Um guia básico para escolher a água que você bebe

Para você escolher a h2o que mora na sua garrafinha e saber as consequências que a água da torneira e do chuveiro podem ter sobre sua pele e seu cabelo.

Duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio formam o elemento mais conhecido e essencial para a existência de vida no planeta. Incolor, insípida e inodora, assim é a água, e você nem deve se dar conta de quantas vezes a usa num dia normal, do momento em que acorda à hora em que vai dormir. Mas talvez esteja na hora de prestar atenção: ela é, sim, aliada da sua saúde, mas também pode estar por trás de algumas das suas queixas corriqueiras.

 

Mania oriental: água rica em hidrogênio

Os japoneses — sempre eles — deram a dica: estão com mania de beber água hidrogenada para tratar problemas de saúde e também usá-la na cosmética. E, quando o Japão aponta para uma direção, é esperto olhar pra lá. Os benefícios da água rica em hidrogênio são conhecidos há muito tempo e, de fato, reais, mas ainda é novidade na formulação de produtos. “A água hidrogenada tem a capacidade de estimular processos naturais da pele, como a produção de colágeno, de renovar as células e melhorar as funções de defesa”, diz Sonia Corazza, engenheira química especializada em cosmetologia, de São Paulo. Esse tipo de água também é um potente antioxidante, já que os temidos radicais livres nada mais são do que oxigênio solto em nosso organismo. O hidrogênio tem a capacidade de atrair esse oxigênio perdido e transformá-lo em nova molécula de H2O! No entanto, os benefícios a longo prazo da ingestão da tal água ainda precisam ser comprovados cientificamente. Lá fora, algumas marcas já estão vendendo as suas, como HFactor (18 dólares o pacote com seis) e Perricone MD (12 dólares o pacote com quatro), mas por enquanto ainda não há nenhuma disponível no Brasil.

 

De olho no rótulo

Lição do dia: passar a ler o rótulo da sua garrafinha de água. O primeiro passo é observar a quantidade de sódio. Há opções que vão de 3 mg/l até 103 mg/l — números determinados pelo contato que o líquido sofre com as rochas do subsolo, ouseja, cada fonte garante composições diferentes. No entanto, índices acima de 20 mg/l costumam ser resultado da adição de sódio, processo feito para equilibrar outros fatores, como sais e pH. Ainda que o número assuste, o limite aceitável pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 600 mg/l. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ideal é consumir até 2 000 mg de sódio por dia. Ou seja, se você beber 1 litro de água mineral com 103,6 mg de sódio, estará consumindo cerca de 5% da sua cota. E acredite: existem marcas no mercado com essa proporção. “Uma água com muito sódio pode ser responsável pelo mau funcionamento dos rins e também causar retenção de líquidos”, afirma Julio Bergmann, clínico geral de Porto Alegre.

Segundo ponto: prestar atenção no pH da água. A sigla significa “potencial hidrogeniônico” e é uma escala que mede o nível de acidez da água — entre 0-7 (ácido) e 7-14 (alcalino). “O ideal é tomar águas ligeiramente alcalinas, que ajudam a neutralizar o pH ácido do estômago e melhoram a digestão”, explica Sonia. Refrigerantes, álcool e sucos com muito açúcar, por exemplo, têm pH 2, superácido. O consumo de uma água com pH menor que 7 não traz riscos imediatos, mas é o longo prazo que preocupa. A acidez no sangue contribui para a liberação excessiva de radicais livres que causam envelhecimento precoce e vários tipos de enfermidade, como osteoporose, doenças cardíacas, processos inflamatórios crônicos, obesidade e câncer.

Procure por garrafinhas com baixo teor de sódio e pH acima de 7, além de altos níveis de outros minerais importantes para a saúde, como o potássio e o magnésio.

 

Mulher pulando na água

(Gif/Cosmopolitan)

H2O em casa

Para tomar a água mais pura possível em casa, não subestime a tradição. “O ideal é o velho e bom filtro de barro, com elemento filtrante composto de uma vela cerâmica e revestimento de prata para eliminar micro-organismos patogênicos”, diz Sonia.

