Camila Queiroz: “Tenho um lado justiceira muito forte”

Modelo abandona as passarelas para seguir carreira de atriz na TV. Isso soa familiar? Camila Queiroz prova que um lugar-comum pode revelar gratas surpresas!

Ah, os clichês! Sabe aquela história que a gente sabe de cor? Na TV, as novelas vivem de oxigenar enredos conhecidos. De inovar a trama de um amor quase impossível que enfrenta as armadilhas de um vilão ou de uma vilã para o casal ficar junto. Nos bastidores da TV, os clichês também dominam. Há os casos dos atores que levam para a realidade o amor que vivem na ficção, por exemplo. E há as histórias das modelos que se aventuraram na frente das câmeras e começaram a carreira de atriz interpretando uma… modelo.

Camila Queiroz é uma representante desse clichê televisivo. Ela conquistou o Brasil em 2015, quando foi escolhida entre mais de 300 candidatas para estrelar Verdades Secretas. Antes disso, ela representava outro lugar-comum da cultura contemporânea: a jovem do interior que deixa a família para viver o sonho de ser modelo na cidade grande.

Camila Queiroz

(André Nicolau/Cosmopolitan)

 

Luz própria

Nascida em Ribeirão Preto (SP), desde cedo Camila mostrava que tinha jeito para artista. Criança, chamava a atenção de passageiros em seus passeios de ônibus cantando músicas de Kelly Key, fazia cover de Sandy e Spice Girls em apresentações escolares e encenava peças de teatro com os vizinhos. A pequena Camila chegou até a ser recriminada pelo excesso de luz. “Eu sempre aparecia num programa local apresentado por uma garota um pouco mais velha do que eu. Depois de um tempo, a mãe dessa apresentadora me proibiu de participar da atração, pois chamava mais atenção que sua filha”, lembra.

Aos 13 anos, ela venceu um concurso para descobrir new faces e começou a trabalhar com moda em São Paulo. Como é comum com modelos que iniciam a carreira ainda na adolescência, sua trajetória é recheada de perrengues que colocam à prova a força de vontade e a determinação das novatas no mundo fashion. “Na moda, conheci a maldade e percebi que nem todo mundo era bom. Tinha gente que fazia de tudo para se dar bem”, diz. Na sua experiência, também estão apertos como passar uma semana em São Paulo com apenas 20 reais no bolso, ir para o exterior sem falar inglês e ser chamada de gorda mesmo estando no peso ideal.

Camila Queiroz

(André Nicolau/Cosmopolitan)

Prova de fogo

Foi viajando o mundo como modelo que Camila enfrentou um dos momentos decisivos de sua vida: um tsunami no Japão, em 2011. O trauma foi tão grande que a atriz ficou cinco dias sem comer, dormir, tomar banho e teve que fazer tratamento psicológico para lidar com o stress pós-traumático. Ela e mais 3 mil pessoas foram para o aeroporto sabendo que a qualquer momento outro tsumani poderia acontecer. “Os japoneses foram supergenerosos. O país estava devastado, havia risco de a radiação gerada com a explosão da usina nuclear de Fukushima se espalhar e eles foram para o aeroporto nos dar cobertor, travesseiro, água e biscoito de água e sal”, diz. O evento representa uma grande virada de vida para Camila: depois disso, ela passou a fazer um constante exercício de positividade e olhar tudo pelo lado bom.

Quando retornou ao Brasil, cogitou abandonar as passarelas e os editoriais por causa do susto que passou, mas aos poucos retomou a carreira. Nesse tempo, fez os primeiros cursos e testes para ser atriz. Camila foi reprovada dez vezes antes de ser chamada para Verdades Secretas. “Quando pintou o teste, tive medo. ‘Como assim uma modelo que também é garota de programa?’, pensei. De início, rejeitei, pois estava morando e trabalhando em Nova York”, lembra. De passagem pelo Brasil, ela foi novamente chamada para uma audição na Globo. Desta vez, Camila foi e encarou duas páginas de texto. “Saí de lá com uma sensação boa. Não estava nervosa e fiquei superinteressada pelo papel.” Semanas depois, uma nova prova de fogo. Durante três horas, ela e Agatha Moreira (que, no fim, ficou com o papel de Giovana na trama) leram o mesmo texto sob a orientação de Mauro Mendonça Filho, diretor da novela. “Foi ali que percebi que tinha nascido para ser atriz. Após o teste, fiquei pedindo a Deus para que fosse aprovada — e fui, para viver a Angel. Hoje entendo por que fui reprovada tantas vezes. Não era a minha hora.”

