Namastreta: ative seu lado zen na vida digital

As redes sociais são ótimas para a gente dar nossas opiniões, mas podem virar palco para muitas, muuuitas mesmo, brigas online.

Se você nunca brigou em uma rede social (o que é raro), já pelo menos viu uma discussão daquelas se desenrolar em muitos comentários na sua timeline. Segundo um levantamento divulgado este ano pela consultoria eMarketer, quatro em cada dez brasileiros já desfizeram amizades nas redes sociais. Seja por posições políticas divergentes (vai se preparando, pois teremos eleições presidenciais este ano), seja pela polêmica da vez, quando a discussão se abre, sai de baixo. Parece que, quanto mais respostas e contra-argumentos, mais gente quer participar do debate e vira uma coisa sem fim. É que na maioria das vezes queremos emitir nossa opinião mas não estamos tão a fim assim de ler e, o mais importante, refletir sobre o que o outro está falando. “As pessoas não estão abertas a ouvir o diferente, e isso é fundamental”, diz a psicóloga e psicanalista Daniella Cury, de São Paulo.

Discutir ou não discutir, eis a questão

Trocar ideias é muito legal, até para a gente repensar nossas posturas. “Vale a pena ter disposição para argumentar, inclusive para fazer pensar quem ainda não tem opinião formada sobre o assunto”, diz a coach e especialista em comunicação não violenta do Instituto Tiê, Carolina Nalon, de São Paulo. Mas, se você for colocar sua opinião com ódio, pare: quanto menos gente discutindo na exaltação, melhor. Antes de teclar, que tal parar e pensar um pouco: “Eu discutiria com essa pessoa fora do ambiente digital?” ou “Por estar protegida por uma tela, vou dizer mais do que falaria na real?”

Além disso, é importante mostrar a quem está debatendo que entendemos o que ele/ela está argumentando. “Lembre-se de que não temos que convencer ninguém. Vou colocar o que penso e, se o outro não concordar, vou respeitar. As brigas se dão porque as pessoas querem ter razão”, diz o psicólogo Luís Henrique dos Santos, de São Paulo. E já reparou como a gente tende a valorizar mais em uma discussão quem “venceu” o debate do que quem tem abertura para o diálogo?

Outro ponto muito importante: não leve a conversa para o terreno pessoal. Quando te atacarem, diga: “Quero conversar sobre esse tema, conhecer seus argumentos. Não estou contra você”. Quando a gente dá nossa opinião para o mundo, queremos ser reconhecidos por ela, e ficamos em uma posição de vulnerabilidade. “Por isso, sempre que discordar de alguém, a chance de envergonhar essa pessoa é alta. E quando alguém se sente assim ataca”, completa Carolina. Então, foque em não deixar sem graça com seus argumentos aquele que está aberto ao debate. Vale também a recíproca para não brigar com quem quer que seja por se sentir vulnerável.

Dos ex aos colegas de trabalho, como discutir nas redes sociais:

Nos relacionamentos

Indiretas (às vezes beeem diretas) é o que não falta entre ex (de peguetes a namorados), no Instagram e no Facebook. Acabamos nos incomodando com questões que estão mal resolvidas para a gente. Ficamos com vontade de reagir, de deixar o outro incomodado, mas pare, pense e seja honesta com você mesma: além da raiva, o que está sentindo? Por que isso mexeu com você? “Às vezes, vale mais sentar com uma amiga e conversar do que alfinetar alguém”, aconselha a psicanalista Daniella Cury.

Inicialmente, pode ser um caminho deixar de seguir o ex e, depois de um tempo, voltar, se isso ainda couber na sua vida. “Se tem uma ferida na pele e mexer nela toda hora, vai demorar mais a cicatrizar. É a mesma coisa com uma relação afetiva.” E bloquear para sempre? É uma atitude drástica? Sim, mas, se achar necessário, vá em frente! Melhor do que viver atormentada pelo perfil do ex.

Veja também

Com a galera do trabalho

Seus colegas têm uma posição política de direita e a sua é de esquerda. Um deles faz um comentário do qual você discorda no grupo do escritório no WhatsApp. Como agir? Você não precisa deixar de expor sua opinião. Só precisa ser delicada ao colocá-la e pensar em quem vai receber a mensagem. “Não posso ser uma pessoa entre um grupo e outra em um diferente. Meus valores estão comigo em todos os lugares”, diz Luís. Mas é necessário fazer alguns ajustes para falar sobre um mesmo assunto entre diferentes grupos, senão a comunicação não será eficaz.

Entre os (numerosos) membros da família

A coach Carolina Nalon, nossa fonte na matéria, é lésbica e conta que sempre rolavam piadas homofóbicas no grupo de WhatsApp de sua família. Até que escreveu quanto ficava desconfortável com elas. “Todo mundo parou para pensar”, lembra. Muitas discussões se encerram sem que a gente precise se manifestar, mas, quando há insistência, é válido se posicionar. “Sua irmã continuará sendo sua irmã, mesmo que vocês pensem diferente”, lembra. Já com alguns amigos pode ser mais fácil perder o vínculo.

Quatro pontos para você lembrar antes de encarar uma discussão:

1. Pergunte-se: você teria esse debate fora do ambiente digital?
2. Pense antes de responder e deixe a raiva de lado.
3. Não ataque a pessoa, foque nos fatos e argumentos da discussão.
4. Lembre-se de que o objetivo não é vencer a briga, mas dialogar.

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