Leia um trecho bem picante do livro “Estranho Irresistível”, de Christina Lauren

Depois de "Cretino Irresistível", chegou a hora de você se deliciar com o segundo volume da série.

Foto: Divulgação 

– O que exatamente você está oferecendo?

Olhei aqueles estranhos olhos iluminados que se mostravam interessados em tudo ao seu redor. Ele parecia normal, muito são para alguém que me seguiu através de uma boate e disse tão espontaneamente que queria me tocar. Lembrei de Andy e o quanto ele raramente – exceto para manter as aparências – queria meu toque, minha conversa, meu qualquer coisa. Seria assim com ele? Uma mulher o puxaria de lado, se ofereceria, e ele tomaria o que precisasse antes de voltar para casa? Enquanto isso, minha vida tinha se tornado tão pequena que eu mal podia lembrar como preenchia as longas noites solitárias. Será que eu estava sendo gananciosa demais por querer tudo? Uma carreira incrível e um momento louco aqui e ali?

– Você não é um psicopata, é?

Rindo, ele beijou meu rosto.

– Você está sim me deixando meio maluco, mas não, não sou um psicopata.

– Eu só… – comecei a falar, e então olhei para baixo. Pressionei minha mão aberta em seu peito largo. Sua blusa cinza era incrivelmente macia. Caxemira, pensei. O jeans era escuro e o envolvia perfeitamente. Os sapatos pretos não tinham um arranhão. Tudo nele era meticuloso.

– Acabei de me mudar para cá – parecia uma boa explicação para a tremedeira em minha mão.

– E um momento como este não parece muito seguro, não é mesmo?

Balancei a cabeça.

– Não mesmo.

Mas, então, estiquei o braço, agarrei seu pescoço e o puxei para mim. Ele acompanhou o movimento e sorriu, antes de nossos lábios se encontrarem. O beijo foi a combinação perfeita entre suavidade e firmeza, com o uísque esquentando seus lábios contra os meus. Ele gemeu um pouco quando abri a boca e o deixei entrar, e a vibração ateou fogo em mim. Eu queria sentir todos os seus sons.

– Você tem um sabor tão doce. Qual é o seu nome? – ele perguntou.

Com isso, senti a primeira onda real de pânico.

– Nada de nomes.

Ele se afastou um pouco e me encarou, com as sobrancelhas erguidas.

– Então como devo te chamar?

– Do mesmo jeito que você vem fazendo até agora.

– Flor?

Confirmei com a cabeça.

– E como você vai me chamar quando estiver gozando? – ele deu outro pequeno beijo.

Meu coração bateu mais forte com aquele pensamento.

– Acho que isso não importa, não é mesmo?

Erguendo os ombros, ele aceitou:

– Acho que não.

Tomei sua mão e a coloquei na minha cintura.

– A única pessoa que me deu um orgasmo no último ano fui eu mesma – movi seus dedos até a barra do meu vestido e sussurrei: – Você acha que consegue mudar isso?

Pude sentir seu sorriso contra minha boca quando ele me beijou novamente.

– Você está falando sério?

A ideia de me oferecer para esse homem num canto escuro de uma boate era um pouco assustadora, mas não o bastante para me fazer mudar de ideia.

– Estou falando sério.

– Você é um problema.

– Juro que não sou.

Ele se afastou o suficiente para examinar meu rosto. Seus olhos se moveram até que seu olhar voltou a mostrar aquele sorriso.

– Essa coisa de você nem ter ideia do quanto é…

Ele me virou e pressionou meu corpo contra o muro de vidro para que eu olhasse a massa de corpos se contorcendo lá embaixo. As luzes pulsavam, penduradas bem na minha frente em barras de ferro que se estendiam pela boate, iluminando o andar de baixo, enquanto nosso canto se mantinha praticamente no escuro. Começou a subir um vapor das aberturas na pista de dança, cobrindo até os ombros as pessoas que dançavam; ondas se formavam na superfície seguindo o movimento das pessoas.

Os dedos do meu estranho tocaram na barra do meu vestido por trás, e então ele subiu o tecido, deslizando a mão pela minha calcinha, passando pela bunda e entre minhas pernas, onde eu definitivamente desejava seu toque. Aquela posição vulnerável não me envergonhou: eu me arqueava para trás em sua mão, já completamente perdida.

– Você está muito molhada, flor. O que você gosta? A ideia de que estamos fazendo isso aqui? Ou eu ter te observado enquanto você pensava em transar comigo no meio da pista de dança?

Eu não disse nada, pois fiquei com medo do que poderia ser a resposta, e perdi o fôlego quando ele deslizou um longo dedo dentro de mim. Pensamentos sobre o que eu deveria fazer evaporaram enquanto eu pensava sobre a velha e chata Sara em Chicago. A previsível Sara que sempre fazia aquilo que todos esperavam dela. Eu não queria mais ser essa pessoa. Eu queria ser irresponsável, selvagem, jovem. Eu queria viver para mim mesma pela primeira vez na minha vida.

– Você é pequenina, mas, quando está molhada assim, tenho certeza que consegue aguentar três dedos facilmente.