 

Cota diária

Os famosos 2 litros de água por dia não são exatamente obrigatórios. “O necessário é ingerir 35 ml de líquido por quilograma de peso”, afirma a nutricionista Ana Poletto, de São Paulo. Além disso, o clima, a umidade do ar e atividades físicas vão indicar se você deve beber mais ou menos água. Um bom jeito de saber se está hidratada o suficiente é olhar a cor do seu xixi. Um amarelado muito forte significa que faltam líquidos, enquanto um tom quase transparente é sinal deque há demais — o ideal mesmo é um amarelo-claro. Sucos (naturais, claro) ou infusões entram nessa meta diária de líquidos a ingerir. O excesso de água no organismo pode ser perigoso e causar hiponatermia, que acontece quando o sódio e outros eletrólitos ficam diluídos a ponto de comprometerem suas funções vitais, podendo ocorrer até alteração na pressão arterial e contração muscular.

 

Chuveiro inimigo

Seu loiro já não vive dias de glória e seu cabelo está cada dia mais ressecado. A culpa pode ser da água do seu chuveiro. “Os fios loiros são mais porosos, por isso sofrem com o cloro e outros resíduos presentes na água, como o cobre de encanamentos antigos. Ele pode acabar esverdeado e opaco”, conta Juha Antero, colorista do MG Hair Design, em São Paulo. A saída é comprar um filtro de chuveiro especial, que retém essas substâncias e pode ser encontrado online por cerca de 130 reais — os da marca Pentair são os mais conhecidos. Eles são colocados entre o cano e a ducha, e vários tutoriais na internet ensinam como instalar sozinha. É recomendado trocar o refil do filtro a cada seis meses, e ele custa menos de 50 reais. Eles também fazem mais do que simplesmente eliminar o cloro — retiram sulfatos e outros ingredientes químicos, como derivados de alumínio adicionados à água nas etapas de tratamento.

 

Banho de água fria, sim!

Tomar um banho frio está fora de cogitação para a maioria de nós, mas um último enxágue no cabelo é prática adotada em alguns salões de cabeleireiro e indicada especialmente para cacheadas. “O choque térmico contrai o couro cabeludo, como se fosse um exercício, e quem tem raiz oleosa ou queda de cabelo é beneficiado se a prática é adotada regularmente”, diz Renata Souza, cabeleireira do SpaDios, em São Paulo. “Os fios ficam com a cutícula selada e, consequentemente, mais brilhantes.” Outra mania recente é jogar água mineral nos fios. O objetivo, segundo Renata, seria limpar o cabelo do cloro presente na água. Mas a prática não é unanimidade. Sonia Corazza diz que o fato de a água ser boa pra beber não significa que vai fazer bem para o cabelo. “Você está depositando mais minerais no cabelo, e o ideal é tirar. Eu sempre indico para os salões investirem num desmineralizador para a cliente ficar feliz”, diz a engenheira química.

 

Gifs gatos e cachorros

 

Algo entre nós

Você lava o rosto diariamente com um sabonete facial indicado pela sua dermatologista e não vê melhorias na pele? A resposta pode estar saindo da sua torneira. “A água clorificada promove uma desidratação da pele, causando a perda das defesas naturais”, afirma a dermatologista Mônica Aribi, de São Paulo. E quem já apresenta tendência a ter acne, eczemas, dermatites e psoríase sofre ainda mais com o aumento das irritações e da oleosidade. Tem mais: “Também pode haver elementos químicos como metais pesados, ozônio, flúor, ferro e chumbo, que aumentam o stress oxidativo do organismo”, afirma a dermatologista Paula Sanchez, de São Paulo. Para garantir uma limpeza efetiva e saudável, Mônica sugere aplicar um demaquilante antes do banho e completar com um tônico ou água micelar depois de sair do chuveiro — ela limpa respeitando o equilíbrio fisiológico do rosto.

 

Borrifadas refrescantes

A água termal, vendida nas farmácias e muito mais cara do que aquela que sai do nosso encanamento, é rica em minerais como selênio e micropartículas de manganês, benéficos para a pele. “Deixá-la na geladeira é uma excelente ideia, pois, além de todos os benefícios, ainda refresca a pele. O ritual é especialmente indicado para quem tem rosácea, pois diminui a temperatura do rosto”, diz Mônica. Ela atua no equilíbrio iônico do corpo e, entre suas finalidades, trata feridas, inflamações, coceiras e repõe os íons na pele. Vale o investimento.

 

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