Dilemas de uma mulher moderna ao se casar

Tudo bem se a gente se fizer algumas perguntas além de “ele é o homem da minha vida?”, né?

O final feliz de todo conto de fadas e de muitos filmes românticos termina com um pedido de casamento e/ou com uma grande festa de núpcias. Mesmo que em tempos modernos ter um relacionamento estável nada tenha a ver com casar no papel e/ou na igreja, muitas de nós seguimos sonhando e embarcando nessa aventura. Mas nas últimas décadas o significado do casamento mudou. “As mulheres hoje querem uma relação de troca e não de dependência. Somos mais seguras pelos vários papéis que desempenhamos na sociedade”, diz a psicóloga Gabriela Casellato, doutora em psicologia clínica, de São Paulo. A gente busca satisfações no matrimônio diferentes das que a geração das nossas avós buscavam. Mas, ainda assim, queremos casar, ué. Parece contraditório? Não mesmo.

Se você faz parte do time que tem o último lançamento de chick lit dividindo espaço com um livro da Simone de Beauvoir na cabeceira ao lado da cama vai se deparar com algumas questões práticas. Sim, dá pra ser apaixonada e ser racional. A geração que se prepara para casar quer contrariar as estatísticas — na última década, o número de divórcios no Brasil cresceu mais de 160%, segundo o IBGE — e a melhor forma de fazer isso é refletindo sobre cada consequência desse passo. Das emocionais às legais. “É que nem médico: a gente não vai fazer consultas de prevenção? É para fazer o mesmo com seu advogado”, diz a advogada Ligia Bertaggia, do escritório Braga Nascimento e Zilio Advogados Associados, em São Paulo.

O importante é, ao lado do parceiro, construir um relacionamento saudável e equilibrado. “Casamento é a arte de fazer acordos. Uma vez feito, tem que ser cumprido ou ser renegociado. Esse costume do diálogo tem que ser elaborado, de preferência antes de casar, porque daí os dois entram na relação já sabendo exatamente qual é a parte de cada um”, diz a coach de relacionamentos Cátia Damasceno, idealizadora do Programa Mulheres Bem Resolvidas, de Brasília. No fim, vale a pena. “Casar é maravilhoso! Se não fosse bom, não tinha tanta gente querendo casar. Mas tem que lutar e conversar para ser uma união gostosa, não um cabo de guerra.” Bora começar a construir o relacionamento que você merece.

 

1. Porque se casar legalmente?

Aqui, cabem dois tipos de resposta. A primeira é emocional: não é uma regra, mas a tendência é que, se o sentimento é forte o suficiente que se assuma um compromisso. isso pesa na hora de resolver eventuais crises. “O pensamento é de que, se casou, vamos fazer de tudo para dar certo. Claro que, se tentou do A ao Z e não deu, a prioridade tem que ser sempre ser feliz, junto ou separado”, diz Cátia Damasceno. A outra resposta é legal. “Diferentemente da união estável — que pode ou não ter um documento oficial —, no casamento, o estado civil da pessoa muda”, afirma a advogada. O peso da formalidade ainda é importante para muita gente.

 

2. Ao casar no civil, o que se deve levar em conta na hora de escolher o regime de divisão de bens?

O regime legal e automático é o da comunhão parcial de bens: aqueles adquiridos durante o casamento são direito dos dois — só não entram doações e heranças. Há também os regimes de separação total e comunhão total. “Não tem um melhor ou um pior, cada caso vai pedir um regramento. O mais importante é antes de casar consultar um advogado para ver qual o melhor regime para você”, diz Ligia. Nesse caso, informação é poder, segurança e patrimônio. Por isso é muito importante consultar um advogado antes. E só topar o regime que te deixar realmente mais segura e confortável.

 

3. Devo mudar meu sobrenome?

As mulheres estão cada vez menos adicionando o sobrenome do marido — o que era muito comum décadas atrás perdeu espaço tanto por causa da burocracia quanto pela questão atual da independência feminina. Uma nova onda que se observa é de casais que trocam o sobrenome mutuamente, criando uma unidade familiar com nome próprio. Em qualquer caso de mudança, a parte legal é a mesma. “Nossa legislação permite o acréscimo, seja pelo homem, seja pela mulher, seja no relacionamento homossexual. Ao optar pela mudança, é necessário a troca de todos os documentos”, afirma Ligia. Para qualquer divergência, a certidão de casamento é o documento que unifica.

 

4. Será que vou ter desejo sexua só por essa pessoa pra sempre?

Não. Primeiro que Cauã Reymond e Rodrigo Hilbert estão aí exibindo o tanquinho na TV. Depois tem uma questão científica. “Uma paixão leva de dois a três anos para passar. Depois ela se transforma em amor. E a gente sabe que quando se está apaixonado a vontade é maior e o desejo é mais inerente e forte”, afirma Cátia. O tesão louco do começo deve passar. E cabe a vocês dois manter o desejo em alta. Como? Com ações e com todas as inspirações que sempre damos nas matérias de sexo e romance da COSMO.

