Paulinho Vilhena fala sobre maturidade, feminismo e carreira

Vimos muitos momentos do cara, que foram aos poucos moldando o que ele é hoje: ator premiado, homem consciente e simpático, mas com o jeito de moleque

Desde que ele estreou na TV, há 19 anos, na série Sandy & Junior, a gente acompanhou de perto Paulinho Vilhena passar por amores, filmes, polêmicas e novelas chamando a atenção não só pela beleza e pelo talento mas também pela forma leve e despretensiosa de levar a vida. Hoje, conversar com o cara, aos 38 anos, é falar sobre feminismo, maturidade e filhos e ficar muito longe do estereótipo de Peter Pan — o ator não tem medo de crescer. O papo, que durou mais de uma hora (e se dependesse de mim poderia ter durado mais!), foi cheio de risadas e novidades, coisas que mesmo depois de muita pesquisa pré-entrevista só deu para descobrir num papo direto. Talvez seja por essas surpresas boas que a gente não se cansa de vê-lo, independentemente do lugar e da idade. Ele é o mesmo menino que anda descalço pela praia com o estilo de surfista, o profissional que ama o que faz, o homem que sonha em ser pai e um romântico moderno que ainda ronda o subconsciente da grande maioria das mulheres. Para nossa sorte, além do Evandro da novela Pega Pega, ele estará na minissérie Treze Dias Longe do Sol, que estreia no dia 2 deste mês com todos os episódios de uma só vez na plataforma digital gratuita Globo Play. Pode ficar tranquilo, Paulinho, não vamos cansar da sua cara tão cedo!

 

Você já atuou como vários personagens. Se hoje fizessem um filme sobre você, como seria o Paulinho de 2017?

Ele seria multifacetário. Tinha um filme da Sessão da Tarde que eu via quando era mais novo, chamado As 7 Faces do Dr. Lao, que era sobre um cara só mas que tinha várias máscaras para situações diferentes. Acho que todos nós somos um pouco assim: pra cada situação, a gente se mascara pra viver em sociedade, todo mundo tem seu lado profissional e o que mostra na vida pessoal, por exemplo. Podia ser uma parada assim, em que ao longo do dia seja um cara que use dez máscaras para mostrar que a cada situação a gente é um ou age de uma maneira por obrigação ou necessidade. Seria engraçado, eu ia gostar. [risos]

 

Como foi amadurecer na frente de tanta gente?

Minha mãe até disse uma vez no Faustão que não tem bula. É difícil pra um cara jovem se colocar dentro de um universo do qual ele não tem a menor referência, não tem alguém que explica como vai ser. Você vai vivendo e vendo se aquilo tem sentido pra própria vida. E eu tive dúvidas, tipo “Putz, será que é isso mesmo? Será que quero passar por isso de ter a exposição da minha vida, de as pessoas me perguntarem ou quererem saber das minhas intimidades?” Mas eu gostava e gosto muito de ser ator, e aí na balança pesou mais o meu amor pelo ofício. Eu pensei que tinha que aprender a lidar com isso e entender como posso viver e ser profissional das artes cênicas, tanto como pessoa física quanto como pessoa jurídica. Foi uma escolha que fiz, e de lá pra cá é aprendizado. Não tem nada garantido ou completamente conquistado, mas existe uma segurança maior do que quando eu tinha 18 e 19 anos.

 (Chico Cerchiaro/Cosmopolitan)

Agora, mais maduro, é chato ainda ser chamado de Paulinho?

