Você pode ser vítima de filme pornô, atenção!

O homem que você acabou de conhecer talvez esteja na gangue dos que andam filmando mulheres durante a transa. E o pior: esse clube de cafajestes não para de crescer

Todo cuidado é pouco para você não virar uma estrela pornô sem saber
Foto: Getty Images

Você acha que encontrou um cara bacana e o tal grava os momentos mágicos que passaram juntos e exibe sem pudor sua intimidade aos amigos. Pior: qualquer mulher solteira corre o risco de topar com um fulano assim. O que fazer? Pedimos a uma psicóloga que explicasse o que move um cafajeste desses, mostramos a dimensão que um vídeo clandestino pode ganhar na internet, indicamos as atitudes espertas para jamais cair em roubada igual. Além disso, um delegado e um advogado contam quais providências tomar se você for vítima.

Diretor de filme pornô em pele de príncipe encantado

“Vangloriar-se das experiências sexuais é um comportamento masculino antigo”, analisa Rosa Avello, psicoterapeuta com especialização em sexualidade humana pelo Instituto Sedes Sapientiae. “Faz parte da necessidade de autoafirmação do adolescente. Adolescente, sim. Embora a idade dos rapazes não permita classificá-los como tal, essa fase tem, nas últimas décadas, se prolongado até perto dos 30 anos. O que chama a atenção é o fato de se empenharem em produzir uma ‘prova’ que ateste a veracidade da bravata.” Não basta insinuar “Sou bom de cama”, é preciso mostrar.

Na opinião da expert, esse comportamento também reflete a atitude individualista recorrente hoje, a dificuldade de estabelecer relacionamentos éticos, o exibicionismo tão enaltecido e estimulado pelos reality shows. É, o rapaz quer ficar famoso e extrapola. “Essa postura, tem tudo a ver com a cultura corporativa atual, que vem determinando os padrões de conduta”, opina Rosa. “Pense comigo: passamos mais da metade do dia no trabalho, onde o cenário é ultracompetitivo e o que tem valor é o lucro e a liderança. Ganha pontos quem produz resultados que podem ser repetidos, avaliados e comparados”, fala a psicoterapeuta, lembrando que esses rapazes certamente buscam, com a tecnologia, submeter seus feitos à aprovação dos outros! Rosa continua: “E, quanto mais ousada for a experiência sexual gravada ou fotografada, mais valor tem no ‘mercado’, porque evidencia a destreza e o domínio do autor nos ‘negócios da cama'”.

O pior é que eles encaram a iniciativa de filmar e fotografar cenas tão íntimas, sem o consentimento da outra parte, como “brincadeira”. Eduardo, 27 anos, confessa que já cansou de ter transas pós-balada filmadas por amigos. “A intenção era assistir e dar risada. Depois a gente apagava, pois perdia a graça. A maioria dos caras que eu conheço já fez isso. E muitas vezes as garotas sacavam, mas nunca fizeram nada”, conta. Eduardo só se arrependeu da “brincadeira” no dia em que um colega perdeu uma gravação dele recebendo sexo oral de uma garota. “Pode ser que hoje eu seja astro pornô e nem saiba”, fala, meio bravo. Trocando em miúdos, quando a pimenta era nos olhos das moças, ele não se incomodava. Mas quando caiu nos dele…

Orgasmo online para quem quiser assistir

Se ter momentos íntimos gravados sem o consentimento da garota e exibidos já é suficientemente humilhante, imagine se o vídeo cai na internet! Em 2005, uma mãe carioca denunciou ao Ministério Público que sua filha, menor, sofreu esse tipo de exposição na internet. A notícia foi parar na tevê, e o “vídeo do Klaus” ganhou notoriedade mundial. No filme, um garoto aparece no quarto do primo transando com a menina e acenando para a câmera. O vídeo vazou depois que algum amigo o disponibilizou na rede. O que aconteceu com ela? Mudou de cidade para fugir do constrangimento. A BBB9 Maíra Cardi também evita comentar o auê criado por causa de imagens gravadas de celular no passado, em que ela fazia sexo oral no ex-marido (seu noivo na época). Ela conta que o aparelho foi roubado e o arquivo, divulgado via e-mail. No vídeo, a fonoaudióloga olha para a câmera e diz: “O que você está fazendo? Você não está filmando não, né?”

