EM OFF: Casais podem, e devem, ter uma vida paralela além do relacionamento

É bom demais ficar sozinha. Como é que vai descobrir a pessoa interessante que você é sem parar pra se observar?

Vamos começar com uma premissa: namorar é gostosinho à beça. Eu sei, eu sei. Grande fã. Adoro. Afinal, são tantas atividades maravilhosas que estão incluídas no pacote… Jantares, festas, o bom e velho filminho com brigadeiro, almoço em família, viagens, vinho, jogos de tabuleiro (por que não?), passeios de bicicleta, piquenique, noites viradas à base de conversas agradáveis.

Agora note: se algum dia calhar de você querer realizar qualquer atividade que normalmente incluiria seu amorzinho e ele não estiver muito interessado em acompanhá-la, é possível fazer sozinha ou com outras pessoas. E, se quiser fazer alguma coisa sem o amorzinho ao lado, também está ok. E vice-versa. Tá bem? Então, tá bem

Pronto. Isso é tudo que eu queria dizer mesmo. Pode acabar aqui a coluna. Mas parece que tem que ter entre 3 mil e 4 mil caracteres, então preciso prolongar. Mas já deu pra entender, né?

Basicamente existe vida paralela ao namoro. Lembro quando eu tinha uns 14 anos e minha instrutora de pilates estava falando que queria muito ir a uma festa mas não podia porque o marido não iria e que ficava chato ir sozinha, por quê, né? E eu pensei: “Por que né o quê?” Até hoje não entendi o porquê do “por quê, né?”

Eu ACHO que ela quis dizer que o marido ia achar ruim ela se divertir sem ele, ou receber olhares impróprios sem que ele pudesse mijar em volta dela pra marcar o território, ou alguma insegurança esquisita que não faz sentido, assim como as opções anteriores.

Mal sabe ela da glória que é ligar para o namorado às 4 da manhã, já mais pra lá do que pra cá, com alguma história muito louca que ele não vai entender, mas vai achar engraçada porque você está aos berros e rindo horrores. E como é bom também receber essa ligação quando você escolheu ficar em casa de moletom, tomando um chá com leite enquanto vê Um Lugar Chamado Notting Hill pela quinquagésima vez.

Namorar é gostosinho à beça. E fica cada vez mais gostosinho quando a gente percebe que os dois componentes do casal não são um só. São dois seres independentes que somados ficam maravilhosos, e que separados não perdem nem um tequinho do próprio encanto.

Pronto, pode terminar aqui de novo. Mas não pode porque ainda temos mais caracteres para cobrir. Prossigamos.

Vou falar só mais uma coisinha óbvia. É bom demais ficar sozinha. A gente esquece porque está sempre pensando que ficar sozinha é sinônimo de derrota, pena, tédio, pânico, terror. Nada disso. Até o mais carente dos seres precisa de um momentinho de solidão. Como é que vai organizar os pensamentos, ficar quietinha, fazer teorias estranhas, descobrir a pessoa interessante que você é sem parar um pouquinho pra se observar? O dia em que você descobre que dá pra rir alto num ônibus depois de uma conversa engraçadíssima que aconteceu apenas na sua cabeça é libertador. É bom saber disso e contar pros outros. Mas com parcimônia. Segredos assim a gente não sai contando pra todo mundo. Tem que fazer um mistério. Senão o povo não valoriza, sabe?

Pronto de novo. Acho que agora foi.

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