Chega de brigas: discutir a relação faz bem!

Sabe aquelas discussões bobas que viram uma baita crise e ameaçam o romance? Quatro casais e um psicoterapeuta dão saídas para você enxergar o problema e buscar solução

Conflitos entre o casal são comuns e devem ser discutidos
Foto: Tamara Schlesinger

É muito possível e comum que um queira sair e o outro queira ficar em casa. Do mesmo jeito que um prefere um cinema tranqüilo e o outro quer sair para dançar. O difícil e o debate aqui é como entrar em um acordo. Se você e o seu amor optam por discutir até encontrarem uma decisão boa para os dois, parabéns, vocês são adeptos da discussão saudável. “Nesse caso, a briga é considerada um bom momento de ajuste”, esclarece Luiz Cuschnir, psiquiatra e psicoterapeuta.  

Caso a alternativa de desistir ou de brigar seja a mais provável, abra os olhos antes que atritos triviais minem por completo o amor. “Existem pessoas que não vivem sem um bom embate. Um dos fatores que influenciam é o ambiente familiar. Quem cresceu com os pais brigando em casa considera normal resolver tudo dessa maneira”, explica o especialista. De qualquer forma, na maioria dos casos falta diálogo.

Para tirar o assunto a limpo, conversamos com quatro casais que viram suas pequenas rusgas se transformarem em guerra na relação. O especialista Cuschnir analisa, ainda, caso a caso e reforça como administrar os conflitos. Veja:

Quando a família controla a vida do casal

Juliana e Rafael

Horário para chegar em casa era uma das regras impostas pela família de Juliana ao namoro. No começo, Rafael queria até que a amada inventasse desculpas para que pudessem esticar as saídas. Mas isso gerava briga com o pai da moça.  A discussão era clara: ele queria passar mais tempo com ela.  E ela preferia voltar cedo. Resumo da ópera: começaram a brigar por nada. Mas ambos sabiam que o stress no namoro tinha uma causa só – e foram administrando o controle rígido da família até o dia do casamento. Os limites foram estabelecidos e, no mês que vem, o casal completa oito anos juntos.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Se um dos dois permite a interferência é porque tem alguma relação de dependência com a família, seja ela emocional ou financeira. Portanto, o outro precisa entender a importância dos pais na vida da pessoa amada. Querer romper tal vínculo pode magoá-la e fazer com que se sinta dividida. Vale frisar que, muitas vezes, comportamentos como esses são gerados porque a família não aceita aquele namoro específico. Acontece, por exemplo, quando o rapaz tem filhos, é divorciado, não transmite confiança ou não faz parte da mesma classe social. Por isso, antes de partir para a negociação, descubra o que gera a interferência. Só então estabeleça regras para que ela não atrapalhe o romance.

Quando ele implica com a melhor amiga dela

Flávia e Fábio

Flávia conheceu Tuani no primeiro ano da faculdade e logo as duas descobriram afinidades. Em pouco tempo se tornaram amigas inseparáveis. Fábio ficou incomodado. “Quando ele soube que a Tuani tinha traído um ex, passou a implicar”, lembra Flávia. Já ele diz que o xis da questão é outro: “Apesar de estar solteira, a amiga vive dando palpites no nosso relacionamento. Desse jeito, influencia totalmente a Flávia e ainda fica tentando arranjar outro namorado para ela”. Ele concorda que é importante cultivar as amizades, mas acha que a amada não deveria comentar tanto com os outros os detalhes da vida amorosa. Uma conversa franca se fez necessária. “Colocamos tudo em pratos limpos e assumimos nossos erros”, explica Flávia. “A partir daí, tiramos lições valiosas das discussões – e a relação sempre melhora depois delas”. Fábio concorda. Tanto que chegaram a um meio termo. Ele procura não colocar o dedo na ferida ao comentar sobre Tuani. Ela diminuiu as saídas com a amiga.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

A melhor coisa é não insistir em aproximar seu namorado de uma amiga se ambos não se gostam. Nesse caso, o mais indicado é deixar que se conheçam de maneira natural. Quem sabe não desfazem a má impressão que um tem do outro durante esse processo? A parte fundamental: evite fazer comentários sobre ela para seu parceiro e vice versa. Afinal, se não se dão bem, por que gostariam de ouvir tais coisas?

