5 empreendedoras revelam o segredo de um negócio de sucesso

A COSMO conversou com mulheres que deram a cara a tapa, largaram a carteira assinada e foram atrás de oportunidades para uma qualidade de vida melhor.

Não é hobby

“Existe um pensamento equivocado ao redor da ideia de largar o emprego para ‘fazer o que se gosta’. Negócio é negócio e hobby é válvula de escape. Abrir algo próprio significa ficar um tempão com o orçamento mega-apertado, perder um pouco de vida social e quebrar a cara algumas vezes. Antes de criar minha própria marca, acreditava que o mercado era dividido em dois: pessoas que tinham perfil empreendedor e as que não tinham. Meu pai tinha uma empresa que acabou fechando, então, para mim, abrir meu próprio negócio significava trabalhar demais para, possivelmente, fracassar. Encarei a vida corporativa por dez anos antes de perceber que o sangue empreendedor corria em mim também. Não transformei meu hobby em profissão, não fui trabalhar com moda praia infantil porque virei mãe ou porque sou louca por crianças. A decisão de abrir um negócio nessa área foi 100% racional. Pesquisei os mercados que estavam borbulhando (ou prestes a), mas que apresentavam carências. E, como grande parte da minha infância foi dentro de uma fábrica têxtil, trabalhar com confecção fazia sentido para mim. Meu investimento inicial foi de 80 mil reais, e com dez meses atingi o breakeven, que significa que a partir desse momento a empresa pode começar a dar lucros. Atualmente, trabalho de 14 a 16 horas por dia. Não tenho fim de semana ou férias, por exemplo (ainda!). E tudo bem. Trabalho mais, mas com garra e vontade. É um exercício de automotivação diário! É importante saber que haverá dias em que você vai levantar da cama superanimada mas vai dormir aos prantos. A graça está aí. Se fosse dar um conselho a alguém, diria: não transforme seu hobby em profissão.”

Andrezza Duarte

(Divulgação/Cosmopolitan)

Andrezza Duarte, cofundadora e diretora criativa da Água com Sal, empresa de moda praia baby e infantil (varejo e atacado) criada em 2016, em São Paulo.

 

Cresça com a demanda

“Tenho um gato, sou de Ribeirão Preto [SP], mas estava morando em São Paulo. Por causa das viagens, descobri que existia a profissão de ser babá de um pet enquanto o dono se ausenta. Mas montei esse serviço que não existia na minha cidade natal e, como queria voltar a morar lá, fui pesquisar o mercado e fazer cursos. Meu investimento foi muito baixo, algo em torno de 2 mil reais. Só precisei comprar coleiras, saquinhos e estudar. Estava fazendo outros trabalhos e cuidando da Cão Vivência em paralelo. Mas percebi que para o negócio deslanchar precisaria me dedicar a ele. Larguei as outras atividades e em seis meses minha agenda começou a lotar. E olha que precisei criar meu público, pois não existia o hábito de contratar o serviço que eu oferecia na cidade. Em conversas com meus clientes, eles começaram a me pedir dicas para ajudar na disciplina dos animais. Aí percebi uma nova oportunidade: fiz mais uma especialização e agora sou adestradora. Ao final do primeiro ano eu já tinha lucro com meu negócio, e hoje em dia ganho em média uns 4 mil reais. Mas tive que aprender muito sobre ser empreendedora na prática. Para ter uma ideia, quando comecei, nem fazia controle financeiro, então nem sei ao certo de quantos animais cuidei no início. Só no segundo ano da empresa contabilizei: na época eram 70 pets atendidos, em serviço de passeio, adestramento e babá. No ano passado pulamos para 126 pets, e este ano a projeção é crescer mais.”

Ana Alice Vercesi

(Divulgação/Cosmopolitan)

Ana Alice Vercesi, fundadora da Cão Vivência, empresa que oferece bem-estar a animais, criada em 2014, em Ribeirão Preto (SP).

 

Pense em todos os detalhes

“Passei seis meses nos Estados Unidos em 2012 estudando inglês. Morava em uma casa de família e percebi que eles tinham o costume de fazer festas do pijama. Fiquei com essa ideia comigo e foi ela que me inspirou a abrir uma empresa. Antes de ter a Lá na Cabaninha, eu era executiva de uma startup, só que não estava feliz. Pedi demissão e fui atrás de referências na internet para meu projeto. Logo no começo, senti falta de alguém para trocar ideias. Por isso, chamei uma colega de trabalho, a Natalia Cavalcante, para um café. Nós já tínhamos uma boa conexão profissional. Ela topou entrar no projeto comigo e, juntas, investimos 4 mil reais pra começar. Fizemos um site para mostrar o trabalho e deixar a empresa com cara de profissional. Um mês depois de aberto o negócio, já tínhamos festa agendada. Mas não imaginávamos que teríamos tantos custos, como local para guardar os materiais e fazer estoque. Tivemos que nos virar! O começo foi muito sobrecarregado. É você que tem de dar conta da logística, fazer a demonstração, o planejamento, a pesquisa. Quando começamos, não tínhamos muita concorrência, mas com o passar do tempo nos obrigamos a inovar. No início fazíamos de uma a duas festas por fim de semana. Hoje esse número dobrou e passou a ser de três a quatro a cada sete dias. Conseguimos recuperar todo o dinheiro investido em apenas três meses. A nossa média de lucro hoje varia de 6 a 8 mil reais divididos entre nós duas.”

