Leia um trecho erótico do livro ‘A Outra’, de Juliana Dantas

Duas irmãs gêmeas trocam de lugar. Uma quer a vida de luxo, outra a pacata. Mas muitas coisas acontecem em meio a essa mudança

“Com um suspiro pesado, fecho o notebook e saio do quarto.

Não sei mais o que fazer. Meus pés pesam como chumbo.

Chego à cozinha e me coloco em frente a pia, respirando fundo, lutando por ar. Escuto o som inconfundível do machado na madeira e corro os olhos para fora, para ver Connor cortando lenha.

Sem pensar, abro a porta e saio para o sol pálido de fim de tarde.

Eu não sei o que estava pretendendo quando saiu da casa. Se iria contar a verdade, gritar minha revolta para o mundo ou ajoelhar e chorar.

Ou até mesmo correr e fugir.

Então, quando Connor para o que está fazendo e olha para mim, tudo desaparece ao meu redor.

E só vejo ele. E o desejo em seu olhar, que é um reflexo do meu.

De repente estou em seus braços.

Sua boca na minha.

E sei que não tem mais volta.

O mundo está em chamas.

Aquele velho mundo em que vivi até segundos atrás não existe mais. Eu não existo mais.

Não sou mais Mel, ou Melanie.

Sou um ser sem nome, sem identidade, sem passado, sem presente, sem futuro.

Que apenas sente.

E que vive somente com um propósito. Saciar aquele desejo que arde dentro de mim o mais rápido possível, algo que só aquele cara que me beija com fome e avidez pode fazer. Vivo e respiro para ser consumida por aquele fogo que ele acende em mim.

É como se eu tivesse passado a vida inteira esperando por este momento. Cada segundo em que andei por esse velho mundo foi para que chegássemos a este instante, com sua boca sobre a minha, mãos deslizando afoitas por meu corpo, queimando por onde passam, pousando em meus quadris que ele aperta contra sua ereção exigente.

Sim. Mil vezes sim.

É isto.

Eu preciso disto. Dele. Agora. Dentro de mim. Com força. Vezes sem fim.

— P****, sim! — Connor sussurra contra meus lábios, e me dou conta de que tinha dito aquelas palavras em voz alta. Não me importo. Ele está me beijando de novo, agora com mais força, gemendo dentro da minha boca enquanto suas mãos erguem meu quadril e, no segundo seguinte estou sendo prensada contra a árvore, seu corpo forte se esfregando no meu e é a minha vez de gemer, perdida, derretendo, fraca e entregue àquela vontade, enquanto passo meus braços e pernas a sua volta.

Com uma pequena parte do meu cérebro ainda consciente percebo que está me levando para dentro de casa, vagamente percebo os cômodos ficando para trás, até que estamos no quarto e os lençóis frios me dão boas vindas, assim como o peso maravilhoso de Connor sobre mim.

Oh, Deus, está acontecendo…

Registro a inevitabilidade daquele momento, enquanto o resto do meu ser, alma, corpo e coração deslizam numa doce inconsciência, onde existem somente sensações e aquele homem que desliza minhas roupas para fora do meu corpo trêmulo de desejo.

E tudo passa como numa névoa. A pressa com que as roupas vão desaparecendo. As minhas. As dele.

Nosso desejo é urgente e voraz, não pode esperar mais. Já estamos nas preliminares desde o dia em que eu cheguei ali.

Então, só suspiro, rendida, puxando-o para mim, abrindo minhas pernas para sua invasão mais do que desejada. E, quando ele vem nós dois gememos alto e me movo em sua direção, não só por prazer, também para saber como ele é depois de todo aquele tempo desejando. E é perfeito. É sublime.

Ele se encaixa perfeitamente em mim, como duas peças perdidas de um único ser.

E todo meu corpo se desmancha naquele prazer incrível e diferente de tudo o que já tinha sentido. Nada do que já vivi se comparava a Connor. A força com que ele se movia dentro de mim, arrancando prazer de onde eu nem sabia que era possível, fazendo meu corpo arquear e queimar. Um redemoinho de sensações sendo construído no recanto mais profundo e escondido do meu ser, até se desmancharem em uma onda gigante de êxtase que me faz gritar, perdida naquele arrebatamento enquanto Connor geme roucamente em meu ouvido, seu corpo tencionando sobre o meu em seu próprio gozo.

Depois a quietude é quebrada apenas pelos sons de nossas respirações ofegantes voltando ao normal”

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