E se Carrie Bradshaw, de Sex and the City, fosse millennial?

Independente, feliz no trabalho com zero medo de ir atrás de seus amores. Mas como ela seria se tivesse nascido depois dos anos 80.

Big Little Lies, Girls e Glow são algumas das séries que amamos e que têm em comum boas histórias contadas na versão de mulheres. E, em todas elas, há sempre uma sombra de Carrie Bradshaw, de Sex and the City. Talvez pela influência que ela teve sobre os roteiristas ou pela nossa lembrança que faz associações. Fica difícil não comparar, pois Carrie foi uma personagem quase real — ela estava ali, na tela, representando muito de muitas de nós e nos fazendo sonhar. Pelo humor, a vitalidade e a liberdade despreocupada, a personagem se converteu na mulher que todas queríamos ser. Agora, a gente vai fazer uma viagem com ela para hoje, ano 2017, e imaginar como seria a personagem na versão millennial.

 

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Outro foco no trabalho

Carrie poderia ter traços da Hannah, de Girls, interpretada por Lena Dunham. Mas, mesmo também sendo escritora, Hannah não carrega a segurança de alguém que já se firmou e tem uma coluna no jornal — ela ainda tem várias dúvidas sobre sua vocação. E sem drama, nem apego, poderia mudar de área ou arrumar um emprego somente para pagar as contas. Segundo uma pesquisa da Universidade de Bentley, nos Estados Unidos, apenas 16% dos millennials querem ficar na empresa em que estão atualmente trabalhando até se aposentar. Para Hannah, seria bem mais fácil deixar de ser escritora do que para Carrie. “Essa geração enxerga o trabalho como uma forma de conseguir dinheiro para poder se sustentar e realizar em outras áreas da vida o que gostam de fazer”, diz o antropólogo Michel Alcoforado, sócio-diretor da empresa de pesquisas Consumoteca, em São Paulo.

 

Nas redes, tudo certo

Mesmo com inseguranças, Carrie não demonstraria nada disso nas redes sociais. Seria como a protagonista do livro Minha Vida (Não Tão) Perfeita (Record), da autora Sophie Kinsella, exemplo bem clássico de uma millennial. Katie tem 26 anos e não está satisfeita com nada da sua vida atual (trabalho, apartamento), muito menos com os relacionamentos. Mas não deixa nada disso aparecer em suas redes sociais. Se a namorada de Mr. Big tivesse uma conta no Instagram, iríamos achar que o relacionamento deles era bom, sem DRs, pois ela provavelmente só iria postar fotos dos dois fazendo um brinde na cozinha do apê dele ou lendo na cama.

 

 

 

De olho no orçamento

Na área financeira, algumas coisas também mudariam. Quem não se lembra dos delírios de consumo de Carrie? Roupas de marcas caríssimas, jantares nos restaurantes chiques de Nova York, sem falar nas inúmeras viagens. Agora, ela também não ligaria em gastar um pouquinho mais para comprar uma cerveja artesanal no lugar da convencional se no bar em que vão tomar tem uma música ao vivo e cadeiras de praia. Os millennials são consumistas, mas com outro foco: o pouco dinheiro que ganham é usado para comprar experiências. “Se eles gastam com viagens, com certeza inclui fazer um curso ou pelo menos uma aula histórica sobre o lugar que estão visitando — em vez de ficar na piscina de um hotel o dia todo”, diz Michel. Com Samantha, Miranda e Charlotte, a musa de Sex and the City não dispensaria um momento banho de sol acompanhado de uma pina colada.

 

Bem menos sexo

Ainda não falamos sobre um assunto que fazia parte — e muito! — do dia a dia da personagem: o sexo. Só que ele iria ficar em décimo plano na versão atualizada. Um estudo de 2016 feito pela Universidade Atlântica da Flórida, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Archives of Sexual Behavior, mostrou que essa é a geração que menos transa, comparada com as outras: 15% dos millennials americanos de 20 a 24 anos disseram não ter parceiros sexuais desde que fizeram 18 anos, em comparação com 6% dos nascidos na década de 60. “Eles cresceram com a internet, vivem muito em função disso e acabam não tendo relacionamentos verdadeiros e duradouros. Isso influencia muito no sexo”, explica Carla Cecarello, sexóloga do site C-date, especializado em encontros casuais sem compromisso. Mesmo com tantas ferramentas que chegaram para ajudar, como os aplicativos e sites de relacionamento, parece que Carrie tinha mais sorte que muitas millennials nas festas, nos restaurantes ou até mesmo na sala de espera do psicólogo — onde ela conheceu nada menos que o Bon Jovi, lembra?

 

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