Conheça a história de como começou a editora Ubu

Gisela Gasparian, diretora de operações da empresa, narrou como foi tirar a ideia de criar uma editora do papel e transformá-la em realidade.

O universo editorial faz parte da vida de Gisela Gasparian, 37 anos, desde a infância. “Falo que comecei a ajudar a montar a Bienal do Livro aos 8 anos.” Apesar de ter um avô dono de editora e uma avó livreira, a executiva nunca pensou em trabalhar no universo literário por causa de seu perfil mais prático — que nada tem a ver com o dia a dia de uma editora. Só que o destino tem seu jeito de agir. Formada em administração pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo e com mestrado em Harvard, em Boston, nos EUA, durante seu ano sabático ela conheceu Elaine Ramos, 43 anos, e Florencia Ferrari, 41, e fundou uma editora.

A história desse empreendimento  começou quando a editora Cosac Naify anunciou seu fim após 18 anos de operação, em novembro de 2015. Elaine e Florencia, funcionárias por mais de dez anos, ficaram chocadas. “Elas descobriram em cima da hora”, diz Gisela. Passado o baque, surgiu a vontade de criar algo novo. Foi assim que nasceu a editora Ubu. “Fui procurada para ajudar e acabei me envolvendo”, diz. Se por um lado ela deu adeus ao ano sabático, por outro começou a construir um negócio que está no caminho certo. “É muito difícil realizar sozinha. A Florencia, que é formada em ciências sociais e doutora em antropologia, tem um perfil mais executivo, enquanto o perfil de Elaine, graduada em arquitetura, é mais voltado para a arte. A combinação deu certo”, diz Gisela, que ocupa o cargo de diretora de operações; já Elaine é diretora de arte e Florencia, diretora editorial.

No processo de criação da empresa, dá para dizer que Gisela é responsável pela grana. “Tivemos sorte de conhecer pessoas que acreditavam na gente. É preciso ter um plano de negócio, captar dinheiro, ter fluxo de caixa, checar se as suas ideias darão certo ou não”, diz Gisela. Com um investimento inicial entre 700 mil e 1 milhão de reais, em cerca de um ano a editora já tem 21 títulos e planos de lançar mais 16 até o fim de 2017. Entre eles estão Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Casa Butantã, de Paulo Mendes da Rocha.

Quem ouve Gisela contando essa história percebe que existiram dois pontos primordiais para o negócio dar certo: conhecimento de mercado e equipe ideal. “É muito importante ter ao seu lado pessoas nas quais confia. Grande parte das empresas terminam por brigas de sócios”, diz. Como duas das três sócias vieram de outra editora, entender o mercado literário não foi um problema. “Tínhamos dados reais”, diz. O que muita gente não sabe é que as histórias dos empreendedores terminam porque a empolgação acaba quando os problemas aparecem. “Passei por isso. Lançamos a editora e por quatro meses foi fantástico. Daí começam os perrengues e você pensa: ‘Que chatice! Não tô empreendendo pra resolver isso’. Mas não pode desistir”, diz. Melhor conselho pro seu negócio!

 

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