Ele riu num beijo que pressionou por trás do meu pescoço quando uma ponta do dedo circulou meu clitóris, provocando lentamente.

– Por favor – sussurrei. Não sei se ele podia me escutar. Seu rosto estava apertado contra meus cabelos e eu podia sentir seu pau pressionando a lateral da minha cintura, mas, fora isso, eu estava alheia a qualquer outra coisa, pois seu longo dedo deslizava novamente dentro de mim.

– Sua pele é incrível. Principalmente aqui – ele beijou meu ombro.

– Você sabia que a parte de trás do seu pescoço é perfeita?

Eu me virei e sorri para ele. Seus olhos estavam arregalados e claros, e, quando encontraram os meus, voltaram a se curvar num sorriso. Nunca olhei alguém nos olhos tão de perto ao ser tocada daquela maneira, e algo sobre aquele homem, aquela noite e aquela cidade fez com que eu imediatamente tivesse certeza de que era a melhor decisão que eu já havia tomado. Querida Nova York, você é brilhante. Com amor, Sara.

P.S.: Definitivamente não é o álcool falando.

– Eu não tenho muitas oportunidades para olhar o meu pescoço por trás.

– É realmente uma pena – ele retirou a mão e eu senti um frio onde seus dedos quentes estavam. Colocou a mão no bolso e tirou um pequeno pacote. Uma camisinha. Ele tinha uma camisinha no bolso. Eu nunca teria pensado em levar uma camisinha para uma boate qualquer.

Virando-me para encará-lo, ele nos fez girar e me pressionou contra a parede, beijando primeiro com suavidade, depois com um jeito furioso e faminto. Quando pensei que iria perder o fôlego, ele começou a explorar, chupando meu queixo, minha orelha, meu pescoço, encontrando o ponto onde minha pulsação batia freneticamente.

Meu vestido tinha voltado a cobrir minhas coxas, mas seus dedos brincavam com a barra, levantando-a lentamente.

– Alguém pode aparecer aqui – ele me lembrou, dando uma última oportunidade para eu parar aquilo, apesar de já estar abaixando minha calcinha o suficiente para que eu pudesse tirá-la completamente.

Mas eu não me importava. Nem um pouco. E talvez até uma pequena parte de mim queria que alguém aparecesse, para que pudesse ver esse homem perfeito me tocando daquele jeito. Eu mal podia pensar em qualquer outra coisa além do lugar onde ele estava tocando, o jeito como minha saia estava agora levantada até a cintura, a maneira como ele pressionava tão forte e insistentemente em minha barriga.

– Eu não ligo.

– Você está bêbada.

– Bêbada demais para isso?

– Quero que lembre que eu comi você.

– Então faça isso de um jeito inesquecível.

Levantou minha perna, deixando-me exposta ao frio do ar-condicionado que soprava acima de nós. Prendeu meu joelho ao redor de sua cintura, e agradeci por estar usando salto alto. Coloquei meu braço entre nós e desabotoei sua calça, puxando a cueca para baixo apenas o bastante para deixá-lo livre. Envolvi sua ereção com a mão e a esfreguei por toda a minha pele molhada.

– Droga, flor. Deixe eu colocar isso.

Suas calças estavam abertas, mas tinham caído apenas um pouco abaixo da cintura. Se alguém nos visse por trás, poderia até pensar que estávamos dançando, talvez apenas nos beijando. Mas ele pulsava em minha mão, e a realidade da situação me deixou louca. Ele iria me tomar ali mesmo, pairando sobre a pista de dança lá embaixo. Naquela multidão, havia pessoas que me conheciam como a Sara Boazinha, a Sara Responsável, a Sara do Andy. Nova casa, novo emprego, nova vida. Nova Sara.

Meu estranho era pesado e muito comprido em minha mão. Eu o desejava, mas também fiquei um pouco assustada com todo aquele tamanho. Não sei se já tinha encarado um homem tão duro.

– Você é grande – eu disse sem pensar.

Ele sorriu, como um lobo realmente pronto para me devorar, e rapidamente rasgou o pacote da camisinha com os dentes.

– Isso é a melhor coisa que você pode dizer para um homem. Você poderia até dizer que não sabe se vai caber tudo. Passei a ponta na minha entrada e tremi por causa disso. Ele era tão quente: pele macia envolvendo uma rocha.

– Droga. Vou gozar na sua mão inteira se você não parar com isso – ele tremeu um pouco com a urgência enquanto afastava minha mão para vestir a camisinha.

– Você sempre faz isso? – perguntei.

Parado na minha frente, pronto para a ação, com o sorriso mirando meu rosto, ele disse:

– Isso o quê? Sexo com uma mulher linda que não quer me dizer seu nome e prefere transar num corredor público ao invés de num lugar apropriado como uma cama ou uma limusine? – ele começou a entrar, demoradamente. A luz acendeu em seus olhos e, meu Deus, eu não achava que sexo com um estranho pudesse ser tão íntimo assim.

