5 desafios que as mulheres ainda vão enfrentar em 2017

Já conquistamos muito. Estudamos, entramos no mercado de trabalho, temos o direito ao voto e a controlar quando e se queremos engravidar —, mas ainda falta!

1. Desigualdade de salários entre homens e mulheres

As mulheres recebem, em média, 76% do salário dos homens. Ou seja, 24% a menos do que eles para desempenhar as mesmas funções. Os números são da pesquisa de 2015 (a mais recente) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa diferença salarial diminuiu ao longo da última década, porém a passos lentos. Em 2005, chegamos a receber só 71% do salário deles. Segundo o instituto, a diferença salarial é ainda maior em cargos de gerência ou direção: o salário médio das mulheres equivale a 68% do valor pago aos homens. E, claro, estamos em menor número no alto escalão das empresas. Em 2015, 6,2% dos homens ocupavam esses cargos, entre o total de trabalhadores com 25 anos ou mais. Entre elas, esse número cai para 4,7%. “A questão de a mulher engravidar ainda é vista como algo crítico nas empresas, principalmente em cargos mais altos”, afirma a antropóloga Valéria Brandini, de São Paulo. “Mas ela não pode ser culpada de ter menos direitos no campo profissional por ser a pessoa responsável por parir em uma família”, explica Valéria. Para piorar, a gente ainda tem jornada de trabalho maior do que a deles, por causa dos afazeres domésticos. É verdade que há mais homens dividindo as tarefas da casa, mas a maior parte deles ainda se gaba por “ajudar” a parceira. O que, em muitos casos, significa que só lavam um prato quando querem suavizar o lado deles após uma DR.

 

2. Altas taxas de violência contra a mulher

São 13 mulheres assassinadas por dia no Brasil, o que nos faz ocupar o quinto lugar no ranking de países mais violentos. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2016, mostra que a cada 11 minutos acontece um estupro no Brasil. E, se você achou esse dado aterrorizante, vamos dizer que a realidade pode ser pior. “O que sabemos é que nem 10% das mulheres denunciam o crime, por isso a estimativa é que só no ano passado ocorreram meio milhão de estupros e uma mulher foi violentada a cada 17 segundos no Brasil”, diz a advogada Marina Ganzarolli, de São Paulo, cofundadora da Rede Feminista de Juristas. Ao ser lançado, no fim de 2005, o Ligue 180, o disque-denúncia para casos de violência contra a mulher da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), prestava uma média de 4 mil atendimentos por mês. De lá para cá, já foram registrados mais de 5 milhões de atendimentos. A violência contra a mulher é um problema crônico, e conhecer dados e estudos sobre o tema ajuda a compreender a dimensão da questão e a nos unirmos para cobrar  por políticas públicas. Só assim menos mulheres serão assassinadas simplesmente por não terem nascido homens.

Desafios que ainda vamos enfrentar em 2017

(Nick Onken/Cosmopolitan)

3. Parar de julgar e ser julgada

Toda mulher passa por isso em algum momento. E pelos mais variados motivos: não querer ser mãe, querer ter uma carreira, optar por cuidar da casa em vez de trabalhar, transar com todo mundo, não transar, precisar de um homem (ou de uma mulher) para ser feliz ou estar muito bem, obrigada, solteira. A verdade é que não importa a escolha que fizermos na vida, sempre haverá alguém para dar pitaco ou criticar. Vida de mulher é tipo festa de casamento, sabe? Não fazem diferença a quantidade de noites de sono perdidas pensando nos preparativos e os milhares de reais gastos: um ou outro convidado vai sair de lá reclamando. Os outros a gente não consegue controlar, mas será de grande ajuda se nós mesmas deixarmos de ser cruéis conosco e com as outras mulheres. A competição não é da natureza feminina, como nos fizeram acreditar, é apenas uma tentativa de nos humanizar em um mundo que desumaniza as mulheres. Mas a gente já sabe que desvalorizar a colega não ajuda em nada a viver em um país que não reconhece o nosso valor. Então, a proposta da COSMO é a seguinte: vamos assumir que todas nós temos importância, independentemente da escolha que fizermos. No mesmo barco, se nada der certo, pelo menos teremos umas às outras para remarmos juntas.

 

4. Pouca representatividade feminina na política

Somos 51% da população brasileira, segundo o último censo, mas somos muito menos na esfera política. Nas eleições de 2016, foram eleitas apenas 638 prefeitas, de um total de mais de 5 500 municípios em disputa — menos de 12%. É um número inferior ao de 2012, quando foram eleitas 664 mulheres. A representação feminina nas Câmaras de Vereadores se manteve estável: 13,5%. No Senado, somos 13%; e, na Câmara Federal, apenas 10%. Acredite se quiser, os números brasileiros são inferiores aos da média do Oriente Médio, que tem uma taxa de participação feminina de 16% no Parlamento (no caso, o nosso Congresso, formado por deputados e senadores). “O Brasil tem uma participação política de mulheres que beira o escândalo. Não à toa, nossa política é voltada para os interesses dos homens”, diz a filósofa Marcia Tiburi, do Rio de Janeiro, autora do livro Mulheres, Filosofia ouCoisas do Gênero (Edunisc). Nossa ausência onde são tomadas as decisões mais relevantes significa que as nossas prioridades, interesses e temáticas ficam em segundo, terceiro e quarto plano. Compreendeu o drama?

Desafios que ainda vamos enfrentar em 2017

(Nick Onken/Cosmopolitan)

5. Ser feliz com o nosso corpo e com a nossa imagem

Uma pesquisa encomendada pela marca Dove e divulgada em 2016 mostrou que nós, brasileiras, ainda estamos longe de nos sentirmos satisfeitas com a nossa imagem. Das 7 800 mulheres entrevistadas, 41% afirmaram sentir-se pior sobre si mesmas ao ver fotos de mulheres bonitas. Essa mesma pergunta tinha sido feita em um estudo de 2004, e de lá pra cá houve um aumento de 24% de insatisfeitas. Tem mais: 79% das mulheres não colocam foto de rosto no perfil do Facebook por falta de autoconfiança. A gente até valoriza a beleza de outras mulheres que estão fora de um modelo estético, mas não conseguimos reconhecer a nossa. É mais ou menos assim: você viu a nossa capa do mês passado e pensou “A Preta Gil está maravilhosa de body e decotão. Que mulher!” Mas na hora que te marcam no Face, naquela foto na praia, você para tudo o que está fazendo para se desmarcar. E ainda bloqueia o sem-noção que fez isso! Percebe a contradição? Travar uma guerra interna consigo mesma e com o corpo causa um sofrimento intenso, que além de afetar a saúde prejudica as relações com pessoas próximas. Muitas de nós se esquivam até do sexo por estarem com uma dobrinha na cintura. É muito mais gratificante pensar naquilo que a torna única e diferente das outras, em vez de igual. O lema da autoimagem saudável é mudar o que pode ser mudado e conviver com o que você não pode ou não quer transformar. A vida fica mais leve quando descobrimos que o corpo ideal, seja na silhueta que for, sempre será o nosso.

 

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