Andreia Horta: a mais nova queridinha das novelas

Discreta, a atriz mineira de 31 anos virou tendência sem querer: o corte de cabelo, o batom, a jaqueta de couro...A seguir, ela conta como está lidando com tudo que a novela Império lhe trouxe

“Não tenho essa vaidade de querer ser mais do que o meu trabalho”, conta Andreia
Foto: G.Prado

Extremamente low profile, daquele tipo que não gosta m-e-s-m-o de aparecer mais que sua personagem, Maria Clara, Andreia Horta virou, meio sem querer, uma mulher tendência. “Fiquei superfeliz quando soube que o cabelo na novela Império estava fazendo sucesso. A gente não imita nada de alguém por quem não tem um mínimo de admiração, né?”, diz ela, mas ainda sem sentir o peso disso. “Faz dois meses só que a novela está no ar, não estou percebendo tanto o assédio. Se bem que em aeroportos e restaurantes as pessoas me olham mais agora.” E ela morre de vergonha! “Fico vermelha, abaixo a cabeça, meu coração dispara. Ainda não me acostumei.” Calma, Andréia, você vai ter muito tempo para isso.

Você não liga de mudar o look para seus personagens, né? A cada papel, seu cabelo está diferente…
Eu sempre fui do cabelo curto. Aos 14 anos, cortei estilo Elis Regina, bem joãozinho. Usei minha adolescência inteira. Era diferente, porque é uma coisa meio de adolescente ter cabelão, né? O meu nunca passou do ombro. Todas as vezes que apareci de cabelão era mega-hair.

E como você fazia para se sentir feminina, sensual?
Nunca fui muito ligada nisso de sensualidade. Quando fiz Alice [personagem na série homônima da HBO, em 2008], me disseram que eu precisava trabalhar minha feminilidade. Tive que treinar bastante, porque na minha vida isso nunca foi o foco. Se eu ficar pensando “Preciso ser feminina hoje”, vou tropeçar, cair, não vai dar certo. Quando assisti ao resultado na TV, pensei: olha, isso é bonito, é interessante. Mas tenho que ver de fora para notar. Estou sendo terrivelmente sincera. Acho que deveria me glamourizar mais para as pessoas gostarem de mim, né? [Risos.]

Mesmo assim você virou um ícone de estilo. Isso te espanta?
Minha personagem tem um figurino desejo. São roupas com corte bom, marcas incríveis. Também me deixa superfeliz a história de o cabelo estar entre os mais pedidos. Especialmente porque ninguém vai querer imitar o look de uma pessoa mau-caráter, de alguém que não acha legal.

Andreia Horta: a mais nova queridinha das novelas

Andreia com o comentado look de sua personagem em Império
Foto: Divulgação/ Rede Globo

Muda a vida estar no horário nobre? Faz pouco tempo que estreou a novela.
Por enquanto, não mudou muito. Mas percebo que, em aeroportos, shoppings, restaurantes, por exemplo, as pessoas me olham muito mais. Antes não reparavam, agora comentam — e isso é novo pra mim. Não me acostumei ainda, viu? Fico com vergonha. E é muuuita vergonha! Abaixo a cabeça, sinto meu rosto queimar, meu coração acelera. Isso não é legal [risos]. Muitas vezes sou tímida, principalmente em locais em que não conheço ninguém. Preciso me sentir à vontade no ambiente para me soltar.

Você parece bem low profile.
Nunca me autopromovi, nunca quis ficar aparecendo, sabe?
Sempre gostei que o que se destacasse fossem as personagens. Acho mais saudável para minha carreira também, porque as pessoas vão ter referência da minha atuação, e não de mim mesma. Não tenho essa vaidade de querer ser mais do que o meu trabalho. Por isso escolho bem os lugares que frequento e a maneira como me comporto…

Você saiu de Juiz de Fora (MG) para se aventurar em São Paulo antes de completar 18 anos. De onde veio essa vontade?
Aos 17, chegou a hora de fazer faculdade. Em minha cidade não tinha artes cênicas e era isso que eu queria fazer da vida. Então, me mudei pra São Paulo — meu pai já morava lá. Sempre fui muito decidida. Foram seis anos de estudo e teatro. Teve um momento em que eu queria fazer um trabalho artístico que não custasse nada, porque eu não tinha dinheiro, mas que me desse um retorno. E costumava escrever bastante. Reuni tudo em um livro de poesias, Humana Flor, e lancei de forma independente. Eu mesma ia pra rua vender. Consegui viver desse livro por um tempo.

