Maria Casadevall: “Uma boa transa é resumida a toque, pele, cheiro”

A Patrícia de Amor à Vida revela o que vale entre quatro paredes e muito mais

Maira, sorridente e linda
Foto: Divulgação/TV Globo

Já passa das 3 da manhã. Maria anda aflita de um lado para o outro em seu quarto de hotel no Rio de Janeiro. Não consegue tirar da cabeça a transa que teve com Caio Castro. Calma, não é o que você está pensando. Como já deve saber, o ator é seu par romântico na novela – e o sexo foi puramente técnico. E ela, insatisfeita, está pensando em como a cena poderia ter saído diferente. Não resiste: é madrugada, mas está trocando SMS com o próprio Caio sobre suas ideias. Assim é Maria: inquieta, perfeccionista, apaixonada. Ela se define como um “paradoxo”. A gente prefere: linda, sem filtro, inteligente e interessante, sem script, sem regras.

Tudo ou nada

A entrevista com Maria rolou em um restaurante japonês em São Paulo em pleno feriado. Parecia perfeito: estávamos apenas nós e um pianista que, por três horas, tocou os clássicos da banda favorita dela, The Beatles. E ditou o ritmo para uma conversa bem íntima, com direito a cantoria, declamações de poesia e desabafos inéditos.

NOVA – Me conta um pouco de você.
MARIA – Eu sou um paradoxo, uma contradição. Zero concreta, movida por emoções, ideias, música. Adoro estar rodeada de pessoas, mas tenho uma forte tendência à solidão. Passo semanas sem contar uma novidade sequer à minha melhor amiga. Mas aí abro minha vida toda para NOVA. Vai entender…

NOVA – Você é uma atriz de teatro. Está gostando de fazer TV?
Adorando. Sou louca pela Patrícia. Já sabia que o personagem teria destaque, mas não tanto. Brinco que me deram um limão e, em vez de fazer uma limonada, ficou tão boa que fiz uma caipirosca!

NOVA – E esse cabelo charmoso? Cortou para a novela?
Cortei antes, mas não gostei e eu mesma passei a tesoura. Fiz até franja.

NOVA – Tenho a impressão de que você e Patrícia têm muito a ver.
E temos. Mas ela é mais segura do que eu e sabe explorar sua sensualidade. Para despertar isso em mim e entrar na personagem, tenho um ritual: montei uma playlist no meu iPod chamada “Patrícia”, que vou ouvindo até o trabalho. Enquanto no meu toca Gonzagão, forró pé de serra, no dela rola um rock, como Stairway to Heaven. Superfunciona.

NOVA – A Patrícia é uma mulher intensa. E você?
Sou uma montanha-russa de emoções. Para mim, só os extremos valem a pena. E pago um preço alto por não saber viver no meio-termo. Afinal, quando a gente experimenta um lado muito bom, é inevitável experimentar o outro. Mas prefiro ter momentos de alegria intensa do que uma vida de felicidade. Não quero saber de ser feliz – isso é um conceito quadrado. Sou impulsiva e espontânea demais para o morno.

NOVA – Você foi morar em Paris no auge da sua carreira no teatro. Não teve medo de abandonar tudo?
Preciso acreditar que o que eu deixo para trás é forte o suficiente para estar lá quando eu voltar. Senão vou viver minha vida toda estagnada por medo de perder. Às vezes, preciso voltar à estaca zero para me situar e definir para onde vou. Poder recomeçar é muito importante para mim. Não suporto a zona de conforto – não acontece nada por lá. E isso vale para os relacionamentos também. Terminei um namoro de três anos e fui para a Austrália porque a perspectiva do “para sempre” me assustava.

NOVA – Essa é uma tentativa de liberdade?
De certa forma. Mesmo sofrendo, testo meus limites para saber qual o tamanho do tranco que eu aguento, para provar para mim mesma que ainda me sobrou força. Me provoco o tempo todo, me cutuco aqui para ver como vou responder ali. Às vezes, vou longe demais. Paris foi uma época muito difícil… Voltei acabada. Fiquei quase três meses em silêncio absoluto. Mas toda experiência verdadeira mistura dor e alegria. Continuo me desafiando, mas paro antes de cruzar a linha.

