Tatá Werneck: “Tenho uma autoestima ótima”

A atriz é questionada por namorar um cara mais novo, por trabalhar muito e até por fazer piadas demais. E o que ela faz? Ergue a cabeça e segue sorrindo.

O que você faria se tivesse boa parte de seus passos sendo vigiados e julgados? Provavelmente iria se desesperar ou ficar muito insegura. E isso deve acontecer no íntimo de muita celebridade que, no auge da fama, tem que enfrentar questionamentos. Se for mulher, então, a coisa pode piorar. Os filhos, a idade do namorado, o ex-namorado, a aparência e até a dicção. Já encheram o saco da Tatá Werneck, 34 anos, por tudo isso e mais um pouco. Só que, aí, ela dá uma lição para a gente. Com o maior bom humor do mundo, ela manda as melhores respostas no estilo sem filtro. Saiam daqui, haters e chatos, a Tatá está passando mais uma vez para dizer que nada vai abalar sua vontade de ser feliz. E a gente vai poder se inspirar em cada lição que ela dá. Vai ter muito da atriz na TV no fim deste ano e no ano que vem. Na segunda temporada de Lady Night, seu programa de entrevistas no Multishow, ela faz rir ao tratar uma pessoa muito famosa como nenhum outro apresentador trataria. Na zoeira e sem vergonha de quem está na sua frente, faz as melhores entrevistas. Este mês ela também começa as gravações da próxima novela das 7 da Rede Globo, que estreia em janeiro. Em Deus Salve o Rei, viverá Lucrécia, uma princesa nada convencional que vai viver uma A Bela e a Fera ao contrário. E aí, sentada no sofá, a gente simplesmente vai agradecer, como ela sempre faz, só por ela ser Tatá. Graças!

 

Como vai ser sua personagem na novela?

Farei a princesa Lucrécia. Vou me casar com o príncipe Rodolfo de Montemor, papel do Johnny Massaro. Ele precisa de uma mulher para casar e um pintor manda um quadro meu, só que com uma retocada, pois ela é uma princesa muito feia. Mas ela acaba conquistando o Rodolfo e eles se apaixonam. Achei maravilhoso que quando eles me falaram que eu ia fazer a princesa mais feia disseram que eu teria que colocar uma prótese no nariz. E depois que experimentaram o figurino fizeram o cabelo e falaram “Hummm, não precisa de prótese. Temos! Perfeito!” E eu: “Ah, tá”. [risos]

Você falou que engordou 6 quilos para a novela. Incomoda, mexe com a autoestima?

Dei uma engordada, mas também vou usar enchimento. Gosto de mudar para uma personagem, é legal isso. Nunca fui neurótica com essa coisa de comida, sempre me alimentei superbem, por uma questão ideológica. Não como carne. Você já viu vídeos de porcos sendo mortos? Eles olham com aquela cara e sabem que vão morrer. O problema é que eu não substituía a proteína, e quando fui internada recentemente fiquei doente, os exames disseram que preciso de proteína pelo menos por um tempo.

O que você teve?

Eu terminei de gravar a primeira temporada do Lady Night e estava indo pra Vassouras [MG] morar dois meses pra fazer um filme. Estava num ritmo louco de trabalho e não gosto de faltar nos meus compromissos. Comecei a ter uma febre, o carro da produção estava indo me buscar e eu com 39,7 graus. Fui para o hospital e segui direto para a unidade intensiva. A médica disse que se eu tivesse esperado muito mais poderia ter morrido de infecção. Eu não gosto de parar assim. Já gravei a novela I Love Paraisópolis com crise renal. Acho que o show tem que continuar. E há, sim, uma coisa quase instituída no trabalho que é “Hummm, sei, tá doente” — as pessoas nunca acreditam em você.

 

Mas precisa chegar ao ponto de aguentar algo grave?

Eu tinha vergonha de falar que estava passando mal. Saí do hospital e já voltei pra Vassouras. Lá tive uma recaída e o médico ficava me acompanhando remotamente. Mas as pessoas foram muito compreensivas comigo. Muitas vezes quem trabalha com você não entende — não essa equipe, eles foram maravilhosos. Tenho essa coisa de não parar. Meu avô morreu e eu gravei em seguida o Tudo pela Audiência. Uma grande amiga morreu e em dez minutos eu estava fazendo peça para 2 mil pessoas.

Tata Werneck

 (Raquel Espírito Santo/Cosmopolitan)

Você sempre foi pilhada assim, Tatá?

Sempre. Gosto muito de produzir, fiz quatro faculdades. Estudava e ainda estava em duas peças ao mesmo tempo. Quando estou mais calma, penso “Caraca, eu poderia estar fazendo um curso, estudando, aprendendo um instrumento”. Sou assim. Tenho essa ânsia de aproveitar a vida ao máximo.

E quando você descansa?

Em viagens gosto de descansar, mas estou aprendendo agora a ficar de boa. Eu nem tirava férias, eu me permiti esse ano. O Fábio Porchat também é uma pessoa que trabalha muito, mas que tira dois meses para viajar. Ele me falou para fazer isso também. Mas trabalhar muito é o melhor que eu posso querer da vida. Vou trabalhando também para ficar mais confortável financeiramente. O Rafa [o ator Rafael Vitti, namorado de Tatá] fala “Você não precisa trabalhar tanto assim”, mas eu gosto.

