Susan Stroman é uma diretora premiada do teatro musical

Conversamos com ela durante o Festival de Cinema de Tribeca

Susan Stroman é uma das maiores diretoras e coreografas do teatro musical. Começou sua carreira como dançarina, mas foi quando se tornou diretora que realmente teve o seu maior destaque na Broadway, principalmente na direção do musical Os Produtores, que foi reproduzido internacionalmente, inclusive no Brasil.

A diretora participou recentemente do documentário Bathtubs Over Broadway que estreou no Festival de Cinema de Tribeca. O filme é produzido por David Letterman e explora os musicais corporativos criados para conferencias anuais de grandes empresas americanas entre os anos 50 até os anos 80. As produções eram escritas e compostas para cada corporação e geralmente apresentadas apenas uma vez. Os chamados Musicais Industriais eram extremamente populares e foram a porta de entrada para muitos dos grandes nomes da Broadway, incluindo Susan.

Durante a estreia do filme, a diretora que hoje tem cinco TONY Awards, o Oscar dos musicais,  contou à COSMO como estas produções moldaram a sua carreira na Broadway.

O que vem à sua mente quando falamos de Musicais Industriais?

É engraçado, para mim parece que esses shows são os dinossauros da Broadway. Simplesmente desapareceram. Foi ótimo, mas ao mesmo tempo surpreendente, quando recebi a ligação para falar sobre isso. A gente amava trabalhar nisso. Acho que todo mundo que participava dessas produções lembra com muito carinho sobre essa época. E pensar que agora vou ver um filme inteiro sobre essas produções, é um presente.

Na época como vocês viam os musicais industriais?

A gente amava conseguir trabalhar em um show desses. Era bem atrativo, principalmente por uma questão de sobrevivência. Se a gente fizesse uns quatro shows por ano conseguíamos nos bancar para poder trabalhar nos outros projetos que geralmente não tinham cachê ou os que ganharíamos muito pouco. Todas as corporações faziam eles e contratavam atores de Nova York. Virou uma grande comunidade e era muito divertido.

Qual foi o papel desse tipo de musical para a Broadway?

Era o primeiro passo de muitos na indústria, e pelo público ser pequeno era um espaço seguro para ser treinado. O período de ensaios era muito curto, por isso o artista tinha que ser esperto, rápido e adaptável. Além disso, acho que o mais importante é que apresentou muitas pessoas dentro da indústria e isso abria portas quando todos voltávamos à Nova York. Por exemplo, hoje estou dirigindo uma peça off-broadway chamada The Beast in the Jungle que foi escrita por John Kander, o compositor de Chicago, Cabaret e New York, New York. Ele também fazia shows industriais.

No documentário você falou que trabalhar nesse tipo de produção foi importante para você criar uma visão como diretora. Por quê?

Para mim foi um ótimo primeiro passo dentro da indústria. Aprendi a ter foco como diretora, desenvolvi a consciência de que tenho que ter um produto final. Acho que esse é um dos maiores desafios dos diretores. Vejo a direção como juntar a música e a coreografia para vender esse produto, que é um show da Broadway.

Sabemos que apesar de ter dirigido filmes, você não abre mão do teatro. O que é tão especial no teatro musical para você?

Acho que a Broadway, o teatro musical como um todo, é uma experiência única. Adoro a ideia de que cada performance será diferente. Por aquela noite que está na plateia a apresentação que você verá é só para esse pequeno público, amanhã é outro grupo é outra energia e a peça vai ser diferente. Aquele elenco, daquele jeito, com aquelas características estão se apresentando só para você naquela noite única. Não há nada como isso.

Por que você acha que a Broadway atraí pessoas do mundo todo?

Acho que não há lugar como a Broadway. Há outros grandes centros de teatro, mas não há outro lugar neste planeta onde você sinta a eletricidade que sentimos nas ruas do distrito de teatro em Nova York. Acho que é concentração de gente, barulho, luzes e história, sem contar que são inúmeros talentos do mundo que passaram pelos teatros. Você nunca esquece o seu primeiro show da Broadway.

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