Sheryl Sandberg: o sucesso da CEO do Facebook

Check-list da vida dos sonhos: carreira invejável, salário alto, relacionamento incrível, autoestima lá em cima, tempo de sobra. Não, isso não é impossível: Sheryl Sandberg, a chefe de operações do Facebook, conseguiu. E você também pode

Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook
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Acordar para ir trabalhar não significa a mesma coisa para Sheryl Sandberg. Primeiro porque ela não tem horário para entrar no escritório – e pode sair todos os dias às 17 horas (luxo). Segundo porque o ambiente de trabalho é divertido, com videogames e cartazes nas paredes. E terceiro porque o chefe dela é uma celebridade – já ouviu falar em Mark Zuckerberg, presidente do Facebook? Acho que esqueci de explicar: Sheryl, 43 anos, é a chefe de operações da maior empresa de mídia social do mundo, avaliada em 66 bilhões de dólares. Além disso, foi eleita em 2012 pela revista Forbes a sexta mulher mais poderosa do globo. Ela ainda é bonita, casada com um cara incrível e mãe de dois filhos (uma menina de 4 anos e um menino de 7). E reina em uma área dominada por homens: a tecnologia.

Mas ela não caiu lá por acaso. Depois de trabalhar seis anos no Google, foi convidada por Mark a assumir o segundo cargo mais importante do Facebook. E ainda deu uma de difícil: foram necessárias negociações pesadas para que Sheryl topasse – ela não aceitaria um salário menor do que o de um candidato homem. Ter uma postura assertiva no Vale do Silício deu tão certo que dizem que ela já ganhou 30 milhões de dólares só em bônus anuais e, em 2012, entrou para o conselho de administração da empresa – a primeira mulher a ocupar essa posição.

O que mais ela poderia querer? Escrever um livro para nós, mulheres, conseguirmos ser tão bem-sucedidas quanto ela! Em Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar (Companhia das Letras), ela afirma que sente tanto receio de fracassar quanto qualquer uma de nós – ufa. Mas não deixa o temor paralisá-la. Pelo contrário: prefere assumir uma postura mais agressiva. Aqui, ela revela os três segredos para você também chegar lá – com a mesma elegância.

1º Segredo – Se jogue no trabalho!

Dar sua opinião em uma reunião é mais do que importante. É essencial.

É provável que, durante uma reunião de trabalho, você olhe em volta e se veja rodeada por mais homens do que mulheres. E se sinta intimidada para interromper e dar a sua opinião. Para Sheryl, esse é o nosso erro número 1: não acreditar que temos voz. “Devemos nos posicionar tanto quanto eles”, diz Sheryl. Ela conta que, há alguns anos, foi anfitriã de um café da manhã para o secretário do Tesouro dos Estados Unidos na sede do Facebook. Chegando lá, os homens escolheram um lugar à mesa e as mulheres se sentaram em cadeiras na lateral da sala. Na mesma hora, ela chamou as colegas para se sentarem com o restante do grupo, mas elas não se mexeram. Foi ali que Sheryl se deu conta de que, além de enfrentar obstáculos institucionais, as mulheres encaram uma batalha interior. “Julgamos nossas performances piores do que são e não nos sentimos merecedoras de certas conquistas”, diz ela. Esse comportamento de autossabotagem acontece de maneiras quase imperceptíveis: na falta de confiança para defender um ponto de vista; quando temos uma postura tão ou mais agressiva, franca ou poderosa do que os homens; e quando as expectativas em relação ao próprio trabalho são diminuídas.

Claro, a mesa é apenas um exemplo, mas você precisa se sentir segura o suficiente para se colocar no mesmo patamar que os homens para poder ser vista e respeitada. “Se nós, mulheres, não levantarmos a cabeça e nos posicionarmos, quem vai? Até hoje me interrompem e desconsideram o que eu falo. Mas agora sei como respirar fundo e manter minha mão levantada mesmo sendo ignorada. Sei do meu valor, afinal cheguei aonde cheguei por mérito meu. Dou a minha opinião sempre. E, se não prestarem atenção, falo mais alto”, diz ela. Para continuar crescendo e se desafiando, Sheryl acredita que é necessário confiar em si mesma. “Até hoje, encaro situações que me assustam – não tenho certeza de que possuo as habilidades para enfrentá-las. Mas, se eu não me arriscar, não vou para a frente, não vou me superar”, diz Sheryl. A ideia é ser destemida e dar uma de louca: finja que não existe mais nenhuma desigualdade entre homens e mulheres. Por que não? “Essa noção nos intimida e faz com que a gente não se sinta segura o suficiente para se impor”, diz Sheryl. Isso também é importante inclusive para perder a inibição para negociar salários mais altos e driblar o medo de assumir novos e ambiciosos projetos.