“Esse comportamento masculino de divulgar cenas de sexo existe há tempos”, diz o delegado José Mariano de Araújo Filho, da Delegacia de Delitos por Meio Eletrônico de São Paulo. “No entanto, a sensação de anonimato que a internet cria potencializa a possibilidade de acontecer.” Antes, era preciso revelar as fotos, fazer cópias e distribuí-las. Hoje, a informação dá a volta ao mundo em minutos! Existem até sites em que é permitido postar vídeos de sexo explícito – os famosos PornTube.com e YouPorn. Especialistas acreditam que não sejam poucas as “estrelas pornôs” amadoras a cair ali sem saber.

Luz, câmera, punição

Não custa repetir: divulgar imagens íntimas sem consentimento é crime contra a honra. Se alguém – uma conhecida em comum, por exemplo – topar testemunhar que o sacana andou mostrando um vídeo de vocês transando, dá para levar o caso ao tribunal e conseguir uma indenização, assim como se ele postar na rede. Alexandre Atheniense, advogado especializado em internet, cuida de pelo menos dez casos desse tipo por mês e explica por que se ouve falar pouco sobre isso: “É um assunto delicado, e a maioria das vítimas deseja apenas tentar tirar o conteúdo ofensivo do ar, o que pode ser feito rapidamente e sem nenhuma ação judicial. Mais difícil é investigar a autoria da violação e requerer punição. Poucas optam por esse processo”, diz. De qualquer maneira, o conselho dele e do delegado José Mariano é, antes de mais nada, procurar um advogado. “Para tentar minimizar os danos, exigindo dos provedores que tirem o conteúdo da rede, e orientar sobre quais outras providências tomar”, orienta o dr. Mariano.

Apagado o incêndio, é hora de decidir ir ou não à Justiça. As ações possíveis são de dois tipos: penal e civil. A primeira visa responsabilizar criminalmente quem exibiu ilegalmente as imagens. E, desde que não existam outros crimes relacionados (como ameaça), as penas mais prováveis são as alternativas (pagamento de cestas básicas, por exemplo). “Mas conseguir provas de que o e-mail com as fotografias da vítima nua foi enviado intencionalmente por um rapaz é difícil e algumas vezes não se consegue”, reconhece o advogado especializado em propriedade intelectual Carlos Eduardo Aboim, do Rio de Janeiro. Já a segunda ação requer que o responsável indenize a vítima. “Esse tipo de conduta é considerado extremamente ofensivo e imoral do ponto de vista cível”, reforça o dr. Aboim.

Longe dos flashes humilhantes – veja como escapar:

Escolher território neutro
Você conheceu o cara, a química foi instantânea e querem terminar o primeiro encontro entre os lençóis. Melhor do que ir apagar todo esse fogo no território dele é procurar um ambiente neutro, como o motel. Até a sua casa é mais segura.

Manter os pés no chão
Acha que o tal é bacana, mas ainda não tem certeza? Nada de exagerar na bebida ou dormir nos braços dele. Assim, não corre o risco de ser fotografada nua na cama com a câmera do celular.

Apagar a luz
Parece bobagem, mas o escuro ajuda a impedir que câmeras comuns sejam usadas. Além disso, estranhe se ele insistir para que os amassos quentes ou a transa rolem em algum ponto específico do quarto. Por acaso tem algum computador ou armário entreaberto? Lá pode estar a câmera que vai fazer você se arrepender de ter dado bola a esse sujeito.

Namorar, namorar
“Hoje, ninguém quer perder tempo, tudo é urgente. Isso tem consequências”, alerta a psicoterapeuta Rosa Avello. “É importante conhecer o caráter do rapaz para descobrir que tipo de relação ele tem em mente”, diz. “Não dá para acertar o alvo com os olhos fechados.”

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