O que rola dentro de uma fábrica de sex toys

Invadimos a fábrica de sex toys Fun Factory para saber como as máquinas de orgasmos são produzidas. Spoiler: dá para fazer um personalizado!

Como será que foi feito o seu vibrador?

Acho difícil que qualquer mulher, quando pega seu brinquedinho preferido na mão, tire alguns segundos para pensar sobre como ele foi fabricado. Pode parecer chocante, mas os sex toys passam por linhas de produção industriais tanto quanto um telefone, uma televisão, um tablet… E, refletindo sobre isso, me bateu uma vontade de saber mais. Queria entender todo esse processo. Peguei minhas malas e parti com destino a Bremen, uma cidade no norte da Alemanha com um pouco mais de meio milhão de habitantes, para conhecer a Fun Factory, maior fabricante de brinquedos eróticos da Europa. Estava ansiosa para descobrir como é uma produção de prazer em massa.

Fun Factory

(Divulgação/Cosmopolitan)

Aqui é trabalho

Sabe aquela história de que as primeiras impressões são as que ficam? Ao entrar na Fun Factory, já entendi qual era a vibe do local: ter orgulho daquilo que se produz. Estamos claramente em uma espécie de parque de diversão do sexo. Na entrada, nos deparamos com vários vibradores em exposição. É como se eles fossem obras de arte. São coloridos e estão por todos os lados. Por lá trabalham 50 pessoas, e, espalhados pelos escritórios, adivinhe… Mais vibradores! Toda hora se fala deles ou se pega um. Nada daquele pudor chato ou risinhos bobos. Uma das primeiras curiosidades que encontrei pelo caminho foi um grande aquário onde os sex toys são testados para saber se são à prova d’água. #Prioridades Já pensou que barra estar se divertindo com seu brinquedo no meio do banho e ele parar de funcionar? Além da frustração orgástica, essa falha mecânica causaria um rombo no seu orçamento, pois um brinquedo desse pode custar até 129 euros (algo em torno de 472 reais). Fora esse tal “aquário para pintos de silicone”, a linha de montagem se parece com a de uma fábrica qualquer. Em uma das seções, mulheres montam embalagens de papel à mão; mais adiante, em meio a conversas jogadas fora, outras passam o dia colando pedaços de fios em plástico. Não demorou muito e nos deparamos com mais uma, digamos, atração bem interessante: as duas máquinas que produzem as capas de silicone dos brinquedinhos, a parte colorida que reveste o aparelho. Uma curiosidade: não existem fábricas que produzam máquinas “de fazer” vibradores. Por isso, elas têm que ser projetadas especialmente para isso. A maior parte da produção é manual, porém intensa. A Fun Factory é capaz de produzir 3 mil peças por dia, entre vibradores e dildos. “Gostamos de dizer que produzimos 3 mil orgasmos por dia”, afirma Jessica Kreugel, engenheira que trabalha como diretora de qualidade na fábrica, definindo bem o que os produtos significam para muitas mulheres. E, já que estamos aqui, pausa para mais uma informação interessante. Os produtos da Fun Factory são feitos de silicone. Esse material funciona como se fosse um jeans stretch — que passa por nossas coxas e bumbum se esticando, sabe? No caso do silicone, permite que o toy se adapte aos diferentes formatos da vagina sem machucar as usuárias.

 

Faça você mesma

Não, eles não têm uma máquina de algodão-doce ou pipoca disponível para os visitantes, mas têm algo muito melhor: a possibilidade de fazer o próprio vibrador. Na hora bate aquela dúvida de que cara tem que ter o brinquedinho que vai te levar a clímax intensos.

Cara, é muita responsabilidade ser engenheira por meu orgasmo — afinal, ele já estava nascendo ali, durante a produção do vibrador. Mas respirei fundo e mentalizei o que mais desejo na hora de me masturbar. Toda mulher merecia essa chance. Com a ajuda de um funcionário escolho a cor pink e coloco o molde dentro de um tubo. Passados alguns minutos, chega a parte difícil: tirar o produto. Com muito cuidado, retiro, e é amor, quer dizer, quase clímax, à primeira vista. O meu ficou lindo. Só que não basta ser bonito, tem que funcionar. Jessica coloca o meu próximo ao ouvido por alguns minutos para checar o som que ele fará e me explica: “Se você ouvir um zzzz, é porque está bom”. O meu estava.

Fun Factory

(Divulgação/Cosmopolitan)

Golfinho fora da água

Hoje é comum encontrar em sex shops vibradores com formato de bichinho. Tem borboletas, girafas, coelhos… Mas imagine se deparar com um produto assim há duas décadas. Durante a visita da COSMO, a Fun Factory estava celebrando 20 anos com uma exposição de seus principais produtos. Michael Pahl, um dos criadores, conta a história da marca, que nasceu quando ele e um amigo estavam cursando a universidade de engenharia em Bremen. “Uma amiga reclamou que os vibradores eram feios, que não existia um que fosse legal de verdade. Pensamos e resolvemos desenvolver um para ela. O primeiro que fizemos tinha a forma de um golfinho [risos]”, diz. Eles não poderiam imaginar o sucesso que tal decisão teria. “Somos engenheiros alemães, estudamos o assunto a sério e fizemos direito”, ele ri. O resultado? Mais pedidos de encomendas entre os amigos. A coisa ficou louca mesmo só quando a novidade foi parar na mídia. “Eu morava em um apartamento de 50 m² e a linha de produção ficava ali mesmo. Recebemos muita atenção da imprensa nos primórdios e notamos que o negócio estava crescendo quando recebemos encomendas de empresas e lojas online famosas. Chegou um momento em que precisávamos produzir 200 vibradores por dia, o que era uma loucura. Não dormíamos”, lembra. Depois disso, a marca só fez crescer, e hoje é a maior no segmento na Europa. O grande orgulho do criador é o primeiro vibrador que pulsa feito por eles. Aparentemente, ele é como qualquer outro produto, mas, em vez de vibrar, o toy pulsa em movimentos de vaivém, quase como um pênis de verdade. “Conseguimos fazer algo muito parecido com a realidade. Testamos por vários anos e, quando deu certo, foi uma grande conquista”, conta. Anotado na minha lista: testar esse também!

Fun Factory

(Divulgação/Cosmopolitan)

Sem vergonha

Se depender da Fun Factory, essa história de ser tabu sentir prazer com a ajuda de um sex toy vai desaparecer. Nada mais de lojas com produtinhos que nos dão tesão escondidas em cantos escuros. A marca até criou uma loja conceito em Berlim, que, diferentemente das sex shops que você está acostumada a encontrar pelas ruas, tem um clima moderninho e descontraído para acabar com qualquer tipo de vergonha. “A gente presta um serviço para as mulheres. Me apaixonei por esse mundo”, diz Clarisse Ochs, brasileira e gerente de vendas da fábrica em Bremen. Depois de oito horas dentro da Fun Factory, saí de lá achando que vibrador é algo supernormal. E vale lembrar: é mesmo, tá? Pode aproveitar que está terminando de ler esta reportagem para já comprar (ou resgatar do fundo da gaveta) um que te dê prazer. A sensação ao final do dia é muito melhor do que uma de dever cumprido. Afinal, é de prazer cumprido. 😉 só consigo explicar dizendo que foi quase como se eu tivesse passeado por horas e horas em uma fábrica de chocolate — com direito a levar alguns mimos para o meu próprio prazer para casa.

Fun Factory

(Divulgação/Cosmopolitan)

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