. Conquistar uma rotina tranquila, porém, pode ser aquele desafio para quem está em plena fase produtiva. Antes que o mal cresça, os especialistas recomendam as seguintes providências:

Tomar remédios sob orientação médica

“Antidepressivos ajudam a diminuir as crises, mas precisam ser ingeridos durante um ano para evitar as recaídas”, orienta o dr. Márcio. Vale lembrar que a automedicação é perigosa e pode agravar o quadro.

Buscar ajuda

“A psicoterapia auxilia o paciente a descobrir que tipo de crença interior pode apresentar relação com os sintomas”, explica a dra. Laura.

Cuidar da alimentação

É possível diminuir a intensidade dos ataques com hábitos simples. “Um deles é diminuir o consumo de substâncias estimulantes, como cafeína e chocolate”, diz o dr. Sérgio.

Mexer o corpo

“Fazer exercícios e aprender técnicas de relaxamento também colabora bastante para manter a calma durante as crises”, sugere o dr. Márcio.

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