“COSMO me ajudou a enfrentar o diagnóstico de esclerose múltipla”

Hoje é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla e a leitora Cynthia Macedo, advogada de 28 anos, contou sobre sua luta contra a doença.

 

“Quando eu poderia imaginar que uma revista seria capaz de me ajudar em um dos momentos mais difíceis da minha vida: a descoberta de um diagnóstico muito sério? E ainda dar um empurrãozinho para que eu recuperasse minha vontade de ser feliz. Parece muito, né? Mas foi isso que COSMOPOLITAN fez por mim.

Ser advogada nunca foi meu sonho, mas, assim que entrei no mercado de tra­balho, a profissão se revelou a minha vo­cação. Eu me especializei em direito tribu­tário e logo fui contratada por um escritó­rio. Até aí, um grande sucesso. Só que, com isso, vieram também alguns problemas. Sempre fui de agarrar o mundo e não per­cebi quando estava ultrapassando os limi­tes, do meu corpo e da minha mente. En­trava na empresa às 8 horas e ia ficando, ficando… muitas vezes até a meia-noite! Não tinha mais final de semana, desapare­ci da vida dos amigos, não cultivava rela­cionamentos… Meu trabalho era minha vida – e, pior, meu hobby. Fui pirando!

Em dezembro de 2013, comecei a sentir uma tontura estranha. As coisas rodavam, de repente eu perdia a força nos braços e nas pernas. Como trabalhava demais, atri­buía os sintomas ao stress e ainda brincava com minha mãe e irmã, dizendo: ‘Ih, tô com um negócio na cabeça’. Até que co­mecei a desconfiar de que pudesse ser algo mais grave. Tentei marcar um neuro­logista, mas era época de festas de fim de ano, então não consegui horário. Minha mãe, que é o anjo da minha vida, não que­ria deixar que eu fosse medicada no pron­to-socorro, por medo de que eu tivesse algo mais sério e acabasse mascarando os sintomas com o tratamento errado. Ela me fez insistir na busca por um médico espe­cializado. Enquanto isso, eu jogava meus sintomas no Google e as opções que apa­reciam na busca iam de labirintite a escle­rose múltipla. Pensei no melhor, claro, e procurei um otorrino. Ele disse que ia tentar me estabilizar para que eu conseguisse fazer alguns exames e, possivelmente, con­firmar a labirintite. Estar com a perna e o braço sem movimento não era normal, mas seriam necessários alguns testes para me dar um diagnóstico definitivo.

Mesmo tomando o remédio prescrito por ele, eu só piorava e já estava ficando deprimida. Voltei ao consultório. Passei a associar à medicação que já tomava pílulas de Rivotril – com acompanhamento. Foi então que fiz uma ressonância magnética e recebi o resultado: esclerose múltipla, uma doença crônica, pouco conhecida e ainda sem cura, que acomete o sistema nervoso central e afeta a capacidade de andar e falar, entre outros sintomas. A pri­meira coisa que passou pela minha cabeça foi: ‘Acabou. Não tenho mais tempo para nada’. Não pensei que morreria, mas bateu a sensação de que eu seria um peso para a minha família para o resto da vida.

Meu médico caiu do céu. A doença não é tão provável e, se não é feita uma inves­tigação a fundo, isso pode atrasar o diag­nóstico e só complicar a situação. Muitas vezes, quando a pessoa descobre, a escle­rose já está em um nível muito avançado e os tratamentos não são tão efetivos. O que não foi o meu caso, que descobri bem no começo.

Ao que tudo indica, fui diagnosticada durante meu primeiro surto (‘surto’ é o que a gente chama de exacerbação de sinto­mas). Isso significava que meu prognóstico era muito bom, embora o resultado mos­trasse que eu tinha várias inflamações no cérebro. Quando me internei para o meu primeiro tratamento, já não movia mais nem meu braço nem minha perna do lado direito, minha visão estava dupla, eu sentia náuseas, formigamento e uma fadiga intensa.

O pior de tudo, na verdade, era o desco­nhecimento em torno da doença. Chegava gente ao hospital para me visitar e me dizia: ‘Conheci fulano que tinha isso. Ele morreu’ ou ‘Sicrano, que tem isso, está na cadeira de rodas’.

Para tratar as inflamações e estabilizar meu estado de saúde, tive de tomar doses altíssimas de corticoides. Melhorei e saí do hospital. Cumpri uma rotina pesada de fisioterapia, pilates… E experimentei um tratamento inédito para mim, com medicamentos fortíssimos. Foi aí que as coisas pioraram. Ele foi o gatilho de um surto psicótico, marcado por crise de identidade, mania de perseguição, sín­drome do pânico e euforia. Eu sabia que tinha algo estranho comigo, mas culpava a doença nos poucos momentos de reali­dade. Na maior parte do tempo, estava fora de mim.

Nessa época, COSMOPOLITAN entrou na minha história. Comprei a revista de janeiro de 2013, com a atriz Carolina Dieckmann na capa (olha a coincidência: justo ela está nesta edição também!), e me tornei leitora assídua. Mas não queria fazer isso sozinha, não! Obrigava todo mundo a acompanhar minha leitura. Eu deixava a revista com o marcador de página e avisava: ‘Não é para passar do ponto que li’. Comprava uma edição atrás da outra, devorava cada re­portagem, mas depois nem me lembrava de ter ido à banca, por exemplo.

Quem percebeu a seriedade do que se passava foi uma amiga da minha família, psiquiatra. Procurei ajuda. Era tudo efeito dos novos remédios. Vencido esse surto psicótico, sofri um efeito rebote: entrei em depressão. Não tinha vontade de ler ab­solutamente nada. Coloquei os exempla­res da revista em uma caixa e os esqueci.

Meu surto seguinte foi silencioso. Eu havia criado um blog, o EM para Leigos, para discutir a esclerose, e havia voltado a trabalhar aos poucos. Sou obrigada a praticar esportes, comer direito, para fortalecer o corpo. Mas, logo que me senti fisicamente bem, deixei tudo isso de lado e retomei meu ritmo superacele­rado. Não tive sintomas aparentes, então me considerava ótima. Só descobri o surto no exame de rotina: estava com lesões no cérebro na região associada a mudanças de comportamento e até a convulsões.

Foi quando decidi arrumar algumas coi­sas minhas e encontrei aquela primeira COSMOPOLITAN. Comecei a folheá-la e percebi que havia grifado várias frases, principalmente na carta da diretora. Sem me dar conta, eu havia marcado todos os trechos da revista que falavam sobre escolher a felicidade. Hoje acredito que, mesmo sem consciência plena, mudei a minha vida lendo aquelas palavras. E no momento em que tinha a revista nas mãos de novo decidi que nunca mais poderia voltar ao fundo do poço. Quando li minhas marcações, disse a mim mesma: ‘Eu preciso escolher ser feliz. Essa é a minha vida e a decisão é só minha!’ Na hora troquei de roupa e fui caminhar na praia. A partir daquele momento, resolvi me amar de novo. Não tenho um relacio­namento sério há anos, mas não deixava as pessoas se aproximarem de mim. Agora estou pronta. Acabo de abrir meu próprio escritório. Vou deixar a vida me levar e fazer tudo o que posso. A minha escolha todos os dias é a felicidade!”

 

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