Imagina! Muita gente acha que isso é real, mas nunca. Então, Ju [risos], na verdade, eu acho que essa coisa da maturidade é muito louca. Acho que faz cinco anos que ouço dizer que amadureci, ou seja, acho que não completei essa fase. [risos] E parece também que veio uma fada e bateu com a varinha de condão na minha cabeça e, pronto, amadureci. Tem de fato um processo que vem com o passar do tempo, as suas escolhas, relacionamentos, trabalhos. Isso tudo faz parte de crescer. Agora, eu nunca me forcei e talvez nunca me force a expor isso de uma forma como aspas ou a mudança do meu nome. Adoro andar descalço, adoro ir à praia e rolar na areia. Pode ser que as pessoas vejam isso como uma atitude infantil ou imatura, mas é como vivo e gosto de viver. Isso nada tem a ver com ser profissional ou ser um cara melhor na minha vida afetiva, um melhor filho ou irmão.

 

Pelo Dado de Como Nossos Pais você ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado. No filme, fala-se sobre uma mulher moderna que tem que se virar pra dar conta de tudo. Como você vê essa força que os movimentos feministas vêm tendo?

Eu venho de uma família matriarcal, minha mãe sempre foi a dona da casa, não só no sentido de cuidar da casa como no de ser a gestora. Minha irmã mais velha, que tem 50 anos, é a maior referência de feminismo pra mim. Ela sempre foi muito autêntica, contestou seu enquadramento dentro da nossa família, na sociedade, na escola, na faculdade. Eu tenho um entendimento muito natural sobre o que hoje se vê como inversão de postos em que a mulher se coloca diante de trabalhos e atitudes que antes eram só feitos por homens. O que eu acho que é muito significativo é que de fato isso está acontecendo além da minha casa. Eu falei uma coisa que faz muito sentido vendo esses movimentos do ponto de vista masculino heterossexual: é que o homem tem que dar um passo atrás, observar o que está acontecendo e sentar, porque se ficar de pé vai cansar, já que isso vai demorar para se concretizar, infelizmente, e assim criar uma sociedade com direitos iguais, a liberdade de cada um e o respeito mútuo. Não tem nada de difícil, é dar espaço, observar, refletir e voltar de peito aberto.

 (Chico Cerchiaro/Cosmopolitan)

A peça Tô Grávida, sua e da Fernanda Rodrigues, fez muito sucesso e agora vai virar filme, né?

Vai, sim. É um projeto meu, da Fernandinha e do Raoni Carneiro, que é meu compadre e marido da Fê [Paulinho é padrinho da filha do casal, Luísa, de 7 anos]. A gente tem absoluta certeza de que é um tema que tem uma empatia gigante com o público. É muito legal porque dá pra gente ter um mundo de possibilidades criativas. Além disso, é um projeto colaborativo, então estamos ouvindo histórias de várias pessoas. Você sonha em ser pai? Já sonhei, ressonhei e ressonhei de novo. É uma vontade que eu tenho, às vezes maior, às vezes mais calma. Estou em um relacionamento, e a gente conversa bastante, mas é aquela história: depende muito da disponibilidade e do planejamento da sua parceira. Tem que ir cadenciando esse tempo e ir segurando a ansiedade.

 

Você e a paulistana Amanda Beraldi estão namorando há sete meses. Já estão morando juntos?

Sim! Também foi uma novidade pra nós dois. Ela trabalhava com marketing em São Paulo e recebeu uma proposta para uma posição melhor em uma empresa aqui do Rio. Aí unimos o útil ao agradável. Mesmo sendo uma surpresa, a gente não vai deixar de viver o momento de coração. Eu fiz muito isso, já deixei de viver muita coisa pensando em todas as possibilidades. Mudei. Quero curtir o agora.

 (Chico Cerchiaro/Cosmopolitan)

 

Hoje, aos 38 anos, se considera um cara romântico?

Antigamente eu dizia que não era romântico porque o romantismo pra mim era muito atrelado a melação, mas aí comecei a ouvir das pessoas que entendem do assunto que não é só levar fores, ficar babando na pessoa. São atitudes que a gente toma no dia a dia, desde fazer um jantar, comprar um presentinho divertido, até preparar uma cama diferente… São as coisas que não são óbvias. A partir disso, hoje acho que sou um cara romântico, ou que pelo menos tenho atitudes legais. [risos]

 

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