7 séries de tevê que combateram a cultura do estupro

Personagens poderosas para nos fazer pensar e questionar os padrões com que vivemos

De Carrie Bradshaw à Hannah Horvath, o mundo mudou bastante – e ainda bem. O movimento feminista ganhou mais força nos últimos anos e não é raro hoje que filmes e séries de tevê tentem retratar mulheres mais empoderadas e tridimensionais. Mas, quando se trata de cultura do estupro, um assunto tão problemático quanto importante, não são todas que acertam o tom da discussão. Estas sete séries, no entanto, têm poder para nos fazer refletir sobre ideias enraizadas que alimentam a violência contra a mulher. Vem saber.

 

Jessica Jones

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Jessica Jones tem muitos acertos quando o assunto é cultura do estupro. Primeiro por não retratá-la de maneira impotente diante do trauma psicológico e não permitir que um evento definitivamente marcante e irreversível defina sua identidade. Mas essa talvez seja a parte fácil, já que se trata de uma heroína, de uma mulher que combate o crime. O que vem a seguir é então mais surpreendente: a série não foge de mostrar que o responsável é Kilgrave (David Tennant), um homem com quem Jessica (Krysten Ritter) se relacionava, e nem falha ao exibir o poder que ele exerce sobre seu psicológico. Praticamente um guia para identificar relações abusivas.

 

Private Practice

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O estupro de Charlotte em seu escritório no hospital, por um sujeito desconhecido, é terrivelmente difícil de assistir, mas a série executa bem no desenvolvimento e demonstra como estupro nada tem a ver com sexo, mas com poder. Foi uma agressão com o propósito de subjugar uma mulher que pediu a um homem para não atrapalhar o atendimento do dia. Charlotte (KaDee Strickland) tem uma jornada difícil de recuperação, não quer admitir o ocorrido para o namorado, mas conta com a sororidade e a ajuda de Violet (Amy Brenneman), que sobreviveu também a um estupro durante a faculdade.

 

That’ 70s Show

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A comédia não toca em assuntos tão doloridos, mas não erra na desconstrução de ideias que alimentam a violência. Por se passar nos anos 70, a trama insiste repetidamente em discutir o feminismo e Donna (Laura Prepon) não tem medo de repreender o namorado, amigos e até a amiga Jackie (Mila Kunis) quando ela é machista. Donna também chama as atitudes pelo que elas são: não suporta ser objetificada, não aceita ser considerada menos mulher por não usar roupas tão “femininas” quanto Jackie e conversa abertamente com Eric sobre o que ela consente ou não sexualmente quando eles começam a ficar mais íntimos.

 

Veronica Mars

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O estupro de Veronica (Kristen Bell) é o ponto de partida da série, que nunca abriu mão da trama ou de caracterizar o peso do ocorrido nas motivações da investigadora teen. A representação também foi ousada para a época e por ser um programa adolescente: Veronica é estuprada pelo cara com quem estava saindo, que coloca drogas em sua bebida e a faz perder a consciência. Ela passar a série toda buscando pelo estuprador e por justiça – o que consegue no episódio final – sem nunca se culpar pelo estupro, o que é um alívio de assistir. 

 

Top of the Lake

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A série corajosamente mostra como a cultura do estupro paraliza e rouba mulheres do seu poder de escolha ao mostrar Robin (Elizabeth Moss), uma sobrevivente de estupro coletivo que investiga o desaparecimento de Tui, uma adolescente grávida em decorrência de estupro também em uma cidade onde predomina o machismo. Empoderada, Robin é questionada repetidamente pela comunidade se seria lésbica, feminista ou menos mulher por ser agente de ações estabelecidas na vontade própria. Incrível.

 

The Fall

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Maravilhosa, Gillian Anderson vive a indiscutivelmente competente investigadora Stella Gibson, que busca um serial killer que ataca mulheres jovens e bem-sucedidas na região de Belfast, Irlanda do Norte. Mas esqueça esta trama, que por si só, já é um bom motivo para assisti-la. Stella é do tipo de personagem que não faz discursos, muito comum em séries-produto para mulheres. Seus argumentos empoderadores perfazem as conversas naturalmente e nos lembram porque não julgar uma mulher pela maneira como ela se veste – e não considerá-la merecedora de violência por isso – deveria ser um pensamento natural.

 

Orange is the New Black

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Atualmente, é a série com o melhor retrato da cultura do estupro e, ao mesmo tempo, resistência contra ela. Durante a terceira temporada, Pennsatucky (Taryn Manning) e o novo guarda Coates (James McMenamim) desenvolvem um relacionamento doce, que evoluiu para um inesperado estupro. E, apesar de traumatizada, a detenta ainda luta para entender que não foi sua culpa. Na quarta temporada, vimos mais: a série ousou retratar que a cultura do estupro enraizada também prejudica a resolução dos sentimentos após o ato, já que Pennsatucky não sabe se deve ou não perdoar Coates.

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