Fui vendedora de uma sex shop por um dia

Nossa repórter deixou qualquer inibição ou preconceito de lado e conheceu um universo vasto de prazer

Cheguei à portaria de um prédio comercial já nervosa e ansiosa. Era a primeira vez que entrava em uma sex shop e a rua onde ela fica é bem movimentada. Combinei com a proprietária, Adriana Bittencourt, que passaria um dia com ela, observando o atendimento, aprendendo e me aventurando como vendedora.

Quando disse aos porteiros — eram três homens atrás do balcão — que iria à sala 14, um já gritou “Ah, é a sex shop”. Quis sumir de vergonha (S.O.S.), pois havia outras pessoas na recepção, que logo olharam para mim.

Quando subi, entrei e fiquei surpresa com a quantidade de produtos. A imagem que tinha na cabeça de vários pênis de borracha, com tamanhos, espessuras e cores diferentes, foi logo desfeita. É claro que esses “artigos” também estavam lá, mas havia um mundo de exemplos.

Adriana me contou que a ideia de criar a loja, chamada Mais Prazer (MP), surgiu quando ela assistiu ao filme De Pernas pro Ar, de 2010. “Eu me vi na figura enlouquecida da personagem da Ingrid Guimarães e resolvi apostar nessa ideia. Eu e meu marido, Cassius, procuramos o fornecedor que patrocinou o filme, a Adão e Eva Toys, e fomos conhecer os produtos”, relembra. Depois disso, ela decidiu abrir a loja online em 2014 e a física em junho de 2016.

Quem viu o filme deve se lembrar de um coelhinho de pelúcia que guardava um vibrador. Adriana tem um igualzinho, que fica sentado em uma de suas prateleiras. Advogada há mais de 20 anos, trouxe para Santos um formato de atendimento pouco comum no comércio. De um lado da porta está o escritório de advocacia. Do outro fica a “lojinha” do prazer. Quem quiser pode aparecer sem marcar horário, mas os que preferem a discrição podem agendar e ter atendimento exclusivo.

São muitas novidades sexy todos os meses, e ela confidencia que experimentou boa parte. “Eu sou o ratinho de laboratório da Mais Prazer; tudo que tenho aqui, ou quase tudo, testo com meu marido. ” Dos mais eróticos aos mais românticos, estímulo ali não falta.

 

MAIS PRAZER EM AÇÃO

Logo entendi a proposta e fui entrando no clima da loja. Em poucos minutos o interfone tocou. Era minha primeira cliente, Juliana*, 30 anos, que conheceu os produtos dentro de um salão de beleza em uma exposição da MP.

Na sex shop, o papo é bem aberto, e, como Juliana estava se sentindo à vontade, me contou sobre seu primeiro toy, o Egg (masturbador masculino, Tenga, R$ 50). Na época ela estava namorando e quis surpreender o gato em uma data especial. A peça de silicone vem dentro de um ovinho e é um massageador peniano para masturbação.

Ela me disse que usou com o então namorado vendado e ele adorou. Hoje, mesmo solteira, ela continua frequentando a MP. “Estou sozinha, mas quero me sentir bem, conhecer meu corpo. Masturbação é algo tão bem-aceito entre os homens, mas em uma rodinha de amigas boa parte torce o nariz.” Juliana escolheu um pequeno vibrador e um desodorante íntimo.

Pouco depois, chegou Luciana*, uma mulher casada com pouco mais de 40 anos. Ela veio atrás da “borboletinha” (vibrador clitoriano Mini Borboleta Mágica, Adão e Eva, R$ 62), que viu na internet. O produto é de silicone e deve ser posicionado na altura do clitóris. Não é preciso segurar, pois ele vem com tiras ajustáveis e pode ser vestido como calcinha.

Ela parecia estar bastante confortável: pegou a borboletinha, ligou o controle e foi sentindo o toy com as mãos. Aumentou a velocidade e começou a dar risada. “Gostei, ele é bom… tem mais?” Mostrei a ela alguns vibradores bem mais ousados, maiores e para serem introduzidos. Matei a curiosidade da cliente, mas ela me disse que por enquanto ainda estava se acostumando e que talvez um dia comprasse um daqueles.