Vocês estão morando juntos?

É, praticamente. A gente está junto todos os dias e dorme junto todas as noites. O Rafa tem um contrato do apartamento que ele tinha alugado, mas estou comprando uma outra casa para caber melhor meus bichos. Tenho 13 gatos e cinco cachorros. Escolhemos juntos e ali vamos morar. Eu tinha na minha cabeça que não ia morar tão cedo com alguém. Quando vi, a escova de dentes dele estava ao lado da minha.

Por que você acha que as pessoas ficam martelando na diferença de idade?

As discussões que estamos tendo em 2017 já não deviam acontecer faz muito tempo. O que eu acho mais doido é aquela velha coisa: quando é um homem com uma menina mais nova, vangloriam o cara, “Nossa, tá pegando uma gatinha”. Quando é uma mulher com um cara mais novo, sempre acham que ele está por interesse, sempre julgam. Meus pais formam um casal que se respeita, que se ama, que contribui um com o outro. E é o que eu queria para mim. O Rafa é exatamente isso, só reencarnou tarde. Ele é muito esclarecido, livre de preconceito, tem um coração gigante. É gentil com todo mundo, não só comigo.

 

Você tem mais de 17 milhões de seguidores no Instagram.  Como faz para dosar a exposição?

Eu não queria ficar falando do meu namoro com o Rafa, por exemplo. Não por ele, mas porque eu já expus muito minha vida pessoal. Vi quanto isso me prejudicava, só saciava a curiosidade dos outros. Tive um namoro que acabou sendo visado contra a minha vontade e inventaram um monte de mentira. Então, parei de me expor.

Mas a gente acompanhou todo o começo do seu namoro nas redes…

O Rafa me dobrou num grau. Colocou uma declaração tão linda de Dia dos Namorados… Estou levando a vida mais leve assim.

 

Você sente aquela pressão de que mulher só é feliz com filhos?

Se uma mulher escolhe não ter filhos, vão dizer “Ai, coitada”. Mas foi ela que quis! Eu tenho vontade, sei que não posso demorar tanto assim pela idade, pela endometriose, não sei como será. Tenho um histórico na minha família de mulheres muito independentes e bem-sucedidas que não tiveram filhos porque não conseguiam parar. Acho que é um dilema da mulher que trabalha fora, mas ao mesmo tempo não dá para esperar um momento certo para ter filho, pois ele pode não vir nunca. Tenho uma vontade latente de ser mãe e o Rafa também é doido para ser pai. Termino a novela, gravo um filme com a Ingrid Guimarães, tem a terceira temporada do Lady Night e faço mais dois filmes. Talvez deixe as coisas acontecerem a partir do fim da novela.

 (Raquel Espírito Santo/Cosmopolitan)

 

Você fala muito da sua mãe e da sua vó, mulheres fortes na sua vida. E seu pai, como é sua relação com ele?

Meu pai sempre foi meu maior fã. Foi assistir a todas as sessões de peças que fiz na vida. Em uma delas, tinha umas 30 pessoas no elenco, mas ninguém na plateia, só ele. Na terceira sessão, pedi para ele ir embora e ele disse que tinha pago e queria ver de novo. Minha mãe é mais crítica com meu trabalho desde que comecei. Eu conto uma piada sem graça e meu pai chora de rir, ele não tem critério. É um cara muito trabalhador, começou a ralar aos 14 anos e mudou a condição de vida da família dele. Sempre fez questão de investir na nossa educação mesmo quando não tinha muita grana.

Você cresceu num lar feminista?

Fui criada numa casa com muito respeito, muita liberdade. Minha mãe trabalha com inclusão e com direitos de pessoas com deficiência há muitos anos. E eu sempre ouvi falar em discriminação, em feminismo, em machismo, em preconceito. E mesmo assim minha mãe hoje diz que ela não estava preparada para uma filha que lutava por isso tão nova. Fui expulsa de um colégio religioso, mas só eu. Os meninos que bagunçavam comigo não. Hoje em dia meus pais dizem que deveriam ter me defendido mais naquela vez. Porque eu era polêmica na escola, me expunha, e as meninas não eram assim.

 

Você é bem religiosa e já disse que sua avó por parte de pai te ensinou a ter fé…

Minha avó Denguinho é uma coisa meio sobrenatural. Sou louca por aquela senhora. Ela é minha vida. É só pensar nela que dá vontade de chorar. Todas as merdas que eu fazia, era com apoio dela. Ela é minha melhor amiga, é a pessoa para quem conto tudo da minha vida. Quando perdi a virgindade, foi a pessoa para quem falei. Eu a convidei para morar comigo, mas ela não quer.

Você agradeceu aos céus um monte de vezes durante o dia. Faz isso sempre?

Até no meio da rua! Agradeço várias vezes ao dia. Sempre fui uma menina fora dos padrões. Isso não incomoda, tá? Eu tenho uma autoestima ótima, sempre namorei quem eu quis. Aí, me sinto uma pessoa abençoada por estar onde estou, então agradeço. Tenho uma culpa católica, sim. E eu rezo agradecendo pela minha família, lógico, e para ser merecedora das coisas que tenho e que quero.

 

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