Allison Williams: “Girls existir já é um ato feminista por si só”

Em conversa com a COSMO, a atriz falou sobre a eleição de Trump e o fim do seriado.

Girl: palavra em inglês que significa menina; no plural, meninas, ou um dos seriados mais feministas já vistos que chegou a sua sexta e última temporada este ano. Com Hannah (Lena Dunham), Marnie (Allison Williams), Jessa (Jemima Kirke) e Shoshanna (Zosia Mamet) como protagonistas, Girls fala sobre quatro meninas em seus 20 e poucos anos lidando com os dramas da vida: perder a virgindade, o primeiro emprego, relacionamentos frustrados, liberdade e, claro, o direito das mulheres.

A COSMO foi até o México, à convite da HBO, e conversou com Allison, a Marnie Michaels, sobre o fim de Girls e também um pouco sobre a eleição de Trump, a influência da série na vida do público e, principalmente, das mulheres que assistem às quatro amigas em Nova York, e como o seriado mudou sua visão sobre o feminismo, que, para ela, “tem sido uma plataforma incrível para lutar contra isso [o machismo], o seriado existir é um ato feminista por si só”.

 

O que você aprendeu durante em todos esses anos de Girls, como mulher, como atriz?

É difícil para mim pensar em tudo o que aprendi nos meus 20 anos sem pensar que tudo veio de Girls, porque eu comecei a trabalhar na série com 22 anos, no mesmo ano em que me formei na faculdade, então tem sido minha vida adulta inteira até agora. Tudo o que aprendi sobre sororidade, sobre a vida adulta, parece que tem sempre algo que vem da série. Até se foi uma lição ou a atitude de algum personagem, tiveram coisas que eu aprendi trabalhando em Girls no geral que permanecerão comigo para sempre. No começo, eu costumava perguntar a Lena [Dunham] quando Marnie seria “consertada”, e ela dizia “as pessoas não funcionam assim”. E percebi que esperava muito, assim como a própria personagem, que em um certo ponto uma pessoa poderia “terminar de melhorar”, que poderia ser o melhor possível e depois viver a vida perfeitamente, e tudo ficaria bem. Eu aprendi isso muito antes de Marnie e ela continua aprendendo isso. Essa é provavelmente uma das maiores lições que aprendi em Girls.

Você acha que a série impactou a situação das mulheres no mundo?

De muitas formas! Nós, em Girls, lidamos com misoginia, falta de igualdade, não ser respeitadas quanto deveríamos… Se garotas mais novas assistirem seria muito bom, porque elas verem o jeito que olhamos e reagimos a essas situação é muito válido, já que vai fazer elas verem como mulheres empoderadas lidam com isso. Também o tipo de decisão que elas devem tomar para seu próprio bem e as que têm o efeito contrário. Girls é sobre meninas virando mulheres e tentando descobrir formas de se respeitarem e serem respeitadas. E da onde tirar esse poder também! Por exemplo, quando você está trabalhando e não quer pedir um aumento para não ter risco de ser demitida, mas quando você sabe que é o momento, o que fazer? Nós vimos Hannah fazer isso, e não terminou muito tem [risos] Mas você também aprende vendo nossos erros.

 

O que você pensa do relacionamento do México e dos Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump?

É muito complicado. Tão difícil. E os mexicanos ainda tem eleições ano que vem. Uma das coisas que é mais interessante, é como o mundo parece minúsculo. Nós vimos o que aconteceu no Reino Unido, e agora o que talvez aconteça na França, nos Estados Unidos, e ano que vem no México. E acho que o que me fez muito feliz foi ver os protestos aqui [no México], as pessoas também estão protestando nos EUA. Então acredito que haja muita solidariedade, porque muita gente, em ambos os países, se sentem da mesma forma, o que torna o mundo bem menor do que imaginamos. A boa notícia é que vocês, do México, têm a oportunidade de fazer o que nós, dos Estados Unidos, fizemos ano passado. Eu acho que o que quero dizer é: vou voltar para o México e espero que não tenha nada no meu caminho.

Você acha que Girls mudou a forma como você vê o feminismo?

Definitivamente. Mas, na verdade, acho que, por causa da minha mãe e da forma como fui criada, sempre me senti dessa forma, desde criancinha, uma feminista bem jovem. De qualquer forma, acho que esse foi um jeito de enxergar como tudo é muito controverso, porque eu não conseguia ver que existia um outro lado, onde não existia o feminismo; não fazia ideia que existiam pessoas que não queriam que homens e mulheres fossem tratados de forma igual. Isso foi algo que precisei aprender, porque sempre foi tão óbvio para mim. Claro que as pessoas são iguais, por que isso ainda é discutido? [Risos] Girls tem sido uma plataforma incrível para lutar contra isso, e o seriado existir é um ato feminista. Ele se chama girls, é sobre mulheres, mulheres que se consideram feministas, que fazem suas próprias escolhas e erros, controlam suas próprias vidas, e quando elas lidam com homens misóginos, elas não ficam paradas. Isso também dá às jovens mulheres uma visão maior e a faz se questionar se reagiriam daquela forma, de se impor em situações difíceis e se questionar do porquê fizeram isso. Talvez isso ajude a algumas garotas crescerem acreditando em seu poder e acreditando que não só você também merece o que os homens merecem, mas que também isso não é contra eles! Eu ainda não consigo entender como alguns homens e mulheres não são pagos de forma igual nos Estados Unidos. Mas acredito que com mais alguns seriados como Girls, isso vai virar passado. E todo o resto que vem com isso!

 

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