O que fazer ao cometer um erro no trabalho

Falhas acontecem, todo mundo sabe. Mas, quando envolve carreira, fica mais difícil levar numa boa

Imagine que você não conseguiu cumprir um prazo ou que minutos antes de entregar uma planilha de custo — e às vezes até depois — percebe que cometeu um erro nos valores. Ou que confundiu as datas de uma reunião importante e se vê totalmente despreparada numa sala. Como encarar isso e contar ao chefe de maneira profissional?

O primeiro passo para lidar com as nossas falhas, em qualquer esfera, é entender que elas raramente acontecem de propósito. Erros no trabalho podem ser induzidos por questões que vão de falta de atenção e procrastinação a acúmulo de tarefas e mau direcionamento de responsabilidades. Mas a questão é que eles não são o fim do mundo!

“A nossa cultura enxerga o erro, especialmente no trabalho, como incompetência, quando na verdade não é”, diz Gilda Goldemberg, coach de carreira e membro do Grupo Nikaia, no Rio de Janeiro. Entendendo isso, o passo inicial para lidar com o problema é não se vitimizar. O melhor a fazer é buscar identificar quais fatores levaram você a errar para então assumir a responsabilidade (não a culpa!) e também encontrar uma solução.

Quando assume uma postura racional diante dos seus erros, você cresce. “Analisar tudo com cuidado não diminui nossa carga de responsabilidade, mas ajuda a aprender e a encontrar respostas assertivas para oferecer aos nossos superiores”, afirma Cristiane Pertusi, psicóloga e coach de desenvolvimento humano, de São Paulo.

Se você não conseguiu cumprir uma tarefa, precisa primeiro saber em qual momento dela se perdeu. Subestimou o tempo? Acumulou funções ou deu prioridade a outras atividades? Entender todo o processo e chegar a respostas concretas torna a conversa com o chefe muito mais fácil — e, assim, a negociação de um novo prazo também.

“É importante que, depois de refletir, você chegue até a chefia com bons argumentos e uma solução realizável na ponta da língua”, diz Cristiane. Na prática, para corrigir um erro, pense em estratégias de como ultrapassar os obstáculos: faça uma análise, escolha o caminho, explore as possibilidades e então parta para a ação.

Compreender que dentro do ambiente de trabalho a responsabilidade por um erro não é exclusivamente de uma única pessoa também ajuda a banir o sentimento de culpa e, no lugar dele, agir para encontrar soluções. Por exemplo: no caso de uma equipe, se as informações não estiverem todas alinhadas do início ao fim do processo, a chance de algo dar errado é muito maior.

“A melhor maneira de minimizar esses riscos é por meio de uma boa conversa, que deve servir para alinhar as nossas expectativas com as dos nossos chefes e colegas, deixando claro o que se espera de cada um”, completa Cristiane. É quase como na época do colégio: tem dúvidas? Pergunte, solicite exemplos e confirme sem vergonha. Se precisar de ajuda em algum momento, peça! E mais: minimizar os riscos não significa extingui-los, pois imprevistos também acontecem.

Perigo constante

Ok, erros esporádicos são naturais e positivos para o seu crescimento. Mas, quando eles começam a ser muito frequentes, pode ser um sinal de que algo está errado! Se as falhas passam a ser recorrentes, elas podem significar duas coisas: cansaço mental ou uma manifestação inconsciente de insatisfação. “Esses dois gatilhos são muito comuns — se é o seu caso, é importante parar para prestar atenção se o seu caso não é stress excessivo ou uma forma de alerta’’, afirma Gilda.

Se você estiver se sentindo muito sobrecarregada, seja pelo trabalho, seja por problemas pessoais, é essencial que busque maneiras efetivas de melhorar esse stress e o seu desempenho. Além de checar qualidade do sono, níveis de ansiedade e ter em mente que tirar um tempo para si deve estar no topo da lista de prioridades, vale avaliar se dá para melhorar alguns pontos dentro do ambiente de trabalho. “Se você sentir que vai conseguir ficar mais tranquila trabalhando pela manhã em uma sala separada, sem barulho e sozinha, veja se consegue fazer isso”, diz Cristiane.

E quando você é a chefe?

É clichê, mas a melhor forma de começar a lidar com essa situação é respirando e contando até 10 antes de tomar qualquer decisão. Passado o stress, perceba que, se a equipe errou, você também errou, porque durante o processo algo passou pela sua atenção. Nesse caso, sente com eles e converse. “O bom gestor é aquele que dá a oportunidade de a pessoa falar, que oferece ajuda e tenta entender o que está acontecendo”, afirma a consultora de RH Angélica Guidoni, sócia da Trajeto RH, em São Paulo. Por meio da boa comunicação, sempre fica mais fácil encontrar soluções e esclarecer aprendizados.

3 atitudes para tomar logo depois de errar

1. Não se desespere! A gente já falou, mas é bom lembrar que erros acontecem. Manter a calma na hora parece impossível, mas deixar a carga emocional um pouco de lado é o primeiro passo para lidar com problemas no trabalho! Esse processo ajuda a clarear a mente e a achar soluções mais rápidas e objetivas. Se precisar, procure alguém de confiança para desabafar e pedir auxílio antes de tomar qualquer decisão.

2. Se livre da culpa Assumir a responsabilidade por um erro é diferente de se martirizar por ele. Analisar bem toda a situação ajuda a perceber quando as coisas começaram a dar errado sem assumir uma posição de vítima. Lembre-se: muitas vezes, o erro não é um fato isolado, mas sim uma combinação de fatores. Por exemplo: você perdeu um prazo porque procrastinou uma atividade, mas também recebeu muitas outras demandas ao longo do processo e se atrapalhou.

3. Converse com seus chefes Depois de ter analisado toda a situação e encontrado bons argumentos que justifiquem seus erros, é hora de conversar com seus superiores. Explique para eles o problema de forma objetiva, levando possíveis soluções para que possam definir juntos o melhor caminho. Isso passa a impressão de maturidade e competência!

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