Como melhorar a relação com sua mãe

Aprenda a lidar da melhor forma com as manias (ou o jeito difícil) da sua mãe para terem um relacionamento saudável

Não tenha medo de impor limites a sua mãe. Seja sempre direta, mas a trate com respeito e amor
Foto: Getty Images

Quando a administradora Carla saiu de casa, aos 20 anos, sabia que uma fase excitante e desafiadora estava começando. ”Eu mal podia me conter de tanta felicidade!”, lembra. Meus pais me apoiaram, mas, com o tempo, ficou claro que minha mãe não lidava bem com a ideia. ”Morava a apenas alguns quarteirões deles e precisava avisá-la toda vez que chegava ao apartamento. Fora que ela me comprava frutas e legumes para ter certeza de que estava comendo bem!” 

Resumo da ópera: Carla acabou se mudando para uma cidade próxima. Adivinhe: a mãe dela decidiu fazer o mesmo e se instalou a dez minutos da filha. ”Entendo a preocupação. Antes da separação dos meus pais, ela passava muito tempo sozinha, porque ele viajava sempre a trabalho. E eram momentos difíceis. Lá no fundo, acha que me sinto péssima também.” 

De fato, quando se deixa o lar, doce lar da família, é comum pensar na liberdade e diversão que a aventura solo reserva. O período é de egocentrismo total: onde você vai viver, como vai administrar tudo. E não poderia ser diferente, já que se trata de uma mudança gigante. Mas, embora signifique um começo, para a sua mãe representa o final: ela está sendo deixada para trás.

Discutir a relação

”Durante 20 anos ou mais, o papel da sua mãe foi o de cuidar de você”, observa a psicóloga clínica Gary Banks. ”No momento em que a vê sair de casa, essa função é arrancada dela – portanto, é natural que tenha a sensação de perda e desamparo. Daí, liga frequentemente para saber como andam as coisas ou aparece sem avisar. Mas é preciso redefinir os parâmetros desse convívio.” A orientação é chamá-la para uma conversa entre duas mulheres adultas. ”Procure deixar claro que a relação de mãe e filha não será da mesma forma como era antes”, acrescenta Gary. E que ambas podem tirar muito proveito desse novo patamar! ”Ela não precisa mais dizer como sua cama precisa ser arrumada; e você pode fazer um esforço e compreender que ela se preocupa com seu bem-estar, porque quem ama cuida. Aproveite a oportunidade para começar um convívio um pouco mais adulto.”

Tornar-se amiga dela

”Não tenha medo de impor limites”, aconselha Gary. ”Se ela está sendo inconveniente ao ligar na hora em que está trabalhando, diga ‘Obrigada, mãe, mas se eu ficar tanto tempo ao telefone vou parecer antiprofissional. Podemos falar depois das 6?”’ A coautora do blog postcardsfromyomomma.com Jessica Grose concorda. ”Ser direta é a melhor saída. Diga que a ama e sente falta de estarem juntas, mas que não conseguirá estar disponível o tempo todo.” Depois que as fronteiras estiverem estabelecidas, aí, sim, curta a nova relação marcando encontros em lugares neutros, como um café, o shopping. ”Quanto mais tempo passarem fora da casa de vocês, melhor conseguirão se enxergar como verdadeiras amigas.” Se moram em cidades diferentes, o conselho é organizar alguns encontros virtuais. Por exemplo, combinando que, na quinta à noite, entrarão no MSN ou Skype para colocar o papo em dia. ”Assim, ela perceberá que ainda faz parte da sua rotina – e você se libertará daquela sensação de culpa por simplesmente não morar com a mulher mais importante da sua vida!”

Ciúme de filha

”Quando me mudei, meus pais resolveram fazer uma ‘substituição’: cadastraram-se em um site de intercâmbio para receber estudantes de outros países. E um português de 15 anos, o Joaquim, ficou por um período de 12 meses com eles. O menino recebeu mais paparicos do que eu tive a vida inteira! Era jantar especial todos os dias, passeios, presentes… Num sábado à tarde, liguei para falar com minha mãe e soube que ela estava no museu com Joaquim – nem sequer me convidou! Fiquei me achando a mais desamparada das filhas.”

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