2º Segredo – Case com o cara certo

Suas decisões na vida amorosa, principalmente sobre quem será seu parceiro, podem definir quão longe você chegará na sua vida profissional.

Na hora de escolher um namorado, levamos em conta muitas qualidades: caráter, honestidade, fidelidade, beleza… A lista é imensa! Mas a mais importante, pelo menos para a sua carreira, é o companheirismo. Encontrar alguém disposto a dividir os fardos da vida doméstica pode levá-la mais longe na vida profissional. “Eu não conheço sequer uma mulher em posição de liderança que não tenha um parceiro que a apoie totalmente“, diz Sheryl. Isso não quer dizer que toda mulher poderosa seja casada, mas todas que são têm parceiro companheiro – o que acaba com a ideia de que apenas as solteiras chegam ao topo. Mas, mesmo que os homens estejam mais preocupados com a louça na pia, a divisão ainda é desigual. O que significa que, quanto mais crescemos na carreira, maior será nossa sobrecarga em casa. O cenário piora quando os dois trabalham fora: a mulher passa a ter 40% a mais de responsabilidade na hora de cuidar dos filhos e tem 30% a mais de afazeres domésticos do que ele. Um bom motivo para o parceiro se envolver? As DRs vão diminuir. “O risco de divórcios também cai quando a mulher ganha 50% da renda familiar e o homem faz metade do trabalho de casa”, diz. Além disso, esses casais transam mais, segundo um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

A boa notícia é que homens de gerações mais novas parecem mais dispostos a serem parceiros do que os de gerações mais antigas. Uma pesquisa realizada pela Universidade Brown (EUA) mostrou que, quando o assunto é trabalho, caras por volta dos 40 anos priorizam cargos desafiadores, enquanto aqueles entre 20 e 30 anos preferem empregos que permitem passar mais tempo com a família. Essa tendência pode ser um sinal promissor de mudanças! Mas como encontrar um cara bacana? O conselho dela é divertido: saia com todos – os bad boys, os descolados, os que têm medo de compromisso. Mas não se case com eles. Quando for trocar alianças, escolha alguém que também queira uma companheira, que acredite que as mulheres devem ser ambiciosas e que esteja disposto a dividir o trabalho de casa. “O início da relação serve para estabelecer quem faz o quê. Isso evita desequilíbrio”, diz. Ok, não é lá muito romântico. Mas é um bom termômetro para saber se vale investir no cara.

3º Segredo – Não saia antes de sair

Desacelerar a carreira antes mesmo de engravidar é um erro. Só pise no freio quando for inevitável – isso se precisar.

Você é ambiciosa, focada na carreira, e segue rumos cada vez mais desafiadores. Filhos? Não, ainda não. Bom, até você encontrar “o” cara. Com isso, é provável que você entre em crise: quando engravidar? E imagina que, quando acontecer, terá que diminuir o ritmo profissional. Então, tira aquele curso no exterior dos planos – como fazer isso, já que a família em breve vai aumentar? E, sem perceber, para de procurar oportunidades. “Mesmo se você decida ter um filho já, ainda tem nove meses pela frente. Por que vai parar agora?”, diz Sheryl. Como a maioria das mulheres começa a pensar nisso antes de realmente tentar engravidar, anos podem se passar entre a vontade e a concepção – e você acaba recusando propostas de emprego bacanas sem precisar. Aliás, topar um novo trabalho logo antes de dar à luz pode ser uma boa oportunidade, porque, se você gostar do cargo e considerá-lo recompensador, vai ficar mais animada para voltar. Ótima notícia – pena que muitas mulheres não pensem assim. “Não entre no mercado de trabalho já esperando o momento de sair. Não puxe os freios. Mantenha um pé no acelerador até precisar tomar uma decisão. É a única maneira de garantir que, quando a hora certa chegar, poderá desacelerar sem ter que estacionar”, diz a todo-poderosa do Vale do Silício.

Este conteúdo é parte do movimento Nossa Felicidade, uma discussão sobre o verdadeiro valor do dinheiro, do trabalho e da vida pessoal para as mulheres, promovido pelo MdeMulher e as revistas femininas da Editora Abril em parceria com o HSBC. Leia mais em /carreira-dinheiro/


 

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