Adriana me contou que Luciana, na última visita, havia levado um pequeno vibrador, daqueles que nem se desconfia o que é, de tão pequeno. O marido dela faz muitas viagens, mas nem por isso Luciana passa vontade sozinha em casa. Ela pediu que eu mostrasse produtos para serem usados a dois, pois queria fazer uma surpresa para o marido. Mostrei um gel que dá sensação de formigamento, géis beijáveis com sabor e o Kung Fu.

O Kung Fu (Pessini, R$ 56,70) é uma dupla de gloss e spray que estimula o beijo. Cada um usa um dos produtos e quando eles se encontram o resultado é “não dá mais para parar de beijar”, me confidenciou Adriana, que já havia testado. Ainda olhando para as prateleiras, vi que Luciana queria algo mais. Me disse que precisava de um figurino para o dia da chegada do marido. Mostrei alguns modelos de acordo com o estilo dela. Elegante e clássica, escolheu um body rendado, frente única, de cor vinho.

 

Veja também: O que rola dentro de uma fábrica de sex toys

 

MAS CADÊ OS HOMENS?

As meninas que trabalham na sex shop me contaram que o público maior continua sendo feminino, mas a procura dos homens tem aumentado. As mulheres costumam ouvir e perguntar mais. Já os homens são mais objetivos e na maioria das vezes entram já sabendo o que vão comprar. O caminho mais normal é o cliente visitar o site e fazer perguntas pelo WhatsApp. Foi pelo aplicativo que atendi Jorge*. Ele já sabia como iria agradar a namorada e escolheu os produtos pelo site de compras. Naquele dia, Jorge levou duas lingeries e um gel beijável (Intt, R$ 20).

O segundo cliente pelo aplicativo me contou que estava fora do Brasil, nos Estados Unidos, mas que queria mandar presentes para duas amigas brasileiras. Daniel* confiou no meu bom gosto e pediu que eu escolhesse uma calcinha e um gel beijável para cada uma delas e entregasse quanto antes.

Uma das vendedoras, Raisa Moares, me disse que não é comum casais frequentarem a MP. “É mais fácil vir um homem sozinho procurar algo para a namorada do que acompanhado. Já os homossexuais costumam apostar em fetiches e brincadeiras”, conta.

Mas os vibradores ainda são os mais vendidos, principalmente para mulheres. “Aqui ouço de tudo, algumas dizem que usam para se estimular sozinhas, outras junto com o parceiro ou até para penetração dupla”, explica.

 

Veja também: 5 sex toys que você tem em casa e nem sabia

 

FUNCIONÁRIA DO MÊS

Ao fim do dia de trabalho, refleti sobre os caminhos a que o jornalismo me levou. Vendedora de sex shop por um dia: que demais! Tinha bastante curiosidade e vi tantas novidades que não sabia nem por onde começar. Em pouco tempo tive de aprender e explicar aos clientes. Quanta responsabilidade!

Em uma rodinha de amigas, não sou a que fala mais abertamente sobre sexo. Na verdade, costumo ouvir e até aprender com algumas histórias. Essa experiência me fez enxergar um mundo de sensações que convida qualquer pessoa a se aventurar, inclusive eu.

Nas sex shops, encontramos velas que se transformam em óleo corporal, géis beijáveis para serem utilizados no sexo oral, algemas, máscaras e muitos outros artigos. Ficou com vontade? É só ter criatividade e se permitir experimentar. Posso te ajudar?

 

A Mais Prazer, onde vivi essa experiência, fica na Rua Joaquim Távora, n° 93/14, na Vila Mathias, em Santos, litoral de São Paulo. Para agendar um horário, é só entrar em contato pelo WhatsApp da loja: (13) 99158-8258. E quem quiser conhecer o site é só acessar http://www.maisprazer.com.br

 

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