Casei e agora? Saiba o que muda depois do casamento

Casada há um ano, nossa editora Daniela Folloni fala sobre as dificuldades e a delicia de compartilhar um teto

Você imagina como é a vida de casada?
Foto: Getty Images

“Dani, tem um monte de gente falando para eu não casar”, me disse o Rodrigo oito meses depois de decidirmos trocar alianças. Estávamos em um barzinho e quase engasguei com o vinho.

“Meus amigos casados disseram que a vida de solteira é muito boa e quando a gente vira marido e mulher muda tudo”, entregou. “Mas muda especificamente o que?”, questionei. Afinal, mulher sempre quer fatos concretos! “Ah… tudo!”, respondeu com todo o poder de síntese que só um homem tem. “E você, o que pensa disso?”, insisti. “Quero casar do mesmo jeito”, respondeu.

Ufa! Amava o Rodrigo, não via a hora de casar com ele, mas era essencial que ele desejasse o mesmo. Obrigar um homem a subir ao altar não combina comigo. Confesso que, lá no fundinho, tinha medo das tais crises dos sete meses, sete anos e outras tantas que dizem ser inevitáveis em qualquer relacionamento. Seria melhor não mexer no namoro? Resolvemos pagar para ver.

Minha vida nunca mais foi a mesma desde que anunciamos data, hora e local do casamento, um ano antes da festa. Expectativa, vestido, nervosismo, bem-casados, emoção, presentes. Ser noiva é o máximo. O mundo passa a sorrir para você, e vice-versa. Nunca fui tão paparicada. Nunca vi tanto dinheiro saindo da conta também. A diferença é que gastei mais do que devia sem aquela culpa.

Eis que o grande dia chegou: 15 de outubro de 2005. E tudo o que foi planejado se materializou. Da decoração do salão à música do coral. Deu aquele frio na barriga, a boca secou, o coração não parou de acelerar… E, em questão de horas, ganhei um nome a mais, endereço diferente, e passei a preencher qualquer ficha marcando um X no campo “casada”. Engraçado que, até acabar a lua de mel, eu continuava me sentindo apenas namorada do Rodrigo. Por mais que aquela aliança linda brilhasse na mão esquerda, me peguei várias vezes me referindo a ele como “o meu namorado”. No entanto, bastaram algumas noites sob o nosso teto para tirar a carterinha do clube das casadas. Você vai entender por que.

O que é meu é nosso

E não estou falando apenas de dinheiro. Meu tempo livre virou dos dois. Assim como o dele. A causa é justa: como o trabalho ocupa 80% do nosso dia, queremos ficar juntos nos míseros 20%. Eu troquei as idas à academia para fazer squash com o Rô. Agora, nem sempre é fácil acordar horários e interesses. É, leitora, nada melhor que casar para entender o sentido da palavra negociar.

Nós já acertamos: continuo pondo o papo em dia com as amigas no restaurante japonês; em contrapartida, o Rô tem passe livre para ir com os dele à happy hour. Para alugar um DVD que o Fernando se recusa a assistir, a Adri foi rápida no controle remoto: “Vi O Segredo de Brokeback Montain enquanto o Fê visitava um amigo”. Mas nem sempre os acordos a dois são simples assim. Teve marido de amiga minha que já reclamou por passarem mais tempo com a família dela do que com a dele. Essa equação, convenhamos, é delicada e exige monitoração constante.

No começo, é uma delícia brincar de casinha. Comprei dezenas de jogos americanos para combinar cores diferentes a cada dia da semana. O Rô se sentia o próprio chef preparando baked potatoes. Mas até o copo de design mais incrível perde o luxo depois de ir tantas vezes para dentro da pia. Cinco meses depois, toda aquela festa de novas atribuições virou obrigação. Meu lindo foi o primeiro a pedir água. Disse que não aguentava mais chegar em casa e ter de pensar comigo no que cozinhar depois das 10 da noite. Notei que meu caso era mais grave ainda quando me peguei com raiva de tirar o lixo do banheiro e percebi que havia assumido uma lista de trabalhos caseiros muito maior que a dele.

A explicação você conhece: está no DNA feminino organizar o ninho e na genética masculina deixar por nossa conta. “Nunca se esperou que um homem cuidasse da casa”, me falou o psicoterapeuta Sócrates Nolasco, autor de O Primeiro Sexo e Outras Mentiras sobre o Segundo (Best Seller). Ou seja, não adiantaria eu aguardar que o Rô tivesse um surto de “rei do lar”. A solução? Comunicação. Sim, o diálogo é um dos melhores exercícios do casamento. Sabe o que descobri? Que o Rodrigo nem havia reparado que eu estava ficando sobrecarregada. Portanto, mesmo que eu fizesse cara feia, nunca adivinharia o motivo do meu mau humor. Ele me prometeu ficar atento e hoje nos revezamos bem nas tarefas. Sendo que boa parte delas transferimos para a Emilia, seguindo o conselho da minha mãe de ter uma empregada doméstica.

Entre quatro paredes

Casar é ter passe livre para transar onde a gente bem entender, certo? Certíssimo. Significa que viramos máquinas de fazer amor? Nããão. As oportunidades aumentam, mas isso não quer dizer que está dada a largada para uma maratona erótica. Lá em casa concordamos que, às vezes, assistir a um episódio de Lost e dormir de conchinha vale por um orgasmo.

E isso não tem nada a ver com falta de atração. Pelo contrário! Verdade que nem todo mundo ajusta facilmente os ponteiros do desejo. Diversas recém-casadas reclamam de desinteresse do marido. Se o cansaço é uma cilada a driblar para não minar o desejo, existe outra, armada pela intimidade: “Passar a viver como irmãos que usam o banheiro de porta aberta e fazem tudo na frente um do outro”, aponta a terapeuta conjugal Ana Maria Zampieri, autora de Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade (Ágora). “Isso afasta eroticamente um do outro.” Mensagem captada!

“Um bom desempenho na cama tem a ver com conhecimento”, explica a educadora sexual Laura Müller. “Saber quais são as fantasias do seu amor, os pontos sensíveis… Quem aproveita a rotina para investigar o que excita o parceiro faz ótimo proveito do casamento”.

Mês que vem completaremos um ano de casados. O tempo voou! Mas foi especial. Um está mais adaptado ao jeito de ser do outro. Nossa relação ganhou em maturidade, em profundidade. Me sinto como se estreasse um carro novo: faço cada manobra com cuidado para não provocar nenhum risquinho difícil de apagar. Cuido dele e ele de mim como se o relacionamento fosse sagrado. Até na hora das brigas há maior preocupação em não deixar mal-entendidos.

O casamento traz uma sensação gostosa de tranqüilidade. E, está provado, faz bem até para a saúde! “Sentir-se amado favorece a auto-estima e aumenta a sensação de felicidade e bem-estar”, fala a psicóloga expert em stress Ana Maria Rossi. “Tudo isso fortalece a imunidade”, completa. Sem falar que senti na pele o que é andar dez casas rumo ao amor maduro. A terapeuta conjugal Ana Maria tem uma explicação para isso que eu adoro: “O amor não acaba com o tempo, apenas se transforma. Aquele químico, responsável pelo friozinho na barriga, diminui, mas o do tipo companheirismo aumenta”. E só casando para sentir como é!

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