Você passa a impressão de que é daquelas pessoas que pensam muito, que sempre têm algo martelando na cabeça.
Sou assim mesmo. Rola muita coisa na minha mente. Às vezes, dá vontade de baixar um pouco o volume, sabe? Volume 1! Todas as vozes: fiquem quietas um pouco! Silêncio dentro da minha cabeça! [Risos.]

O que tira seu sono?
Injustiça. Pessoas que inventam mentiras, que tratam levianamente algo que foi dito ou feito, que gritam com as outras… Ninguém gosta disso, claro. Mas eu fico muito mexida — e brava. Eu choro, fico triste, porque nada para mim é em vão. Eu não ignoro nada, escuto, vejo. Ando tentando relativizar, porque sei que, no fim, essas coisas não valem a pena. Mas me dá um trabalhão.

 

Andreia Horta: a mais nova queridinha das novelas

Andreia nunca sonhou em casar de véu e grinalda. Ter filhos? “Acho saudável considerar o ‘não'”, diz
Foto: G.Prado

Conta algo sobre você que surpreenderia as pessoas.
Minha família sempre me achou muito engraçada. Eles riem de mim. Não sei se sou mesmo, mas eles acham. Sou a mais velha e a única mulher. Tenho um irmão três anos e meio mais novo e um, por parte de pai, dez anos mais novo. Sou a típica irmã mais velha, superprotetora, quero dar palpite. Sempre convivi muito com o do meio. Era a defensora dele, protegia daquele jeito: mesmo menor que os moleques, se mexiam com ele, tinham que se ver comigo.

Que tipo de amiga você é?
Tenho poucos amigos, mas fiéis. Sou a que manda a real, que diz o que as pessoas sabem que deve ser dito, mas não falam. Fico com essa parte difícil — e com muito amor. Não sou política. Sou sincera. Se não acho legal, não finjo. Não fico empurrando um problema. Vou e resolvo.

Você disse que nunca perdoaria uma traição.
Queria trocar por “depende”… Não, pensando bem, é “nunca” mesmo. Para uma traição, não se trata de ter perdão ou não. Todo mundo tem direito de escolha, há sempre o momento em que é possível ir embora, desistir. Se a pessoa decide viver aquilo, não faz sentido pedir perdão depois. Mas acho que, sim, possível um casal decidir continuar junto após uma traição. Só que sempre vai existir um nó na garganta. Perdoar é esquecer, e acho que não se esquece uma traição.

Você comentou recentemente que nunca sonhou em casar de véu e grinalda. De onde vem esse lado não tradicional? É da família?
Não. Minhas primas todas casaram de noiva. É coisa minha mesmo. Nunca me imaginei fazendo isso. Também nunca quis um baile de debutante.

E ter filhos, você quer?
Acho saudável considerar o “não”. Já ouvi muita gente falar assim: “Mulher tem que ter filho”. Acho isso um horror. Não é verdade que TEM que ter. Conheço mulheres incríveis que não quiseram, são bem resolvidas, felizes e provavelmente seriam péssimas mães. Para todas essas coisas preestabelecidas, é fundamental você considerar qual é realmente o seu desejo. As pessoas não deixam a gente ser feliz em paz. A sociedade faz uma pressão muito invasiva em cima da vida alheia. É desrespeitoso demais com a natureza dos outros, que às vezes não é igual à sua. No meu caso, não tenho resposta, não sei ainda. Sei lá, acho que vou comprar uma bicicleta [risos].

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