 

5. Como garantir a igualdade em um casamento?

Ninguém quer casar para virar mãe de marmanjo. Uma vida equilibrada passa por dividir bem a vida a dois. E ninguém merece ter de virar a mulher que está sempre cobrando o parceiro, né? Para que isso não ocorra, é preciso bons acordos. “A gente vai identificando o que um gosta de fazer. Em algum momento, os dois vão ter de fazer coisas de que não gostam, casamento é isso. Não é um cabo de guerra, mas sim até que ponto estamos dispostos a ceder por amor pelo outro”, diz Cátia. Assim, se você adora ir ao supermercado mas detesta lavar roupa e o boy prefere passar bem longe de um carrinho de compras, pode ser dele a função de colocar a máquina de lavar pra funcionar. O importante é ninguém se sentir explorado nem sobrecarregado.

 

6. Em que momentos devemos falar sobre ter filhos?

O mais cedo possível. Ninguém está falando para escolher o nome das crianças no primeiro encontro, mas o assunto deve ser debatido quando a relação ficar mais séria. “Quando você começa a pensar em construir uma vida a dois, isso implica saber como o outro pensa e quais são seus valores. E nessas conversas entra também dividir seus planos para o futuro, inclusive se você quer filhos”, diz Gabriela. O papo não precisa ser definitivo, mas, se você faz questão de expandir a família ou já sabe com certeza que não quer bebês em casa, é melhor deixar claro. Assim, um dá a chance para o outro decidir se quer abrir mão do projeto ou não. Quanto mais aberta a comunicação for, mais fácil se adaptar.

 

7. Preciso ter certeza de que é pra sempre?

Como já foi dito: divórcio é uma possibilidade real e uma conquista. E deve ser buscado quando o relacionamento chega ao esgotamento máximo. Uma geração formada por muitos filhos de pais separados sabe que essa opção existe. Mas só estar apaixonado não é recomendável para dar um passo importante como o casamento. Cátia Damasceno propõe uma reflexão prática: “Como você se imagina com essa pessoa daqui a um ano, cinco anos e dez anos? Se consegue se imaginar feliz daqui a uma década, vale investir porque tem tudo para dar certo. Agora, se aparecer uma dúvida, acho que é melhor parar e pensar mais um pouquinho”.

 

8. Como vou manter a individualidade depois de casar?

Com o casamento, passa-se a conviver na mesma casa, ter a mesma rotina, e rola uma interseção de gostos e hábitos. Mas é importante continuar sendo você mesma. “Dentro do relacionamento, tem que ter o dia do casal, mas também tem que ter o só seu. Nós não somos grudados um no outro, esse momento de respiro é até saudável para o relacionamento”, afirma Cátia. Manter suas amizades, seus objetivos profissionais e valorizar seus gostos pessoais e voz dentro do casal é importantíssimo. Assim como escolher bem com quem vai dividir a vida. “Não adianta a mulher querer ser independente e casar com um homem que não queira que ela seja assim. Mais do que tudo, a escolha do parceiro tem a ver com compartilhar valores e formas de pensar, que vai ajudar na sustentação de um modelo de relacionamento de intimidade e também de uma autonomia”, afirma Gabriela. Isso passa pela questão financeira, mas também pelas escolhas de vida, pelo equilíbrio entre o lado pessoal e o profissional, entre sair com as amigas mesmo casada, enfim, várias outras questões que envolvem essa independência. “Comunicação é muito importante nesse sentido, busque expressar o que espera dessa relação, sem achar que você vai convencer ou mudar o parceiro com o passar do tempo”, completa a psicóloga. Casar não é se apoderar do outro nem abrir mão das suas prioridades. Com acordos dá para o espaço de cada um ser respeitado.

 

9. Ok, não vai ser um conto de fadas, mas para quais surpresas devo me preparar?

Os contos de fadas da Disney terminam quando a história de verdade está começando. O “sim” podia até ser substituído por um “valendo”. “Agora é que a vida a dois começa de verdade. Tem que ter muita criatividade, amor, paciência e resiliência para saber quais decisões tomar. Quando casamos, temos que entender que não é o nosso jeito que é o certo”, diz Cátia. Duas pessoas vão ter maneiras diferentes de encarar a vida. Existe um estudo que diz que quando a gente se casa só conhece 20% do parceiro; os outros 80% vamos descobrir a partir da convivência. É como um ditado da época das nossas avós: você só conhece alguém depois de comer um quilo de sal juntos. E é mais gostoso digerir em doses pequenas e duradouras do que tudo de uma vez. E com muito amor.

 

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