Larissa Garcia

Larissa Garcia, sócia-fundadora da Lá na Cabaninha, empresa de festas de pijama infantis, criada em 2015, em São Paulo.

 

Aja como chefe

Achava que quando abrisse minha empresa iria acordar e assistir ao programa da Ana Maria Braga no sofá, mas a realidade é bem diferente. Às 7h30 já estou na fábrica. Sou formada em moda e estava trabalhando havia quatro anos em uma empresa de confecção quando surgiu a oportunidade de abrir meu negócio. Meu pai queria investir e abracei a oportunidade: com 15 mil reais na mão, abri uma oficina de acabamento onde passamos, embalamos e devolvemos peças prontas para serem vendidas às marcas. Eu sabia que esse tipo de empresa iria requerer um investimento pequeno e que, mesmo na crise, as grifes ainda precisariam desse serviço. Em sete meses, a oficina tomou uma proporção muito maior do que eu esperava. A ideia era ter dois clientes para conseguir começar, mas já atendi 17 marcas diferentes, entre elas Lolitta, Alberti & Co, As Filhas da Mãe e Briska. Hoje tenho nove clientes fixos. O que achei mais difícil foi contratar funcionários e receber os pagamentos. Meus clientes sempre pagam, mas, como não tenho uma data fixa para isso, é algo que atrapalha um pouco. Quando eu ganhar mais notoriedade no mercado, vou determinar prazos para facilitar as contas. Nesse momento, ganho menos do que antes, já que a empresa ainda não dá lucro. Pago as dívidas e sobra uma grana pequena no mês. O faturamento total está em torno de 8 mil reais mensais. Gosto da flexibilidade de horários que essa escolha me trouxe. O bom de ter um negócio é que me sinto mais responsável. Sei que a vida e as contas de outras pessoas dependem de mim e desse meu trabalho. Minha ideia é transformar o que tenho em uma prestadora de todo tipo de serviço para as confecções.”

Helena Bonfietti Franco

(Divulgação/Cosmopolitan)

Helena Bonfietti Franco, fundadora da Club Tex, oficina de acabamento, criada em 2016, em São Paulo.

 

Divulgue (muito) o seu produto

“Costumava ter uma loja virtual de bijuteria, mas não era o que eu queria fazer. Meu negócio mudou no final da minha gravidez. Eu fazia aula de hidroginástica e bolamos um amigo-oculto em que cada pessoa deveria levar um prato para a comemoração. Decidi fazer um bolo. O resultado foi tão lindo (deu até orgulho!) que coloquei uma foto no Facebook. A pessoa que tinha feito a decoração do meu casamento viu e encomendou um na hora. Eu não sabia nem quanto cobrar. Liguei, expliquei, ela me ajudou a atribuir um valor ao meu trabalho e ainda encomendou bolos mais duas vezes. Antes dessa empreitada, eu tinha um blog de receitas e uma conta no Instagram com o nome Receitas da Nana. Comecei a postar lá minhas produções e espalhar meu negócio no boca a boca para os amigos. Também fiz muitos bolos de graça para mais gente conhecer meu trabalho. Quando alguém fazia aniversário, eu me antecipava e já me oferecia para preparar o bolo da festa. Quando minhas amigas tinham bebê, a mesma coisa. Eu chegava com um de presente na maternidade, as pessoas comiam, perguntavam de quem era e começavam a me seguir no Instagram. Isso ajudou muito a espalhar minha marca, porque no começo só fazia encomenda para amigos e amigos dos amigos. Comecei em 2013, mas posso dizer que o ano da virada do Receitas da Nana foi em 2016: comprei uma linha de telefone exclusiva para encomendas e uma geladeira para armazenar os ingredientes usados nas minhas receitas. Minha produção aumentou de 12 para 60 bolos por mês no ano passado! Faz uns seis meses que percebi os lucros pra valer. Passei a colaborar com as contas da casa, juntar dinheiro, comprar algumas coisas para a minha filha, separar uma grana para viajar. Foi a partir daí que percebi que era um negócio de verdade que estava se consolidando. Ah, todos os meus bolos têm uma marca registrada: uma joaninha, por causa do meu nome. As pessoas veem e reconhecem a minha produção.”

Joana Loes

(Divulgação/Cosmopolitan)

Joana Loes, fundadora da Receitas da Nana, empresa que produz bolos desde 2013, no Rio de Janeiro.

 

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