EM OFF: O mundo dividido entre dois times de mulheres inspirados no funk

Dancemos. Vamos descer até o chão, e continuar descendo. Mas de forma mais esperta!

Vem cá, você viu o que tá rolando com as funkeiras? É a gente se distrair um pouquinho e pimba! Uma onda de mulheres trocou as típicas letras machistas pelas que dizem “Sim, vamos transar, mas porque eu quero”. Transição maravilhosa, empoderadora, girlpower… até que desandou. O foco saiu tanto dos rapazes que acabou recaindo nas mulheres. Partimos de um mundo onde uma mulher serve exclusivamente para dar prazer a um cara para aquele onde sua função é causar discórdia entre outras mulheres. O funcionamento desse novo mundo é bem simples. Existem dois times. Comecemos com o das recalcadas, invejosas, mulheres que falam mal de outras porque querem ser como elas. Essas são insignificantes e ridículas. E o que uma mulher ridícula e insignificante deve fazer? Abrir espaço para que as poderosas passem. As poderosas, o outro time. Deixam todas as outras babando, são o alvo da inveja do time anterior. Elas têm um exército, elas têm o poder. Elas são as divas que a gente quer copiar.

Em qualquer um desses dois times acho chato estar. Veja bem, se escuto uma música dessas em qualquer lugar, começo a dançar no ato! Numa festa? Já dancei. Num ponto de ônibus? Já dancei. Mas, em um dos times, você não tem conquistas que valham a admiração de ninguém e por isso precisa reduzir as conquistas de outras mulheres mais “poderosas” para se sentir melhor. No outro, você é uma mulher melhor do que todas as outras. E sabe disso. E, agora que você está no topo, tudo que quer fazer não é festejar com os amigos, e sim esculhambar com quem não chegou lá. Olha que coisa, nossa função como poderosa é gerar um sentimento negativo naquelas pessoas que, no fundo, são as que mais poderiam compreender nossa luta pelo sucesso.

Sugiro, minha cara, que comecemos a achar as outras moças umas gracinhas. Chispa daqui com essa dualidade. Seria meio forçado sair abraçando todo ser femini no que te apareça pela frente, mas podemos apenas não odiá-lo. Na verdade, o que daria um jeito nessa disputa seria um mix de indiferença e empatia. Só não se importe com todas as atitudes dela que sejam diferentes das que você teria. Afinal, que diferença faz na minha vida se alguém sabe ou não andar de salto? Ou se algo ali naquela roupa não combinar? Deixa a menina transar com o chefe! Ela tá felizinha assim! Fica felizinha por ela também! E, se ela não tá felizinha, tem que ser mal comida?

Não se esqueça: enquanto você está censurando o blush exagerado, estão censurando o fiozinho puxado na sua blusa. Lembra na escola? Quando a amiga trazia uma tesourinha pra cortar o fio puxado em vez de olhar pra ele com olhos de horror? E quando você falava “Ah, não ligo” e vocês continuavam a aproveitar o recreio?

A linha de pensamento deveria ser “Ali uma moça que não está se portando EXATAMENTE como eu me portaria, mas tá ótima porque ela quer ser assim e tem liberdade pra isso”, e não “Rala, sua mandada”. Tão mais gostosinha fica a vida quando dá pra colocar as conquistas de uma na conta de todas. Uma vence, todas vencem. arrastar a calcinha no chão, sim, mas sem julgar a calcinha que está sendo arrastada logo ao lado. Dancemos.

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