Única e original: ótimos motivos para conhecer a Nicarágua

Um país pequeno que reúne 18 vulcões, praias paradisíacas, um lago gigante e um povo encantador. Difícil não se apaixonar pela Nicarágua.

“Itinerário atualizado: amanhã, vamos direto do aeroporto para o vulcão Masaya, então usem roupas confortáveis.” Eu estava no Brasil prestes a embarcar — e, ainda bem, de tênis e calça legging — quando recebi o roteiro da minha viagem para a Nicarágua. Até então tinha pouquíssimas informações sobre o país, e muitas delas eram baseadas em clichês. Foi lendo a programação da viagem que descobri sobre os vulcões, as boas praias para surfe e o grande lago lotado de pequenas ilhas. Ainda não imaginava que a experiência de ver tudo isso de perto seria tão encantadora e cheia de aventuras.

A Nicarágua virou destino trendsetter e vem aparecendo com mais frequência na lista de viajantes descolados e que curtem ecoturismo por várias razões: em uma área um pouco maior do que 130 km², reúne atrações que vão de mar a montanha em paisagens quase selvagens, com muita contemplação e contato com a natureza.

É surpreendente como esse pequeno país da América Central consegue misturar aventura, história e — por que não? — luxo em paisagens de tirar o fôlego. Passei cinco dias por lá, o suficiente para lotar meu feed do Instagram com imagens minhas praticando tantos esportes que geraram comentários surpresos até dos meus amigos mais atléticos.

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(Duvulgação/Divulgação)

Aventura em erupção

Como disse, minha primeira parada no país foi num vulcão. Dirigimos meia hora de carro do aeroporto de Manágua, a capital, para chegar ao Masaya. Para minha surpresa, as roupas nem precisavam ser tão fitness e confortáveis. Uma pequena estrada construída por entre as lavas secas de uma erupção do ano de 1722 permite que se vá de carro até o topo do vulcão.

Nunca na vida pensei em chegar tão perto de um. Parecia que eu estava em um filme ao ver aquela espuma grossa de fogo borbulhando tão de perto. O cheiro de enxofre é forte e a fumaça fez com que em 15 minutos eu começasse a tossir, mas valeu cada segundo. É daqueles momentos de contemplação absoluta à força da natureza, sabe? O melhor horário para visitar é entre as 17h30 e as 19h30 — ao anoitecer, o contraste com a escuridão faz a lava ficar ainda mais nítida. Um espetáculo natural que custa cerca de 30 reais por pessoa.

Vulcões são parte importante da geografia e do turismo da Nicarágua. Visitei também o Parque Nacional de Mombacho, com um vulcão ativo mas que não entra em erupção desde o século 16, por isso a programação é mais intensa, segura e divertida: por 30 dólares curti as 12 tirolesas entre as matas e ainda pude fazer algumas trilhas.

Nossa segunda parada foi em Granada. Uma típica cidade colonial, fundada em 1524 e patrimônio histórico protegido pela Unesco. Localizada às margens do Lago Nicarágua, é uma cidadezinha turística, humilde mas bem conservada, sem sujeira nem pobreza, ao menos aparentes. A arquitetura encanta, e observar a vida dos cerca de 130 mil habitantes idem. Ao passear por ali, dei de cara com a Calle la Calzada, rua fechada cheia de bares e restaurantes que promete agito durante a noite. Vale a pena se organizar para dormir na região e aproveitar o clima de animação tipicamente latino.

 

Segredo revelado

Passei minhas noites no Mukul Beach, Golf & Spa, resort de luxo que já recebeu hóspedes famosos como Morgan Freeman, Scar-lett Johansson e o casal Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones. O nome do hotel tem origem na língua dos antigos povos maias (que, aliás, habitavam a região) e quer dizer “segredo”.

Essa vibe meio secreta fica bem vívida ao chegar ao hotel. Apesar de uma extensa área de 680 hectares, com direto a praia particular, o hotel tem poucos quartos: são 37 chaves, e com 77 pessoas o resort já está com sua total capacidade. Por isso, é um refúgio perfeito para quem busca conforto, calmaria e muito contato com a natureza. As diárias dos quartos mais simples, os bohios, saem por 400 dólares para duas pessoas e incluem café da manhã, translado ao aeroporto, bebidas do frigobar e garrafas de rum Flor de Caña — marca tradicional do país e que pertence à mesma família dona do hotel, os Pellas. De humilde as habitações não têm nada: são cabanas isoladas com vista para o mar, que ficam no alto da colina e mais parecem uma casa na árvore, mas bem diferentes das que sonhávamos ter quando crianças — no Mukul, cada quarto tem um deque com piscina privativa, que pode ser aquecida. Pedi aos gentis funcionários do hotel que deixassem a minha pronta para quando eu voltasse de um dos passeios de caminhada e aventura. Terminei meu dia relaxando o corpo na água quente ouvindo barulhos da natureza enquanto tomava uma Toña, a cerveja local. A vida é feita desses momentos.

