A nova vida de Marina Ruy Barbosa

Ela já pagava imposto de renda quando a gente ainda sonhava com o primeiro beijo. Agora, com seis meses de casada, fala sobre suas certezas e dúvidas

O casamento de Marina Ruy Barbosa significou a separação de Ruth e Raquel. Não, não estamos falando de um universo em que a vida real da atriz nascida em 1995 se misturou à saga das gêmeas vividas por Glória Pires em Mulheres de Areia, novela de dois anos antes. Apenas de dois dos quatro felinos da moça – a metade mais apegada a ela seguiu para a nova casa, a metade afeita à mãe dela permaneceu no lar antigo.

Marina dividiu com a COSMO as primeiras impressões da vida de casada, de como é ser acompanhada nas redes sociais por mais gente que a população de vários países (só no Instagram, são 23 milhões de seguidores), além das dores e delícias de, aos 22 anos, ter 13 de carreira.

Na sua última capa para a COSMOPOLITAN, fazia um mês que você tinha começado a namorar o Alexandre [Aliás, eles nem tinham assumido o relacionamento publicamente, mas nossa equipe viu Xandy buscá-la na saída das fotos].

Sabe que ele se lembrou disso quando contei que vinha fotografar para a revista? Naquele dia, passou para me buscar e fomos jantar. Ele estava ainda entendendo e estranhando um pouco minha profissão. Agora já se acostumou e sabe que esses ensaios não só são parte do trabalho como são momentos que amo e acho divertidos.

Entre a empolgação da festa e a curtição da lua de mel, demora um pouco pra cair a ficha do agora-a-gente-é-casado-e-isso-muda-muita-coisa. Como foi pra vocês?

Ah, direto eu brinco falando: “Você tem noção de que agora é ca-sa-do comigo?” [risos] Acho normal levar um tempo até acostumar a chamar de marido, mas foi uma escolha cheia de certeza. A gente já era casado de alma. O Alexandre é especial, incrível. Um marido balão, sabe?

Que puxa você para cima, é isso?

É. Todo mundo já teve um relacionamento com pessoas âncora, que são exatamente o contrário. Tem gente que traz à tona o melhor de você, e é isso que ele faz por mim: me deixa plena, tranquila para estar bem em todas as outras áreas da minha vida. Ele tem esse dom, me dá a calma também de saber que, mesmo na correria, estamos unidos.

Vocês moram em cidades diferentes e têm horários de trabalho atípicos. Faz sentido perguntar como evitam deixar a relação cair na rotina?

Como meu trabalho tem horários tão loucos, acaba que eu gosto quando tem rotina. Tento aproveitar esses momentos em que a gente consegue se conectar para me desligar de tudo, ficar só com meu amor. Morei com meus pais até casar, então no momento também estou me habituando a pensar no dia a dia de um lar, prestar atenção se é hora de comprar sabonete ou papel higiênico.

Um dos dois sabe cozinhar?

Ele se sai melhor que eu, que me viro no básico do básico. Faço omelete, salada… De fome eu não morreria.

Depois que casou, já apareceu gente perguntando quando vai ter filhos?

Vai demorar. Até lá, ainda tenho muito o que amadurecer e aprender, mudar de opinião, de conceito… Nunca fiz planos sobre com que idade ter filhos ou quantas crianças, e quando for hora de ser mãe vou sentir. Vai ser natural.

Tem artista que começa a carreira cedo, como você, e acaba não segurando a onda. Que dá uma pirada mesmo. Como segurou a onda de crescer diante dos olhos do país?

Por incrível que pareça, com 9 anos eu já tinha algo dentro de mim, e sabia que ser atriz era o que queria da vida. Que isso me fazia muito bem. Fui crescendo e ganhando meu espaço aos poucos. Tive chance de entender e me acostumar com cada etapa e com o aumento gradual da pressão. Um processo natural, e nem sempre é assim para quem está na profissão. E, claro, ter uma base familiar também fez toda a diferença. Meus pais não são artistas, então tinham um certo receio de eu começar nova, me frustrar, mas também foram sentindo enquanto a coisa progredia. Era isso que eu amava, então apoiaram mesmo.

Em geral, adolescente não tem grana para muita coisa. Depende sempre de pedir para os pais. Não foi seu caso, certo?

Eu até já pagava imposto de renda! [risos]

Você nunca ficou no cheque especial, imagino.

Nunca. Foi bom aprender cedo a lidar com dinheiro, porque hoje mantenho uma relação saudável com isso. Não sou uma consumista daquelas que fazem extravagâncias porque sei quanto demora para você fazer seu pé-de–meia. Gosto de gastar apenas com viagens.

Sua vida com 22 é como você imaginava?