Quando ela só trabalha e não tem tempo para o namorado

Daniela e Kléber

Depois de se formar em pedagogia, há um ano e meio, Daniela decidiu abrir com o namorado um espaço de recreação infantil em um shopping. “O Kléber cuida da parte administrativa e eu faço todo o resto”, conta ela. “Trabalho das 10 da manhã às 10 da noite, inclusive nos fins de semana. Como ele fica até as 17 horas, depois quer sair para jantar, ir ao cinema, e eu estou sempre cansada” O resultado? As discussões não demoraram a aparecer. Outra questão começou a incomodar: “Ela não se arrumava mais como antigamente”, diz ele. Antes que o problema virasse uma bola de neve, Daniela decidiu mudar. “Organizei as minhas atividades para poder tirar folgas e dias de férias. Voltei a me cuidar mais também”, explica ela.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Você pode amar seu trabalho, mas precisa criar espaço dentro dessa rotina para o namorado. Ou corre o risco de perdê-lo. Gerenciar melhor o tempo para poder se dedicar única e exclusivamente ao amado de vez em quando é uma saída. Outra é garantir que os momentos a dois sejam ótimos, tenham qualidade – inclui não falar de trabalho, ok?

Quando ele fica caseiro até demais

Ana e Ricardo

Quando começou a namorar Ana, Ricardo morava com amigos. Depois de três meses de relacionamento, ele decidiu alugar um apartamento para poder ficar sozinho com a amada. “Eu sempre abria mão de sair com minha turma porque queria me dedicar só a ela”, explica. Já Ana pensa diferente. “Sempre fui agitada e não deixo de sair com as amigas. O problema era que ele sempre queria ficar comigo em casa e dizia que eu não valorizava nosso tempo juntos.” Para incentivar o amado a se divertir, Bia ressaltava: “Queria que aproveitasse a liberdade que dou. Tem mulher que nem aceita quando o namorado quer jogar futebol!” A estratégia deu certo. Ricardo voltou a sair e ela reservou o sábado e o domingo só pra ele.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Para chegar a um acordo, é preciso ceder. Mas com a certeza de que você realmente quer abrir mão da liberdade em determinados momentos. Se a resposta for sim, deve investigar melhor os motivos pelos quais seu namorado ficou mais caseiro. Pode ser que ele prefira economizar, não deseje dividir sua atenção, não tenha intimidade com a sua turma. No último caso, convidar seus amigos para jantar em casa é uma forma de integrá-los.

 

 

como entrar em um acordo. Se você e o seu amor optam por discutir até encontrarem uma decisão boa para os dois, parabéns, vocês são adeptos da discussão saudável. “Nesse caso, a briga é considerada um bom momento de ajuste”, esclarece Luiz Cuschnir, psiquiatra e psicoterapeuta.  

Caso a alternativa de desistir ou de brigar seja a mais provável, abra os olhos antes que atritos triviais minem por completo o amor. “Existem pessoas que não vivem sem um bom embate. Um dos fatores que influenciam é o ambiente familiar. Quem cresceu com os pais brigando em casa considera normal resolver tudo dessa maneira”, explica o especialista. De qualquer forma, na maioria dos casos falta diálogo.

Para tirar o assunto a limpo, conversamos com quatro casais que viram suas pequenas rusgas se transformarem em guerra na relação. O especialista Cuschnir analisa, ainda, caso a caso e reforça como administrar os conflitos. Veja:

Quando a família controla a vida do casal

Juliana e Rafael

Horário para chegar em casa era uma das regras impostas pela família de Juliana ao namoro. No começo, Rafael queria até que a amada inventasse desculpas para que pudessem esticar as saídas. Mas isso gerava briga com o pai da moça.  A discussão era clara: ele queria passar mais tempo com ela.  E ela preferia voltar cedo. Resumo da ópera: começaram a brigar por nada. Mas ambos sabiam que o stress no namoro tinha uma causa só – e foram administrando o controle rígido da família até o dia do casamento. Os limites foram estabelecidos e, no mês que vem, o casal completa oito anos juntos.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Se um dos dois permite a interferência é porque tem alguma relação de dependência com a família, seja ela emocional ou financeira. Portanto, o outro precisa entender a importância dos pais na vida da pessoa amada. Querer romper tal vínculo pode magoá-la e fazer com que se sinta dividida. Vale frisar que, muitas vezes, comportamentos como esses são gerados porque a família não aceita aquele namoro específico. Acontece, por exemplo, quando o rapaz tem filhos, é divorciado, não transmite confiança ou não faz parte da mesma classe social. Por isso, antes de partir para a negociação, descubra o que gera a interferência. Só então estabeleça regras para que ela não atrapalhe o romance.