Tomar café da manhã no deque contemplando a mata é uma experiência reenergizante. Só tem que ter cuidado para não ter que dividir o lanche com os outros moradores do lugar: a fauna do Mukul possui mais de 100 espécies de pássaros. Os mais destemidos roubaram meus biscoitos em um momento em que, distraída, fui tirar uma foto da paisagem. Ao passear pelo hotel, também vi tartarugas, guaxinins e alguns macaquinhos.

A minha estada por lá ainda incluiu aulas de ioga com vista para o oceano e uma sessão em um dos SEIS (!) spas do hotel, que oferecem de tratamentos tradicionais a alguns tipicamente locais (com lavas vulcânicas, por exemplo). Escolhi um que misturou uma massagem com os pés em minhas costas — sempre vi nos filmes e tinha vontade de fazer — e um tratamento com Juan Carlos Yamuna. Nascido na Costa Rica, ele mistura as técnicas que a avó chinesa ensinou com as que aprendeu na Índia. Hoje, pessoas de vários lugares do mundo vão ao Mukul por causa da sua fama — diga-se de passagem, merecida: apenas pressionando partes específicas do meu corpo ele descobriu que eu havia tido um problema de intestino recentemente e me deixou mais zen do que nunca.

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(Divulgação/Divulgação)

Perto da água

Das várias definições que escutei para o nome Nicarágua — que vão desde o título desta reportagem até uma homenagem aos povos indígenas Nicarao, que ocupavam a região —, a que achei mais apropriada foi “perto da água”. O país é banhado pelo mar tanto a leste quanto a oeste. Na Costa Esmeralda, onde fiquei hospedada, as praias são perfeitas para o surfe. Os balneários de Popoyo, San Juan del Sur e Manzanillo atraem surfistas de todos os cantos do mundo — pode ligar o radar para encontrar caras gatos com prancha nas mãos. A Playa Manzanillo, em frente ao hotel, foi onde fiz meu batismo em cima de uma prancha. Dentro do resort há uma filial da agência-escola australiana Tropicsurf, que oferece aulas de surfe, aluguel de pranchas (60 dólares/dia) e os chamados “surfaris” para os mais experientes explorarem outros points da costa.

Pegar a primeira onda da vida é das experiências emocionantes que todo mundo merecia viver. Os 165 dólares podem parecer um valor alto a princípio, mas garanto que a experiência valem cada centavo. Durante 1h30, o professor Alex McKendric — um australiano loiro, alto, de queixo quadrado e com protetor solar no nariz que personifica o estereótipo de um surfista — teve a maior paciência do mundo ao dar dicas teóricas e práticas e me encheu de incentivo para que eu conseguisse pegar ondas como amadora mas me sentir quase profissional.

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(Divulgação/Cosmopolitan)

Porém, o melhor ainda estava por vir. No último dia, pegamos uma lancha para passear pelo lago que leva o nome do país. O Nicarágua tem cerca de 8 mil km² e é tão grande que mais parece que estamos no mar — no horizonte só se vê água por todos os lados e, em dias de céu limpo, a grande ilha de Ometepe, formada pelos vulcões Concepción e Maderas.

O lago é uma atração à parte. Tudo bem que sou chorona, mas navegar por entre as 365 ilhas formadas por uma erupção de 20 mil anos é um passeio para não esquecer. Os tours custam entre 15 e 80 dólares — dependendo do tamanho da lancha e da duração. Fiz o de 40 dólares, que passa por 50% das isletas. O passeio é guiado por moradores locais, que dão toda a graça e significado a cada uma das pequenas formações de terra. De fora, as pequenas ilhotas podem parecer iguais, mas ali moram cerca de 2 500 pessoas. Cada ilha abriga casas de família, igrejas, hotéis e escolas — em vez de ônibus escolares, as crianças da região aprendem, desde pequenas, a pilotar os botes, que são essenciais para o deslocamento. Uma fofura de ver.

Ver de perto ilhas formadas por lavas, aprender a surfar, andar de tirolesa entre as matas de um vulcão, visitar cidades históricas… Essa mistura louca e emocionante combina direitinho com o slogan que o país usa para divulgar seu turismo: #OnlyNica. Só na Nicarágua mesmo já vi tudo isso reunido. Realmente um país único!

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(Divulgação/Cosmopolitan)

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