Maria Casadevall: "Uma boa transa é resumida a toque, pele, cheiro"

Caio Castro e Maria são Doutor Michel e Patrícia em Amor à Vida
Foto: Divulgação/TV Globo

Movida a paixão

Não dá para imaginar cena pior do que flagrar seu marido na cama com outra mulher durante a lua de mel. Foi o que aconteceu com Patrícia logo no primeiro capítulo da novela. Ela fez um escândalo, anulou o casamento e decidiu que, dali em diante, trataria os homens como objetos descartáveis e que ia, sem dó, “passar o rodo”. É, depois de um trauma, é inevitável criarmos mecanismos de defesa para lidar com os assuntos do coração. Mas Maria age diferente. Ela se joga como se fosse a primeira vez. “Recuar é a forma mais imediata de alguém responder a uma dor. Mas supero rápido. Não penalizo o próximo pela mancada do último. Dou uma nova oportunidade para cada oportunidade”, diz.

NOVA – Você está apaixonada?
Sempre. Só sei me relacionar assim. Pode ver a tatuagem no meu braço: “Love me or leave me”. Significa me ame ou me deixe. E vale para tudo na vida: se não for com paixão, melhor nem ser.

NOVA – Fala a verdade: você está ficando com o Caio Castro? Se não, deveria…
Nunca rolou nada entre a gente. E, da vida, quem é que sabe? Mas temos algo diferente mesmo. Em pouco tempo, construímos cumplicidade e intimidade – e não dá para dizer que é puramente profissional. Criamos uma amizade bonita. Quando a gente se beija em cena, meu corpo responde, claro. Ele é um cara bonito e charmoso. Nós conversamos muito sobre “a gente”. Parece que o público gostou do casal.

NOVA – E o beijo de vocês? Todo mundo vê que de técnico não tem nada…
Só é técnico porque tem 15 pessoas em volta. Tem língua, lógico. Mas no estúdio o clima é zero. E se eu sinto alguma coisinha diferente já apago esse fogo! Preciso me concentrar.

NOVA – Sexo sem compromisso: rola alguma encanação?
Nenhuma. O desejo é tão verdadeiro quanto o amor. É quase desleal consigo mesma não ceder ao tesão. Se for natural e espontâneo, por que vai negar? Passar vontade não está com nada.

NOVA – Vale tudo entre quatro paredes?
Claro, desde que me dê prazer. Eu só não gosto muito da ideia de acrescentar “objetos” no sexo. Acho que uma boa transa é resumida a toque, pele, cheiro, você e o outro. Mas não tenho preconceito, experimentaria algema, chicote e vibrador numa boa. Só nunca rolou.

NOVA – O que tira você do clima?
Qualquer coisa que me dê a “sensação de motel”. Existe coisa mais brochante do que ir a um lugar só para transar? Sexo e razão não combinam. Tem que ser inesperado, algo que não dê para segurar, do tipo “aqui e agora”. Se eu sinto que aquilo está mecânico, minha noite já era. Não suporto aquele suspense de abrir uma garrafa de vinho para entrar no clima… Até lá já brochei! Não estar com a perna depilada também me distrai, fico incomodada.

Maria Casadevall: "Uma boa transa é resumida a toque, pele, cheiro"

Assim como o coração do Doutor Michel, o de Maria não é monogâmico
Foto: Divulgação/TV Globo

NOVA – Você já se apaixonou por duas pessoas ao mesmo tempo?
Quem nunca? É uma bobagem essa coisa de ter só uma pessoa para sempre. Infelizmente, o coração não é monogâmico. Nosso cérebro pode até achar que é, mas não nosso coração.

NOVA – E o que você decidiu?
Não decidi. Amei os dois ao mesmo tempo, vivi os dois ao mesmo tempo. E foi assim até onde a vida quis. Uma hora, nosso destino se encarrega de dar rumos que a gente não consegue dar por nós mesmos. A vida afasta, une, faz o que bem entende. Foi difícil, mas ao mesmo tempo maravilhoso.

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