Isis Valverde: “Gosto de crítica positiva e negativa”

Isis Valverde ocupa, do alto de seu 1,63 metro, o horário mais nobre da TV brasileira e aproveita os ganhos de seus 30 anos

Sábado, 11 horas da manhã. Uma equipe de 15 pessoas — fotógrafo, stylist, maquiador, manicure, cozinheira, produtora, videomaker, assistentes… — espera por Isis Valverde em uma casa no Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, para a sessão de fotos que você vê nestas páginas. Araras de roupa tomaram conta da sala e equipamentos fotográficos do jardim, enquanto o cachorro da casa estranha toda a movimentação. A atriz chega do Rio de Janeiro e vai pra lá direto do aeroporto, acompanhada de Marcio Damasceno, seu empresário há 11 anos, que a “viu crescer”. Ainda sem maquiagem, Isis é uma presença e tanto, dessas que você não quer parar de olhar. Resposta para a pergunta que sua amiga faria se você encontrasse a atriz (“Ela é bonita ao vivo?”): sim, de parar o trânsito, de sorriso fácil, e (surpresa) mignon — mede exatamente 1,63 metro.

No dia anterior, ela começou a gravar as cenas de sua Ritinha, a protagonista de A Força do Querer, às 8 e só terminou às 19 horas. “Você tem que realmente se entregar, parar tua vida”, diz, enquanto é maquiada, com um energético em mãos para driblar o cansaço, sobre a demanda de viver a inconsequente personagem da novela das 9. Entre as melhores atrizes de sua geração, com Suelen (Avenida Brasil), Sereia (O Canto da Sereia) e Antonia (Amores Roubados) no currículo e desenvoltura tanto na comédia quanto no drama, era hora de ela ocupar o centro dos holofotes do horário mais nobre da TV brasileira.

Ritinha começou a tomar conta da vida de Isis ainda em agosto do ano passado. Foram aulas de dança, de corpo, de prosódia, de mergulho, de ioga (“Para ter a força da personagem, que sobe em árvores”). Também ganhou uma extensão de cabelo natural, que agora chega até a cintura e exigiu duas sessões de dez horas para ser colocado. Foram 32 dias de gravação na Amazônia, onde nadou com botos (a personagem acredita ser uma sereia). “Foi muito emocionante, fiquei muito mexida”, diz com seu reconhecível sotaque mineiro, apesar de ter deixado Aiuruoca, em Minas Gerais, aos 15 anos.

Isis Valverde

(Tavinho Costa/Cosmopolitan)

 

DESACELERA E PAUSA

O trabalho intenso veio depois de um período sabático, em 2015, quando Isis completou dez anos de carreira. A atriz seguiu sozinha para Nova York. “Senti que tinha que estudar, dar uma afastada. Havia muita cobrança, especulação. Tinha sofrido um acidente sério, minha vida correu risco”, lembra sobre a batida de carro que enfrentou em 2014 e em que fraturou a coluna cervical. “Era hora de dar um tempo, de falar um pouco com a Isis. Descobri com 30 anos que você se conhecer é mais importante que qualquer coisa. Estava precisando dar essa atenção a mim mesma.”

De manhã, estudava inglês; à tarde, atuação. Na cidade, ela pôde voltar a desfrutar o anonimato. “Andava na rua tranquila, não que eu não ande aqui, mas não tinha fotógrafo, a imprensa ligando toda hora. Deu para pegar o metrô numa boa, mas me reconheciam. Tinha encontros com mexicanos, espanhóis, tem novela passando no mundo todo.” Ela refaz, com detalhes de atriz, o episódio em que foi reconhecida por uma família muçulmana no metrô.

De Nova York, trouxe o inglês fluente (“Quando briguei pela primeira vez no telefone, pensei: ‘Agora eu tô falando’” [risos]) e a técnica da atriz e professora Stella Adler (1901-1992), que fundou um instituto que leva seu nome na cidade,
onde estudaram atores famosos de Hollywood, como Robert De Niro, Salma Hayek e Mark Ruffalo: “Sempre estudei interpretação, tenho um professor, fiz cursos, mas voltei com uma carga maior. Foi muito bom para mim, que sou uma atriz que gosta de ir no impulso e deixar a cena fluir, ter essa parte técnica”.

A autocrítica, conta, sempre a acompanhou: “Sou muito minuciosa, tento não ficar neurótica”. Sua mãe, Rosalba Valverde, também é atriz (atuou no teatro em sua cidade) e tão atenta quanto a filha: “Quando assisto à novela com ela, nem vejo a TV, fico olhando tensa para a cara dela. Aquela piscada que eu, perfeccionista mala, vi e não curti, ela já notou”, diz. “Peço para ela falar. Gosto de crítica, positiva ou negativa — a primeira é melhor. Ela está aí para você crescer, quem não sabe ouvir uma não vai evoluir nunca. O medo da crítica é o medo da mudança.” Isis grava a novela até setembro e emenda o folhetim nas filmagens de um longa — ela ainda tem outros três filmes inéditos para lançar.

Isis Valverde

(Tavinho Costa/Cosmopolitan)

 

MATURIDADE

A atriz, que fez sua estreia em novelas aos 19 anos em Sinhá Moça (2006), amadureceu sob os holofotes. Desde lá, teve seus relacionamentos noticiados pela imprensa. “Fiquei conhecida aos 19 anos de idade, era apenas uma menina. Até então não tinha tido nenhum tipo de relação com ninguém. A imprensa acompanhou meu florescer, que foi tarde, véia.” Seu primeiro namorado foi o também ator Malvino Salvador, aos 19 anos, que a ensinou como lidar com a imprensa. Sobre o atual, o modelo Andre Resende, com quem está há pouco mais de um ano, é reservada: “Me sinto à vontade com ele. É um cara inteligente, rápido, interessante”. E ri, desconversando.

Os 30 anos, completados em fevereiro, lhe deram “paciência, calma, clareza para muitas coisas, autoconhecimento, segurança”. “Tem uma ansiedade natural da juventude. Ainda sou impaciente, mas era muito mais: queria já, agora, para ontem. Filha única, sabe? Tenho muito a aprender ainda, mas já estou bem melhor.” Isis conta que também aprendeu a falar “não” para os outros. “Ele é libertador.”

Nesses anos de amadurecimento, sofreu o já falado acidente de carro. “A lembrança dele é muito forte e importante. Quando sua vida é colocada em jogo, quando você não pode tomar um café, um banho, fazer coisas básicas sozinha, tudo muda. Aprendi a dar valor às coisas que têm que ter valor.”

Isis opina sobre as fotos, aponta o que curte (ou não) e termina o ensaio surpreendida por um beijo do Stuart, o cachorro que tentava chamar a atenção (aquele que estava perdido com tanta confusão, mas mirando o alvo desde o início). Era hora de pegar o avião de volta ao Rio. O dia seguinte era um domingo, mas Ritinha a esperava no bloco de cenas que tinha para estudar.

Isis Valverde

(Tavinho Costa/Cosmopolitan)

 

Beleza: Daniel Hernandez (MLages)

Estilo: Manoela Fiães

Produção executiva: Lagoa Comunicação

 

 

 

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