Ele observou cada reação em meu rosto. – Não, flor. Tenho que admitir que nunca fiz isso. Sua voz estava normal, mas então suas palavras começaram a falhar, pois já estava profundamente dentro de mim, ali no meio daquela boate caótica, com luzes e música pulsantes ao nosso redor, com pessoas passando a apenas alguns metros sem saber de nada. E, mesmo assim, todo o meu mundo estava reduzido ao lugar onde ele me penetrava, onde esfregava com firmeza no meu clitóris em cada estocada, onde a pele quente de sua cintura pressionava as minhas coxas.

Não houve mais nenhuma conversa, apenas estocadas que foram aumentando em velocidade e intensidade. O espaço entre nós se preencheu com sons abafados de desejo e súplica. Seus dentes morderam meu pescoço e eu agarrei seus ombros com medo de cair no vão ou em outro lugar que não fosse a pista de dança, mas um mundo onde adorava estar exposta, com meu prazer visível para quem estivesse observando – principalmente se fosse aquele homem.

– Deus, você é linda – ele se inclinou para trás, olhou para baixo e acelerou um pouco. – Não consigo parar de olhar sua pele perfeita e, droga, o ponto onde estou entrando em você…

A luz estava claramente jogando no time dele, pois, da minha perspectiva, ele estava iluminado por trás e eu podia enxergar apenas a silhueta do meu estranho. Não distingui nada além de sombras quando olhei para baixo e visualizei apenas a sugestão do movimento: ele dentro de mim, entrando e saindo. Escorregadio e duro, pressionando fundo em cada passada. E, como se tivesse ouvido meus pensamentos, a luz diminuiu para um tom quase negro acompanhando o som de uma batida lenta e oscilante que preencheu a boate.

– Eu filmei você dançando – ele sussurrou.

Demorou alguns instantes para que suas palavras fossem registradas no meu cérebro.

– O… o quê?

– Eu não sei por quê. Não vou mostrar para ninguém. É só que… – ele encarou meu rosto, diminuindo a velocidade um pouco, provavelmente para me deixar pensar. – Você estava tão possuída. Eu queria me lembrar. Caramba, sinto como se estivesse confessando meus pecados.

Engoli em seco, ele voltou a se aproximar e me beijou. Eu perguntei:

– Você acha estranho eu ter gostado de você ter feito isso?

Ele riu em minha boca, entrando e saindo novamente com estocadas lentas e deliberadas.

– Apenas aproveite, certo? Eu gosto de observar você. E você estava dançando para mim. Não há nada de errado nisso.

Ele levantou minha outra perna, passando as duas ao redor de sua cintura, e, então, por vários perfeitos segundos na escuridão, começou a mexer de verdade. Rápido e urgente, ele deixou escapar os mais deliciosos gemidos, e não haveria dúvida sobre o que estávamos fazendo se alguém aparecesse em nosso pequeno canto no corredor.

Só de pensar nisso – sobre onde estávamos, o que fazíamos e a possibilidade de alguém ver aquele homem me possuindo com tanta força – eu acabei me perdendo. Minha cabeça rolou para trás contra a parede, e eu podia sentir crescendo no meu ventre, tão profunda e pesadamente, uma angústia se acumulando, descendo por minhas costas e explodindo em meu sexo com tanta força que eu tive que gritar, sem me importar se alguém poderia ouvir. E eu nem precisava ver seu rosto para saber que ele estava me observando enquanto eu gozava sem parar.

– Oh, droga – seus quadris perderam o ritmo e então ele soltou um gemido grave, com os dedos enterrados na minha cintura.

Ele vai deixar marcas, pensei. Espero que deixe. Eu queria uma lembrança desta noite, e desta Sara, para melhor diferenciar a nova vida que eu estava tão determinada a construir. Ele parou, apoiando-se em mim, com os lábios encostando gentilmente em meu pescoço.

– Minha pequena estranha, você acabou comigo.

Senti ele pulsar dentro de mim – eram tremores secundários de seu orgasmo – e eu quis que ele continuasse enterrado daquele jeito para sempre. Imaginei como seria nossa imagem para o resto da boate: um homem apertando uma mulher contra a parede, com um pedaço das pernas dela visível ao redor da cintura dele no meio da escuridão.

Sua grande mão acariciou minha perna do calcanhar até a cintura, e, então, com um pequeno gemido, ele se retirou, colocou meus pés no chão, deu um passo para trás e tirou a camisinha. Meu Deus, eu nunca nem cheguei perto de fazer algo tão insano assim antes. Um sorriso tomou meu rosto por inteiro enquanto minhas pernas tremiam quase ao ponto de desabarem.

Não perca a cabeça, Sara. Não perca a cabeça. Foi perfeito. Tudo aquilo tinha sido perfeito, mas teria que terminar ali. Faça tudo diferente de antes. Nada de nomes, nada de compromissos. Nada de arrependimentos.

Ajeitando meu vestido, fiquei na ponta dos pés para beijar seus lábios.

– Isso foi inacreditável.

Ele concordou, gemendo um pouco no meio do beijo.

– Foi sim. Será que podemos…?

– Eu vou descer – comecei a me afastar e dei um tchauzinho.

Ele me encarou, confuso.

– Você está…?

– Bem. Estou bem. Você está bem?

Ele assentiu, parecendo perplexo.

– Então… obrigada.

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