“Domingos Montagner foi meu professor na escola e foi inesquecível”

A editora do site de COSMO, Manuela Aquino, conta como foi a convivência com o ator que faleceu ontem (15/09).

 

Hoje cedinho li um post no Facebook da Helena, a Helê, minha colega de escola, que me tocou muito. Apesar de ter ficado muito triste, angustiada e chocada com a morte do Domingos Montagner, foi com as palavras dela que minhas lágrimas escorreram. Ela contava como a convivência com o ator a tinha feito descobrir tantas coisas, como a música de Caetano Veloso, e a tomar uma decisão importante em sua vida – ser atriz.

Eu, a Helena, a Marcela, a Manô (e tantos outros alunos) tivemos a sorte de ter o Domingos como professor de Educação Física. Quem estudou na Pacaembu, em São Paulo, cerca de 25 anos atrás tem alguma boa lembrança dele. Era uma escola montessoriana bem pequena. Poucos alunos na sala, estudantes que se conheciam desde sempre e um ambiente de liberdade fizeram os anos de ginásio (o ensino fundamental de hoje) serem inesquecíveis. E Domingos formava com o Miltão, professor de música, uma dupla maravilhosa de mestres cheios de ideais inovadoras. O que fez tudo ficar melhor ainda.

Domingos nos acompanhou nos melhores momentos daquela rotina das 7 ao meio dia. Ampliou nossas experiências para além da sala de aula e foi com a gente aos melhores passeios (minha primeira vez no Parque do Ibirapuera. A gente jogou basquete e subiu em árvores) e excursões (as cachoeiras de Paranabiacaba e ele se pendurando no cipó). Quebrou o protocolo escolar quando deu dança afro e inovou ao ligar o som no último para uma aula de lambada (obrigada, Helena, seu post que me fez lembrar disso). Seu sorriso enorme e branco acompanhou nossas melhores gargalhadas. Sua calça de moletom azul baixa, confesso, era incrível.

Aí, chegou a hora da despedida. A escola ia até a oitava série. E lá foi ele fazer o grand finale. Perguntou quem gostaria de apresentar uma peça na formatura. Quem se candidatou, como eu, teve aulas de expressão corporal e interpretação. Depois vieram os ensaios e a peça. Em qual escola os alunos fazem teatro na formatura, me diz?  Será que foi aí que o bichinho do teatro mordeu a Helena? Com ela, eu fui em uma ou duas apresentações dele depois de sair da escola. Nunca mais tive contato. Uns meses atrás tive a chance de entrevistá-lo por conta do lançamento de um filme, mas deixei de lado por uma decisão editorial minha. Que burra eu. Podia ter feito, só para dar um oi. Em um monólogo imaginário teria dito:

”Fui sua aluna, você se lembra? Foi inesquecível aquela época na Pacaembu. Você tem noção de como foi um professor incrível e que todos seus alunos se lembram de você com carinho?”.

Porque no fim o que fica em nossa passagem é isso.  As marcas e as lembranças que a gente deixa na vida das pessoas. E isso ele fez bem. 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s