Sou muito grata pela vida que tenho. Por ter realizado, tão nova, o sonho de ter uma carreira fazendo o que era minha vontade desde pequena. Sempre criei metas de me superar, de fazer coisas diferentes…

Sua meta hoje é algo na linha “ser a Fernanda Montenegro da minha geração”?

Não, pelo amor de Deus! Imagina as manchetes! “Marina diz que é a nova Fernanda Montenegro.” Nada disso. São metas pessoais, coisa minha.

O que você acha que mais surpreenderia uma pessoa que fosse aos estúdios acompanhar um dia no seu trabalho?

O fato de que é muito puxado. A gente trabalha às vezes 15 horas por dia, pode ser sábado, domingo ou feriado. É muito cansativo, você tem páginas e páginas de texto para decorar, às vezes com figurinos superquentes. As pessoas não imaginam esse lado. Mas, olha, isso NÃO É uma reclamação. Eu amo, amo, amo o que faço. E ainda periga sair “Marina Ruy Barbosa diz que ser atriz cansa”.

Você sempre dá entrevista tentando imaginar a manchete?

Isso acaba acontecendo naturalmente. Apesar de dar entrevistas há muitos anos, não tenho muito filtro nem me recuso a comentar minha vida pessoal. Depois leio o texto e penso que talvez deveria ter falado menos. Mas sempre penso que algo pode ser mal interpretado e servir de material para os haters.

Como lida com notas mentirosas sobre você?

Fofoca é o que mais me incomoda. Já me doeu, hoje nem tanto. Como cada um tem sua plataforma digital, fica mais fácil expressar com propriedade o que é ou não verdade. O que me machucava era a ideia de as pessoas acreditarem que me conheciam apenas ao ler notas na mídia. Ou mesmo de achar que sabem tudo porque me seguem nas redes sociais. O que tem meu nas redes é, sei lá, uns 20% da minha vida. Ninguém é só o que aparece no Instagram.

Se amanhã você acordasse e não fosse mais famosa, qual a primeira coisa que faria?

Curtiria uma balada, um funk, que eu adoro, sem me preocupar com cliques indiscretos. Como hoje todo mundo tem uma câmera, todos podem ser paparazzo, postar o que quiser e aquilo viralizar. Tudo que você fizer pode cair na rede de uma forma maldosa.

Você mesma administra sua conta no Instagram com 23 milhões de seguidores?

Sim. Eu mesma posto tudo, leio bastante coisa, às vezes respondo a alguns e-mails de gente que adotou gatos que eu resgatei. Desde pequena me envolvo em ajudar gatinhos, e fico feliz quando tenho notícias de um dos mais de 200 que passaram pela minha casa.

Qual foi o momento mais difícil desses 13 anos de carreira?

Teve um momento em que bateu um medo de não ser capaz, de não dar conta. Eu tinha 17 anos, e era uma fase de mudança: estava prestes a encarar meu primeiro papel adulto, que foi a Maria Ísis, de Império [novela de 2014]. Não só seria par romântico de um ator bem mais velho [Alexandre Nero, 48 anos, o protagonista da trama de Aguinaldo Silva], num triângulo amoroso com ninguém menos que Lília Cabral, como teria de fazer minhas primeiras cenas sensuais. Na época da preparação, a gente estava criando aquela relação dos personagens, e eu tinha que dançar para ele, para irmos criando a sintonia necessária para as cenas. Meu lábio tremia de nervoso. Tinha medo de como ele ia me enxergar como atriz, se ia acreditar em mim e como as pessoas veriam aquilo. Um degrau que eu consegui subir.

Chegou a pensar em desistir?

Muita gente pergunta isso, mas não. Nunca. As coisas boas que acontecem na minha profissão são muito maiores que qualquer incômodo. Ai, ok, tem pressão, é muita gente observando? Sim, mas quantas oportunidades incríveis surgem disso? Muitas mais. É lindo poder viver várias vidas, várias mulheres. Minha personagem atual, a Amália, me permite coisas das quais eu talvez não fosse atrás, como aprender arco e flecha, luta, correr montada num cavalo… Não seria justo com a vida eu pensar em desistir.

Tem alguma mulher em quem você se inspira?

Admiro várias. Se precisasse mencionar uma, seria a Gloria Maria, que acho incrível. Fodástica. É uma grande amiga, foi madrinha do meu casamento. E foi muito doido porque a gente se conheceu e se deu bem desde sempre. Não conseguimos explicar. Uma mulher viajada, inteligente, interessante e engraçada.

Como você se posiciona quanto ao feminismo?

Acho bom poder influenciar e dar voz a outras mulheres, estimular que falem também. Eu me sinto descobrindo meu lugar no mundo, como mulher, como cidadã. Então, prossigo com calma, e falando de assuntos quando tenho certeza daquilo ou me sinto à vontade. Se a gente se apoia, todas ficam mais fortes.

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