Camila Queiroz

(André Nicolau/Cosmopolitan)

 

Pra ficar

Bem preparada e talentosa, Camila contrariou as estatísticas da profissão, fez uma estreia de respeito, se tornou a sensação da trama e contracenou de igual para igual com atrizes consagradas, como Marieta Severo e Drica Moraes, em um dos textos mais elogiados dos últimos tempos — que ganhou, inclusive, o troféu de Melhor Novela no prêmio Emmy Internacional em 2016. Após Verdades Secretas, Camila se livrou de outro possível clichê: atriz de um único papel. Em sua segunda novela, Êta Mundo Bom!, maior audiência da última década no horário das 6, ela viveu a caipira Mafalda e roubou a cena provando que é boa em fazer comédia. Durante o folhetim, ela e Klebber Toledo, que viviam um dos pares românticos, transformaram a paixão ficcional em romance da vida real. “A gente protege bem nossa intimidade. Vivemos nossa vida longe das redes sociais”, diz. Sim, mais um clichê.

Camila, que em suas primeiras entrevistas declarava que queria casar e ter filho aos 25 anos, desconversa se pretende seguir esse plano. “A vontade existe, nasci com o relógio biológico apitando, mas tenho trabalhado num ritmo tão acelerado que não sei quando será possível ser mãe”, afirma. Para evitar conversas mais profundas sobre sua vida pessoal, a atriz lança mão de uma tática típica de celebridade: falar sobre trabalho. No momento, Camila só tem olhos para a nova personagem: Luiza, a patricinha antiostentação de Pega Pega, nova novela das 7 da Globo. “Ela é uma menina muito parecida comigo: é forte e vai dar duro para sobreviver quando o avô, que sempre a sustentou, perder todo o dinheiro.”

Camila Queiroz

(André Nicolau/Cosmopolitan)

Boa moça

Fora dos sets de filmagem, Camila também faz o tipo mocinha. “Tenho um lado justiceira muito forte e já briguei na escola para defender colega que sofria bullying”, revela. “Meu apelido em casa era Madre Teresa, porque sempre ajudo todo mundo. Se eu fosse miss, ia ser a mais sincera quando dissesse que desejo a paz mundial.” A vontade de semear o bem é tão grande que Camila sonha em ter a própria ONG para cuidar de problemas ambientais e de crianças, e sempre que possível posta mensagens motivacionais em seu perfil no Twitter. No Instagram, cerca de 7,6 milhões de fãs seguem seus passos. Foi por meio dessa rede social que ela anunciou a morte do pai, Sergio Queiroz, de 53 anos, no começo de abril. “Mais de um mês depois, eu ainda não processei direito a perda”, conta. “A gente sabe que todo mundo vai partir um dia, mas é difícil entender quando é alguém tão próximo!” Nesse período tão sensível, Camila conta com a ajuda da mãe, Eliane, e das duas irmãs, Melina e Caroline, para superar a dor. Muito unidas, as irmãs sempre que podem estão juntas. Melina, de 30 anos, é hoje o braço direito de Camila e ajuda a organizar a vida e a agenda da irmã. Caroline, de 21 anos, estuda para ser atriz e já atuou em três peças de teatro. “Ela tem muito talento e trabalha superbem”, derrete-se.

Camila sonha em espalhar essa atmosfera de amor em que vive para todo mundo através de pequenos mas significativos gestos, como o que ela fez em fevereiro ao doar parte das madeixas a uma instituição que ajuda a melhorar a autoestima de pessoas que lutam contra o câncer — depois disso, passou a receber recados de outras pessoas querendo fazer o mesmo. “Numa geração de tantos haters, quero usar minha fama para incentivar as pessoas a seguirem os sonhos delas e serem otimistas. Não é meu estilo ser a garota que posta look do dia”, diz. Num mundo em que celebridades transformaram redes sociais em templos de adoração do próprio ego, Camila se livrou desse clichê. Que bom!

 

Beleza: Silvio Giorgio (Capa MGT)

Edição de moda: Thais Barakat

 

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