O significado e a importância de um mentor para sua carreira

O mentor não é coach nem terapeuta. É um profissional experiente que pode dar dicas para encurtar seu caminho e alcançar seus objetivos de carreira.

Imagine que você mudou para um prédio novo, em um bairro diferente. A vizinha de apê está lá desde que o condomínio foi construído e manja tudo das redondezas: onde tem padaria, hortifrúti e caixa eletrônico. Também fala sobre a época em que chegou ao local, quais pessoas conheceu primeiro, a quais regras precisou se adaptar e com quem teve de bater de frente para ser feliz ali. Essa vizinha é uma mentora, uma pessoa com mais experiência que você, e ela está te ajudando a se estabelecer numa área nova. No mercado de trabalho, o mentor é sempre um profissional reconhecido por alguma atuação, que vai ajudar alguém por meio de exemplos da própria carreira. Recentemente, o aplicativo de relacionamento Bumble (nele, só as mulheres podem fazer o primeiro movimento após um match) lançou a plataforma Bizz, que permite aos usuários fazer contatos profissionais. Diferente do LinkendIn, o app não é para buscar vagas, mas para aumentar o networking e encontrar mentores. Os cadastrados adicionam foto, currículo, habilidades e tarefas que desempenham no dia a dia. Se a mulher se interessar, ela inicia uma conversa com quem acredita que vai agregar no desenvolvimento profissional dela. Embora ainda não esteja disponível no Brasil, o lançamento levantou a questão sobre a importância de ter um mentor na carreira. Por isso, esclarecemos a seguir as principais dúvidas sobre o processo de mentoria.

 

Como a mentoria pode me ajudar?

Dando referências para que se sinta segura para fazer escolhas de carreira, para acelerar o seu desenvolvimento. O mentor é a luz no fim do túnel quando estamos passando por percalços e queremos a orientação de alguém que já viveu uma situação semelhante. Vai sugerir um caminho a seguir, com base na experiência dele ou dela. Não é um curso, não vão ensinar competências, mas dizer algo como “Quando eu passei por isso, funcionou fazer tal coisa”.

 

Serve para todo profissional?

Sim, do estagiário ao diretor. Mas é mais recomendado para quem está de olho em uma promoção ou movimento entre áreas. Nas empresas, por causa da pouca disponibilidade de tempo de alguém mais experiente para fazer mentoria, em geral o processo é utilizado para profissionais com boas perspectivas de crescimento futuro.

 

Se eu quiser mudar de emprego, também ajuda?

Ajuda a analisar vagas que, realmente, têm a ver com o que quer para a sua carreira. E também motiva, já que procurar emprego é sempre um trabalho solitário — pode ser legal ter alguém para compartilhar inseguranças. O mentor também pode te conectar a profissionais estratégicos, embora não tenha obrigação de arrumar emprego para você. Se esse é o intuito, o melhor é procurar profissionais especializados em recolocação.

 

O mentor precisa ser mais velho?

Recomenda-se que ele esteja um a dois degraus acima de você na carreira. O que é imprescindível é ter vivência sólida na área da sua dificuldade. Por exemplo, você vai trabalhar no exterior e está perdida. Seu mentor pode ser mais novo, mas deve ter tido ou ter uma carreira internacional.

 

 

Veja também: Dicionário da carreira: desvende os termos que você nunca entende

 

 

Devemos ter a mesma formação?

Não. Ele precisa manjar apenas da área que está empacando o seu crescimento. Se você trabalha em RH e está enfrentando dificuldades para lidar com ações de marketing, seu mentor deve ter repertório para solucionar problemas nessa área, indicar livros, palestras ou vídeos que vão agregar conhecimento específico para você.

 

Como são as sessões?

É uma conversa sem roteiro, que varia de acordo com o mentor. Há os que exigem que você já chegue dizendo o que precisa. E outros que vão conduzir um papo mais aberto. As sessões podem ser dentro da empresa, em um café ou por Skype. Geralmente, duram de 30 a 60 minutos cada uma. O processo costuma ser dividido em seis a 12 sessões mensais — a frequência é importante. Os encontros se encerram quando ambos percebem que as demandas foram resolvidas.

 

É um tipo de terapia?

Não. Vai falar um pouco de vida pessoal, porque ela está interligada à profissional. Mas o foco sempre será a carreira. Se perceber que o papo está caminhando para aspectos mais densos da personalidade do mentorado (“Na infância, tive problemas com meus pais…”), o mentor deve indicar um psicólogo, que é o profissional habilitado para lidar com essas questões.

 

Meu chefe pode ser meu mentor?

Melhor não, porque pode confundir os papéis. Para escolher o seu, pense em alguém que você admira, um ex-chefe, um professor da faculdade ou alguém do seu círculo social que tenha propriedade para falar sobre as suas dificuldades do momento. Como o interesse é seu, você deve abordá-lo e sugerir a mentoria. Dentro das empresas, a recomendação é que o mentor seja de uma área correlata. Pode ficar de olho em líderes que acrescentariam na sua carreira e seguir os protocolos internos para chegar até ele. Nas companhias com programa de mentoria estruturado, é comum o gestor fazer a ponte entre mentor e mentorado.

 

Eu tenho que pagar um mentor?

Existem profissionais que cobram pela hora dedicada a você, mas é mais comum fazer isso de forma voluntária, porque é um jogo em que os dois ganham — quando um executivo é procurado para ser mentor, ele se torna mais valorizado no mercado. Dentro das empresas, são os próprios gestores que fazem esse trabalho, então o colaborador não paga nada.

 

Existe mentoria para empreendedores?

Existe. E é de grande valia, porque o empreendedor se arrisca demais e tem que fazer muitas escolhas. Mas é preciso diferenciar mentor de consultor. O primeiro trabalha as dificuldades do empresário e ajuda a lidar com frustrações. Já o segundo aconselha sobre o negócio: fluxo de caixa, posicionamento nas redes sociais, plano de expansão. Lembre-se: esse mentor precisa ser ou ter sido dono de empresa.

 

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