Quando ele implica com a melhor amiga dela

Flávia e Fábio

Flávia conheceu Tuani no primeiro ano da faculdade e logo as duas descobriram afinidades. Em pouco tempo se tornaram amigas inseparáveis. Fábio ficou incomodado. “Quando ele soube que a Tuani tinha traído um ex, passou a implicar”, lembra Flávia. Já ele diz que o xis da questão é outro: “Apesar de estar solteira, a amiga vive dando palpites no nosso relacionamento. Desse jeito, influencia totalmente a Flávia e ainda fica tentando arranjar outro namorado para ela”. Ele concorda que é importante cultivar as amizades, mas acha que a amada não deveria comentar tanto com os outros os detalhes da vida amorosa. Uma conversa franca se fez necessária. “Colocamos tudo em pratos limpos e assumimos nossos erros”, explica Flávia. “A partir daí, tiramos lições valiosas das discussões – e a relação sempre melhora depois delas.” Fábio concorda. Tanto que chegaram a um meio-termo. Ele procura não colocar o dedo na ferida ao comentar sobre Tuani. Ela diminuiu as saídas com a amiga.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

A melhor coisa é não insistir em aproximar seu namorado de uma amiga se ambos não se gostam. Nesse caso, o mais indicado é deixar que se conheçam de maneira natural. Quem sabe não desfazem a má impressão que um tem do outro durante esse processo? A parte fundamental: evite fazer comentários sobre ela para seu parceiro e vice versa. Afinal, se não se dão bem, por que gostariam de ouvir tais coisas?

Quando ela só trabalha e não tem tempo para o namorado

Daniela e Kléber

Depois de se formar em pedagogia, há um ano e meio, Daniela decidiu abrir com o namorado um espaço de recreação infantil em um shopping. “O Kléber cuida da parte administrativa e eu faço todo o resto”, conta ela. “Trabalho das 10 da manhã às 10 da noite, inclusive nos fins de semana. Como ele fica até as 17 horas, depois quer sair para jantar, ir ao cinema, e eu estou sempre cansada” O resultado? As discussões não demoraram a aparecer. Outra questão começou a incomodar: “Ela não se arrumava mais como antigamente”, diz ele. Antes que o problema virasse uma bola de neve, Daniela decidiu mudar. “Organizei as minhas atividades para poder tirar folgas e dias de férias. Voltei a me cuidar mais também”, explica ela.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Você pode amar seu trabalho, mas precisa criar espaço dentro dessa rotina para o namorado. Ou corre o risco de perdê-lo. Gerenciar melhor o tempo para poder se dedicar única e exclusivamente ao amado de vez em quando é uma saída. Outra é garantir que os momentos a dois sejam ótimos, tenham qualidade – inclui não falar de trabalho, ok?

Quando ele fica caseiro até demais

Ana e Ricardo

Quando começou a namorar Ana, Ricardo morava com amigos. Depois de três meses de relacionamento, ele decidiu alugar um apartamento para poder ficar sozinho com a amada. “Eu sempre abria mão de sair com minha turma porque queria me dedicar só a ela”, explica. Já Ana pensa diferente. “Sempre fui agitada e não deixo de sair com as amigas. O problema era que ele sempre queria ficar comigo em casa e dizia que eu não valorizava nosso tempo juntos.” Para incentivar o amado a se divertir, Bia ressaltava: “Queria que aproveitasse a liberdade que dou. Tem mulher que nem aceita quando o namorado quer jogar futebol!” A estratégia deu certo. Ricardo voltou a sair e ela reservou o sábado e o domingo só pra ele.

A AVALIAÇÃO DO TERAPEUTA

Para chegar a um acordo, é preciso ceder. Mas com a certeza de que você realmente quer abrir mão da liberdade em determinados momentos. Se a resposta for sim, deve investigar melhor os motivos pelos quais seu namorado ficou mais caseiro. Pode ser que ele prefira economizar, não deseje dividir sua atenção, não tenha intimidade com a sua turma. No último caso, convidar seus amigos para jantar em casa é uma forma de integrá-los.

 

 

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