“Não acho que as pessoas leem 50 Tons de Cinza pela história”, diz Jojo Moyes, autora de Como Eu Era Antes de Você

Em entrevista exclusiva à COSMOPOLITAN, autora do best-seller fala do mercado editorial atual e conta como foi acompanhar as gravações da adaptação do seu livro para o cinema, que estreia dia 16/6 no Brasil.

Verdade que você acompanhou todas as gravações?
Sim! Quando acertamos a adaptação para cinemas, sabia que teria a oportunidade única de ver como é esse processo. Eu fiquei fascinada por tudo! Só queria estar ali o máximo de tempo possível!

O que mais te surpreendeu nesse processo de dar vida à história que você escreveu?
Devo dizer que no momento que Emilia [Clarke, que vive Lou] entrou para fazer seu teste, pensei “Meu Deus, é a Louisa”. Eu mesma não tinha uma imagem tão clara da personagem. Sabia que ela era pequena, não era magra, era engraçada e atrapalhada. E então a Emilia entrou e personificou tudo. O pessoal que trabalhou no guarda-roupa dela também foi incrível. Eu ia até o armário da personagem e ficava mexendo em tudo, impressionada!

Tem uma cena no filme que mostra os sapatos nas paredes, é tão perfeita…
Adorei também! A equipe de produção entendeu tão bem tudo o que escrevi.  Quando entrei na locação em que foi apartamento do Will, pensei: “eu gostaria de ter escrito isso é bem melhor”. [Risos]

Algumas partes do livro foram cortadas na adaptação para o cinema. Como foi o critério dessas escolhas?
É um processo um pouco agoniante. Por 6 meses íamos e voltávamos achando o melhor jeito de fazer aquilo. Mas em alguns momentos temos que aceitar que no cinema é outra história. Ao fazer um filme tem partes que são mais importantes para contar essa história que é, acima de tudo, a relação entre Louisa e Will, como eles se transformam, como falam do outro e todo o resto deve se encaixar nisso.

Leia também:

– Assista ao Will Traynor, de Como Eu Era Antes de Você, ser entrevistado por Lou Clark!

– #SpoilerAlert: 10 momentos de Como Eu Era Antes de Você que estamos ansiosas para ver no cinema

– Os 10 trechos mais grifados de “Como Eu Era Antes de Você” no Kindle
 

Para uma história de amor moderna, algumas pessoas questionaram a falta de cenas de sexo no filme e no livro…
Eu não acredito que sempre seja precisa mostrar o sexo. Às vezes, escrevo sobre e apago. Eu acho que uma cena sexual é facilmente mal interpretada, e pra mim a coisa mais poderosa é a imaginação de quem está assistindo ou lendo.

Para mim, foi muito emocionante a cena na qual ela faz a barba dele.
Sim, acho bem mais poderoso. Para um homem que é sempre tocado só para procedimentos médicos ter alguém que te toca com afeição, amor ou sensibilidade é intenso. Para mim, essa cena tem muito poder porque mostra a intimidade entre os dois.  É o primeiro momento em que Will realmente baixa a guarda se abre para Lou. Para mim é mais sexy que uma cena de sexo.

Reprodução/Tumblr

Reprodução/Tumblr

Você não acha que seria mais fácil escrever cenas de sexo já que esses romances sobre sexo estão em alta?
Eu acho que é um tipo diferente de livro. Não acho que as pessoas leem “50 Tons de Cinza” pela história. As pessoas leem para se excitar e não é meu tipo de literatura.

O que você acha desses livros?
Fico dividida. Por um lado, encoraja mulheres a se sentir bem sobre sua vida sexual e isso é   ótimo! O meu problema é dizer que é ok um homem te bater se ele compra um carro ou te leva a um passeio de helicóptero. Sou feminista com orgulho. Acho que tem várias coisas que as mulheres devem descobrir sobre sua sexualidade, mas dinheiros não está envolvido nisso. E é isso que me incomoda nesses livros. Mas não sou uma grande leitora deles, só li o primeiro 50 Tons de Cinza.

Qual o segredo para escrever um best-seller?
Se eu soubesse teria feito 10 anos atrás. [Risos] O que eu aprendi é que se você escreve a partir de um lugar que é honesto, apaixonante e verdadeiro para você, alguém lerá e responderá a isso. Esse foi o primeiro livro que eu coloquei humor, brincadeiras, piadas. Todos os meus outros livros não tinham humor. Descobri que as pessoas gostam de rir e chorar. Então, eu tentei juntar os dois. Foi o único livro que meu marido leu e não quis fazer nenhuma mudança. Apenas disse:  “eu gosto assim”

E como fazer com que tantas pessoas se sintam assim também?
Se não choro, tenho certeza que os leitores não vão chorar também. Tem um cara que trabalha no escritório ao lado do meu que deve pensar que eu sou uma louca. Passo o dia todo rindo e chorando sozinha. Quando eu estava escrevendo a parte em que Will entrega a carta à Louisa eu chorei tanto, por uns três dias, que ele veio até ver se estava tudo bem. [Risos]

De qual dos seus outros livros podemos esperar filmes?
“Um mais Um”. Eu fiz um roteiro e já mostrei para estúdios e diretores. Parece bem encaminhado. Agora é ficar de dedos cruzados.

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s